MÍDIA & CIÊNCIA
Preconceito real
A informação que circula na mídia de uma "fofoca" sobre a vida sexual do príncipe Charles mostra, sim, um preconceito real. Por que o interesse na suposta relação, apenas aventada, do príncipe com um criado do palácio? Porque o relacionamento gay seria desmoralizante para o príncipe. Se o enfoque fosse de "assédio sexual" ainda vá. Mas de homossexualidade na Inglaterra não chamaria a atenção se os leitores não estivessem imbuídos destes valores. Se o que se passa entre quatro paredes não interessa a ninguém, esta curiosidade mórbida invade a vida das pessoas e demonstra o preconceito. Outro fato que se constata na Inglaterra atual é de que não se fazem mais mordomos ingleses como antigamente, parâmetro de respeitabilidade e discrição.
Paulo Bento Bandarra, médico
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Ciência e preconceito. Preconceito? – Paulo Bento Bandarra
Prosódia da razão cínica
Está aí um textinho com a verve da Rádio Jovem Pan, mais especificamente daquele refinado programa radiofônico Pânico, que se compraz em achacar seus convidados com pegadinhas vocais, com a prosa "aristocrática" de Emilio Zurita e sua patota "irreverente".
Parece aquelas croniquetas daqueles repórteres que resolveram ganhar dinheiro fácil nas colunas semanais dos grande jornais. Todos grandes repórteres, agora convertidos a comediantes, porque paga-se melhor. O curioso é que o articulista expressa seu sintoma ao escrever um texto que acende uma vela para a academia e outra para o pagode, justamente o que ele busca condenar nas revistas "científicas".
O argumento é bom, mas a prosódia é a da razão cínica que ele busca catequizar. Como diria Nietzsche, toda escrita é a expressão de um sintoma. Eu até concordaria com o articulista, se a prosódia não fosse tão chula. A reflexão intelectual que se propõe séria tem seu decoro característico. Não conheço o autor, restrinjo-me à prosódia, note bem.
Claudio Cordovil, jornalista científico
Claudio Julio Tognolli responde
Como doutor em Filosofia das Ciências, como professor da USP e como repórter há 23 anos, nunca tinha ouvido falar no senhor Cordovil. Ao ver sua carta, vejo o porquê de não conhecê-lo. Só a título de esclarecimento: sou repórter especial da Rádio Jovem Pan AM. Só trabalho com notícias. Acho que o Sr. Cordovil fala dele mesmo ao citar "como diria Nietzsche, toda escrita é a expressão de um sintoma". Temos o pleonasmo do pleonasmo. Nunca ouvi falar no Sr. Cordovil. Restrinjo-me à sua prosódia, note bem. (C.J.T.)
Ciência para todos. Ou não?
Sobre o texto "O cult do oculto", do jornalista Claudio Julio Tognolli: ao falar do atual jornalismo científico, Tognolli disse que a linha editorial de certas revistas da área tem adotado a fuga das massas. Pergunto, ele é contra a popularização da ciência? E que mal essas publicações poderia causar à ciência denominada por ele de "dura"? Acredito que é uma questão de informar a um público leigo de uma forma que, para esse público, se torne atrativa. É a tão conhecida ciência para todos.
Mariana Ianishi, formanda em Jornalismo
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O cult do oculto – Claudio Julio Tognolli
Maconha e esquizofrenia
Alguém tem idéia do motivo pelo qual a revista SuperInteressante não coloca na seção de cartas do leitor texto a respeito de pesquisas recentes sobre os efeitos nocivos da maconha? Enviei o texto abaixo, eles informaram que receberam, mas não publicaram.
Jorge Alberto Salton
Como leitor-assinante da revista, psiquiatra e professor titular de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da UPF, achei que poderia ser do interesse o texto que elaborei em anexo sobre a maconha:
Maconha e esquizofrenia
Duas revistas médicas conceituadas dedicam editoriais para enfatizar a preocupação com o uso da maconha devido a sua associação com o surgimento de esquizofrenia. O British Medical Journal, em editorial de seu número de novembro de 2002, afirma: "Mais evidencias estabelecem uma clara relação entre o uso de cannabis e doença psiquiátrica".
A Revista Brasileira de Psiquiatria, em seu número de setembro de 2003, chama a atenção em editorial para as pesquisas que apontam para a associação entre o uso de maconha e o desenvolvimento de esquizofrenia.
Em novembro de 2002, o British Medical Journal publicou o artigo "Cannabis use in adolescence and risk for adult psychosis: longitudinal prospective study". Este artigo pode ser encontrado no site <http://bmj.bmjjournals.com>. O artigo revela que pesquisadores da Inglaterra e da Nova Zelândia observaram 1.037 pessoas nascidas em Dunedin, na Nova Zelândia: aquelas que relataram o uso de maconha apresentaram uma chance quatro vezes maior de serem diagnosticadas como portadoras de transtorno esquizofreniforme aos 26 anos de idade.
Também no fim de 2002 o American Journal of Epidemiology publicou o artigo "Cannabis, use and psychosis: a longitudinal population-based study". O artigo pode ser encontrado no site <http://aje.oupjournals.org>. Os pesquisadores observaram 4.045 adolescentes na Holanda e constataram um aumento de quase três vezes no risco de sintomas psicóticos entre aqueles que relataram uso freqüente de maconha.
As pesquisas agora tentarão esclarecer se a maconha precipita o aparecimento de psicose apenas em pessoas predispostas ou também em pessoas não-predispostas.
Obrigado pela atenção,
Dr. Jorge Alberto Salton, CRM 7064 TEL. 54 3122175 <www.salton.med.br">