18/11/2003 2/11

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MÍDIA & CRIME
Frieza ou mesquinharia?

Curiosa, para dizer o mínimo, a matéria que foi ao ar na quarta-feira, 12 de novembro, no SPTV da TV Globo, apresentado pelo premiado âncora Carlos Tramontina. Era sobre uma dupla de assaltantes atacando mulheres desprevenidas em ruas da Zona Norte da capital paulista. Os dois malfeitores atacavam sem o menor receio de serem contra-atacados, arrancavam as bolsas das mulheres, pegavam o que queriam e as mandavam "passear" com alguns empurrões. Na maior naturalidade, como quem tira um doce de criança, mas não sem a dose usual de violência, comum nestes atos ilícitos. Quando uma das vítimas mostrou nada ter na bolsa um deles simplesmente quebrou o vidro de seu carro com uma barra de ferro.

Contudo, o mais curioso, e que merece registro, é que a câmera de um repórter da Globo flagrou os dois em plena ação em mais de três vezes, exibindo assim sua capacidade de registrar fatos com frieza profissional de causar inveja aos mais dedicados neurocirurgiões. Ora, fica a questão: não seria o caso de avisar à polícia, por celular ou telefone público, tão logo notasse o primeiro fato? Qual é a da Globo e deste tipo de "jornalismo"? Que tal se um médico, ao ver uma pessoa sendo esfaqueada, dissesse aos outros: não posso fazer nada, isso é caso de polícia!

O jornalista ou cinegrafista, sabe-se lá qual a formação do indivíduo que filmou o episódio, não é policial, sabemos, mas é humano (acho!), e a reação natural seria, de uma forma ou de outra, com o menor risco possível, tentar ajudar aquelas pessoas. Se o fez, o que não foi dito, merecia reconhecimento e registro no próprio jornal (sem expô-lo, claro!). Se não, foi excessivamente profissional, corporativista, mesquinho! Era melhor um robô fazer o seu papel, porque o mundo atual só precisa de um pouco mais de humanidade para funcionar melhor. O senhor Tramontina, definitivamente, não precisa deste expediente para se promover nem merece esta mancha em seu currículo.

Volmer do Rego, jornalista, escritor

 

Show de morbidez 1

Assista agora! Em tempos de sociedade falida tudo vira show! Alimente-se de morbidez, do café da manhã ao jantar. Pior do que o ocorrido é esse mexe, remexe, revira. Explora-se por todos os ângulos e, como em Matrix 2, ângulos que não existem são criados para dar mais ebulição ao assunto. Viva esta sociedade falida que se alimenta de carniça!

Márcia Cruz

 

Show de morbidez 2

Não sei se é ingenuidade minha, mas qual o valor jornalístico em informar ao leitor que a menina Liana Friedenbach foi torturada e violentada antes de ser morta? Não bastaria dizer que o assassinato teve requintes de crueldade? Parece-me que esses detalhes deveriam ficar restritos aos responsáveis pela investigação e o julgamento dos suspeitos e aos parentes.

Ricardo Falzetta

 

Só a polícia mata?

Já vou logo dizendo que não sou a favor de pena de morte, tortura, extermínios extrajudiciais, policial matador etc. e tal, para que o que vou escrever não se converta numa contradição proposital. Achei apenas oportuno o tema para fazer o meu comentário. Do jeito que as coisas são anunciadas e cobradas até parece que só a polícia mata. Essa massa humana que está abarrotando os nossos precários presídios está lá por quê? Seria bom que fizessem um levantamento para saber por quantas mortes eles respondem (inclusive de policiais que ganham uma miséria para enfrentá-los em nome da "defesa da sociedade"). E os assassinatos que estão sendo cometidos? Cada vez mais brutais e cada vez mais freqüentes, a tal ponto que escapam ao nosso entendimento e à nossa tolerância, é bom dizer. Foram cometidos por quem? Por essa população que é depositada nesses locais.

Sabem o que falta? Que a hipocrisia e o medo sejam derrotados, e que os nossos legisladores enfrentem o problema e deixem de ser idealistas: rigidez nas penas, sim; maioridade aos 16 anos (porque eles não são menores, de fato), sim, e prisão perpétua para crimes hediondos em qualquer idade. Ao mesmo tempo, que as autoridades competentes criem políticas para evitar que este comportamento agressivo, irresponsável, perigoso, que banaliza a vida humana, e que está se reproduzindo com uma rapidez inaudita, se transforme numa conduta normal e acabe por embotar de vez o nosso raciocínio.

Assassino, ladrão e delinqüente perigoso são tipos que participam de uma "ideologia" para se enfrentar a questão da matança, do delito, como sendo a "culpa" dos mais favorecidos em relação aos menos favorecidos. Enfrentar o problema com seriedade e rigidez não significa torturá-los ou matá-los, e sim proteger a sociedade para que seus cidadãos possam viver e produzir em certa paz. Baratear a pena desses bandidos é baratear a vida.

Aita Altman

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