18/11/2003 4/11

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MÍDIA & CIÊNCIA
Transgênicos e mau exemplo

Frank Guggenheim ("Greenpeace lamenta capa da VejaOI, 4/11/2003") refere-se ao milho Starlink como "exemplo concreto de um transgênico que causou alergia em seres humanos". O Starlink é um milho transgênico usado nos Estados Unidos para a alimentação de animais. Seu consumo por humanos ainda não foi aprovado, não por ser ele comprovadamente alérgico, mas por ainda não ter sido testado para tal. Em 2000, foi detectada a presença do starlink em alguns "tacos" (a comida mexicana) à venda nos Estados Unidos, forçando a retirada do mercado de uma grande quantidade de produtos à base de milho. Posteriormente à grande repercussão do evento, 47 pessoas alegaram ter sofrido problemas alérgicos após a ingestão de produtos de milho. O Centers for Disease Control dos EUA conseguiu examinar perto de 20 destas. Nenhuma demonstrou ter reação específica àquele produto, nem foi possível detectar o starlink nos produtos ingeridos pelas supostas vítimas. O teste recente de uma alegada vítima grave do milho também não foi capaz de identificar nenhuma alergia.

É este o "exemplo concreto" que um diretor do Greenpeace oferece? Exemplo concreto, sim, de como a histeria criada pela mídia pode induzir uma aparente relação onde ela não existe. Ver: "Biotech corn not to blame for allergies", <http://cnews.canoe.ca/CNEWSDangerousFoods0106/14_corn-ap.html 14/07/2001>; "Investigation of human effects associated with potential exposure to geneticall modified corn" <http://www.cdc.gov/nceh/ehhe/Cry9cReport/cry9creport.pdf Junho 2001>; "StarLink Corn Scare Pops, Then Fizzles"<http://www.healthfactsandfears.com>

Renan Almeida

 

Mensagens ideológicas

Creio que alguns de nós já suspeitaram do que a Veja trata: mensagens ideológicas de livre mercado. Para ela não importa se nós, os otários latino-americanos, estaremos pagando royalties para plantar soja transgênica e perderemos o mercado da Europa, que quer os produtos brasileiros justamente por não adotarem esta tecnologia. A questão dos transgênicos é mais uma forma de nos dominar economicamente e prejudicar as vendas de soja que fazemos ao mercado europeu e africano. As empresas que produzem sementes de transgênicos devem rir de orelha a orelha sobre a possibilidade de vender a um dos maiores produtores mundiais de soja o pacote transgênico-agrotóxico. Devemos ficar vigilantes para que não sejamos manipulados para aceitar esta imposição de tecnologia que querem nos fazer engolir.

Quanto à abordagem da Veja chamando os ecologistas de ecoxiitas, faça-me o favor: qualquer movimento social é taxado pela revista como idiotizado e radical. Assim foi com o MST, com o Fórum Social Mundial e com o Greenpeace, agora. Coisas de quem não está acostumado com democracia ou acredita que democracia é o que se pratica nos EUA. Sugiro o livro A manipulação do público, de Noam Chomsky, para que se entenda como é pautada a imprensa americana e como a visão de mundo anglo-saxônica trata a diferença. Vide o Iraque.

Não nos esqueçamos, senhoras e senhores, de que as civilizações são diferentes e têm diferentes pontos de vista. Talvez falte um pouco de visão crítica, ou, numa perspectiva pior, a revista deva realmente agir de má-fé (na minha opinião, é isto o que ocorre). De qualquer forma, esta revista funciona como precioso formador de opiniões tortas. Ainda existe um longo caminho para que atinjamos o nível de democracia moderna, pois a maioria da nossa imprensa ainda não aprendeu a ouvir as diferentes versões sobre um mesmo fato. A Veja, sinceramente, desinforma. Por isso faço campanha para quem conheço não assiná-la.

Márcio Gama, biólogo

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Greenpeace lamenta capa da Veja – Frank Guggenheim

 

Quem será Europa?

O esforço do JB (incompreensível para seus leitores) para nos convencer a aceitarmos ter nossos alimentos adulterados geneticamente o está levando a agir estranhamente, mesmo do ponto de vista da técnica jornalística. Vejam só essa chamada na 1ª página da edição de 12/11: "Europa quer plantar milho transgênico". Puxa, pensei, quem será Europa, pois o continente homônimo não haveria de ser, pois todos sabemos da rejeição maciça aos transgênicos por parte da população européia. Fui então ler a matéria, na página A-11, e lá o título já divergia bastante da chamada; agora era: "Europa discute transgênicos".

Ao ler o texto, que se refere a reportagem da rede alemã DWTV, descobre-se que uma comissão da União Européia está discutindo a liberação de um milho transgênico, sem grande chance de ser liberado dados os recentes incidentes e verificações de impacto, que vão se acumulando e apontando as graves conseqüências da introdução de alimentos e organismos modificados em nossa dieta e na natureza. Na verdade, eram esses incidentes e impactos que constituíam o núcleo e a maior parte da matéria, tanto na DWTV quanto no JB. É, os transgênicos estão se revelando o "Waterloo" da credibilidade e da ética da mídia brasileira.

Joaquim Moura, médico

 

Homossexualidade é melhor

Lendo o artigo intitulado "Homossexualismo, imprensa e ratos", não pude deixar de fazer um comentário. Não o faço em demérito ao articulista, muito pelo contrário, o único por essas bandas que fez referência às confusões da imprensa ao tema. Demérito sim, ao Fantástico, por sua infame mistura de contextos, e aos outros divulgadores de informação.

Mas vamos ao assunto. O sufixo "ismo" deve ser evitado pela sua conotação "jocosa ou depreciativa", segundo o Aurélio, sem mencionar o tom de doença que a terminologia carrega. Tem-se adotado, por conseqüência, a palavra "homossexualidade" para que se evitem, ao menos na comunicação, os mal-entendidos e a desinformação.

Clariane Rebouças

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