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JABOR
Eu tô maluco

Como interpretar um reconhecido cineasta que diz em entrevista a um canal de TV que "o mundo tem donos, sim!", escreve coisas inacreditáveis e, no anúncio de sua estréia como colunista semanal de outro jornal, escreve: "Derrubamos o Collor, e depois, com a plena democracia (???) [os pontos de interrogação são meus], veio o pudim de nuvens. Por que, na democracia, ninguém nos ouve mais? De certa forma, em 67, sentíamo-nos mais importantes quando nos davam porrada... Hoje é esta frieza!"

Na cultura de brutalidades, a postura do "eu tô maluco!" é generalizada?

Eugênio Celso Vaquero



IVAN LESSA E ZIRALDO
Entrevistas comprometedoras

Na entrevista de Ivan Lessa ao Observatório da Imprensa em 3 de julho de 2001, surpreendi-me com o depoimento do cartunista Jaguar, dizendo que Ivan Lessa, o intelectual, escritor e jornalista, no tempo da ditadura militar jogava as cartas dos leitores do Pasquim no lixo e as reescrevia ao seu modo. A ditadura militar jogava os votos e os direitos políticos dos cidadãos no lixo e o Pasquim e Lessa também jogavam no lixo as opiniões e idéias de seus leitores.

Os militares faziam isso para satisfazer sua ideologia e Ivan Lessa fazia o equivalente para satisfazer seu ego e sua intelectualidade. Na nova edição de O Pasquim, o retorno, as opiniões e idéias de seus leitores serão respeitadas ou continuarão sendo jogadas no lixo? Afinal, agora estamos numa democracia!

Na entrevista a Jô Soares, de Ziraldo, da Bundas, disse que o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, é seu grande amigo, mas nem sequer sabia que o tal ministro é gaúcho. Será mesmo que o ministro é grande amigo de Ziraldo ou um grande cliente?

Ney José Pereira, São Paulo



ANDRÉ GONÇALVES
Belém protesta

Reputo como palhaçada o comentário grosseiro feito pelo Agamenon Mendes Pedreira, segundo o qual "em Belém a gente só desce amarrado mesmo". Mas isso, em se tratando de gente, o que não é o caso do Agamenon. Pelo que disse, ele não passa de um pulha travestido de jornalista. Mais pulha e mais travesti do que jornalista, diga-se em favor da classe. De figuras assim, Belém quer mesmo distância. Nem amarrado serve.

Frank Siqueira



Paralisia à moda hindu

O episódio da crise de André Gonçalves durante um vôo para os EUA – crise que atinge outras 2.500 pessoas por ano só no Brasil, mas teve cobertura destinada a fenômenos inéditos – é exemplo emblemático da mídia a serviço da estagnação social. André Gonçalves foi crucificado, sobretudo pelo SBT, não por seu surto, mas por sua origem, por sua história. O sistema não agüentou. Como pode um ex-favelado, filho de uma família desestruturada, abandonado pela mãe com problemas mentais aos 6 anos, ser bonito, charmoso, ator talentoso, namorar algumas das mulheres mais desejadas da televisão brasileira?

Era preciso condenar e punir André. Tentar despachá-lo de volta ao limbo, de onde parecem acreditar, é proibido voar para o sucesso. Mas se tentaram desmoralizar o ator acabaram desmoralizados. A histeria da repórter do programa de Gugu Liberato, que viajou para Nova York só para entrevistar o rapaz parecia mais um ataque de mulher rejeitada. Ou o ataque de uma torturadora, berrando para o suspeito "É melhor confessar... é melhor confessar". O tal psiquiatra entrevistado deveria ser punido com base no Código de Ética Médica por sugerir que filho de peixe, peixinho é, sem ter, para isso, um diagnóstico preciso da saúde do ator. Que vexame! O da imprensa, naturalmente...

Nilza Bellini, jornalista, São Paulo



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"O boy de Parintins" – Agamenon



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