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Edição Marinilda Carvalho
Amigos, senso de humor e serenidade são artigos cada vez
mais raros. Um leitor do Pará esculhamba o Agamenon por uma
frase grosseira a respeito de Belém. Faltou a esse leitor
assistir ao OI na TV da semana passada, em que Alberto Dines
entrevistou o Casseta & Planeta. Além de dar tremendas
gargalhadas, o leitor saberia que eles são grosseiros com
todas as cidades, todas as mulheres, todos os times, todos os políticos.
É como eles são, mais politicamente incorretos impossível.
Devem inclusive achar Belém uma cidade maravilhosa, como
de fato é.
Humor, humor, gente boa!
Quanto à serenidade, faz (muita) falta ao pessoal que professa religião. Várias cartas foram para o lixo, tamanho o número de ofensas pessoais dirigido ao autor, o professor Muniz Sodré. Que gente pródiga em impropérios demoníacos, meu bom deus! Salvou-se a carta de um estudante anglicano. Pena que ele concorde com o artigo: alguns vão dizer que protegemos os que fazem coro com nossos articulistas. Como sabem os que nos acompanham há tempos, publicamos toda espécie de crítica – menos as que contêm ofensas pessoais. Saber criticar com serenidade é uma arte quase cristã.
Calma, calma, gente fina!
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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.
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VOLTA AO FUTURO
Ditadura do design
Em recente encontro da ANJ, realizado em Belo Horizonte, aceitou-se sem maiores críticas uma pesquisa realizada pelo Gallup entre leitores americanos, segundo a qual a grande maioria procura nos jornais fotos, legendas, títulos, infográficos, sendo que apenas 19% desses leitores se preocupam com texto. O modelo levou em conta principalmente a indústria cultural, uma sociedade baseada na imagem, no entretenimento.
Modelo este que deve ser seguido pela imprensa brasileira, segundo grande parte dos participantes do encontro de BH. Ora, não nego que o jornal é o conjunto de todos estes elementos. Mas o texto continuará a ocupar o papel central, principalmente quando falamos da imprensa escrita. O velho tripé do professor Luis Beltrão está mais vivo do que nunca: informação, contextualização da notícia e opinião. "Interpretar significa identificar causas e motivos, compreender significação, efetuar análises e comparações."
Só chegaremos a este patamar com textos bem-estruturados, e não com um jornalismo rápido, desprovido de idéias e reflexões em plano mais profundo. Infelizmente, a ditadura do design está se impondo. Ilustrações, fotos e infográficos ganham espaços privilegiados em detrimento do texto. Seria salutar abrir este debate, principalmente num cenário jornalístico tão pasteurizado quanto o atual. A questão envolve também compromissos éticos e sociais. É mais cômodo colocar nas bancas um jornal bonitinho, mas ordinário. É preciso abrir o debate de forma séria.
José Anderson Sandes, jornalista, Fortaleza
O Correio também
O Correio Braziliense já tem um caderno só.
Alex Ribeiro

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