MÍDIA & CRIME
O que é pior?
"Jornalista" Datena, foi com imenso desprazer que vi uma cena deplorável em seu programa do dia 13/11, a respeito do casal que acampava e foi assassinado. Com a mãe do rapaz morto a seu lado, primeiro você narrou, no seu estilo policialesco e sensacionalista, como o filho dela foi assassinado, como se ela não soubesse... Imagine a dor que é perder um filho, e ainda ter que ficar ouvindo "jornalistas" como você repetirem como aconteceu, para que as prováveis cenas do crime fiquem passando pela cabeça da mãe do rapaz, como num torturante pesadelo que nunca acabará. Sabe quando a gente vê um vídeo de um atleta quebrando um braço, torcendo uma perna, e nos dá aquela aflição? Imagino que a mãe do rapaz esteja sentindo algo parecido com isso, mas bilhões e bilhões de vezes mais forte, atingindo até sua alma. Neste momento, a última coisa de que ela precisava era de alguém para ficar remoendo, repisando e relembrando esta triste história.
Só faltava mesmo você ter contratado algum ator parecido com o filho dela e fazer uma reconstituição, bem na frente dela, para ver se arrancava mais lágrimas e sofrimento que alimentassem seu ibope, como fazem num outro programa tão deplorável quanto o seu. E vocês ainda chamam isso de jornalismo...
Como se não bastasse, você ainda teve a coragem de perguntar a ela se achava que a morte da garota foi pior, por ter sofrido violência sexual por mais de um dos assassinos. E você ainda usou a expressão "passar na mão de mais de um", num autêntico linguajar de bandido. Pois é, depois de ver isso, fiquei pensando: o que é pior? Um bandido que comete um crime atroz como esse, ou um "jornalista" como você que se utiliza desses fatos e das pessoas fragilizadas apenas para sua própria promoção pessoal e engorda de sua conta bancária e de sua empresa? Quem faz mais mal à sociedade? O páreo é duro...
E então, o que será que é pior? Para essa pergunta não tenho resposta, talvez você possa me "ajudar" com a sua "ética". Eu acho que episódios como esse que você promoveu são piores do que aquele do seu amigo Gugu com o falso PCC. Vocês dois poderiam muito bem estar sentados no mesmo banco dos réus. Mas não sou só dúvidas. Tenho uma certeza: nossa sociedade será muito melhor no dia em que não produzir mais assassinos como deste caso e "jornalistas" como você.
Eduardo Zanete
Sem resposta
Assisti à entrevista do Sr. Luiz Eduardo no Roda Viva, e me fiz esta mesma pergunta: por quê? Aliás, assisto freqüentemente ao programa, e não raras vezes me sinto frustrado por não ouvir dos entrevistadores certas perguntas que não poderiam deixar de ser feitas. Enfim, nesta minha primeira visita ao Observatório já me dei por satisfeito ao ler o artigo do Luiz Weis. Tornarei a visitá-lo.
Gerson Paulino dos Santos, São Paulo
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Cruzada insana
Já não é chegada a hora de denunciar a massiva campanha antiarmas desencadeada por boa parte da mídia no Brasil, em especial pela Rede Globo? Um dos princípios elementares da democracia é o de que todas as partes devem ser ouvidas. Pois bem, à população só chegam as opiniões do Viva Rio, do Sou da Paz, de deputados e senadores engajados nessa cruzada insana (porque inconstitucional e irrefletida). É patético comparar os pró-armas legais, como eu, aos criminosos para os quais já existem leis de desarmamento. Que não são cumpridas. É apavorante assistir a uma campanha orquestrada nos mesmos moldes das que encetaram Pol Pot, Mao, Stalin e Hitler, entre os mais cotados que desarmaram seus povos.
Eu, como publicitário, contribuinte, sem quaisquer nódoas em minha vida pessoal (se as tivesse, não me teria sido concedido posse e porte de arma, obviamente legal), não posso aceitar o mutismo de tanta gente esclarecida diante desta cortina de fumaça que se lança por sobre as verdadeiras causas da criminalidade, e por sobre a incompetência do governo em combatê-la. Entre SP e RJ não existem mais de 300 portes de armas válidos, hoje. No RS, são cerca de 40 mil. Onde viceja o banditismo? Onde se mata mais? É hora de desvendar os mistérios desta estranha lógica. Pôr a público as opiniões de gente com os pés no chão, fincados na realidade, não apenas de sonhadores utópicos. Eu também sou a favor do desarmamento. Dos criminosos. Afinal, quando eles não mais portarem armas (o que o governo deveria assegurar), eu também não precisarei mais da minha.
Geraldo Tosi Ferreira, Caxias do Sul, RS