ESTADÃO EM PDF
Inacessível para deficientes
Mais do que desconforto, as recentes implantações no portal do jornal O Estado de S. Paulo representam uma medida contrária aos princípios de acessibilidade e inclusão digital. Esqueceram-se os técnicos de uma parcela importante que acessa a internet e nem sempre tem o tempo e os subsídios tecnológicos para acessar o novo site: os cegos. Na década de 90, com o surgimento de diversas ferramentas adaptativas que possibilitaram o uso do computador por parte de deficientes visuais, o número de cegos que acessa a internet no Brasil e no mundo aumentou substancialmente. Esse número cresce a cada dia. O princípio que norteia as ferramentas utilizadas pelos deficientes visuais é bastante simples no que diz respeito à explicação de seu funcionamento, mas complexo em termos tecnológicos: sem o recurso da visão da tela, os cegos ouvem o resultado da sonorização que um programa de voz instalado no computador proporciona. Mesmo com o avanço dessas tecnologias, a inacessibilidade de sites da internet tornou-se assunto corrente para o segmento dos cegos.
Ocorre que a otimização e o acesso irrestrito das informações nem sempre é atingido plenamente, devido ao uso de tecnologias excessivamente gráficas, sem qualquer preocupação com sua inacessibilidade. Ou, ainda, a desinformação quanto a medidas técnicas muito simples, que tornariam os sites mais confortáveis e menos excludentes. Não se trata, aqui, de querer argumentar contra a implantação de facilidades a quem dispõe dos recursos visuais. Por outro lado, é importante atentarmos para o fato de que todos, mas principalmente aqueles que trabalham com a informação, precisam fazer o possível para que o maior número de pessoas acesse seus conteúdos. Além disso, já é urgente a preocupação com a inclusão digital, não somente por questões de mercado, mas sobretudo porque a sociedade clama pela boa vontade em deixá-la mais justa para todos.
É visível o descontentamento quanto às modificações no Estadão por parte de todos. Quanto aos cegos, ficou muito mais difícil o acesso, visto que leva muito mais tempo e que o formato PDF não é totalmente acessível como o HTML. Vale ressaltar que, antes das alterações, o portal do Estadão era perfeitamente lido pelos leitores de tela. Dessa forma, é importante o pedido para que a empresa revise suas implantações. O mesmo vale para outros sites (não somente ligados à informação). O Jornal do Brasil, por exemplo, com a recente criação da famigerada "área do leitor", tornou sua leitura desgastante para os cegos. Os jornais da RBS, do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, são igualmente penosos. A Folha de S. Paulo representa o meio termo; o Correio do Povo, também do Rio Grande do Sul, é um dos mais fáceis.
É importante indicar ainda a recente implantação do Jornal do Commercio, Recife, que criou uma área com 100% de acessibilidade. Mas o exemplo não é acabado e ainda precisa de melhorias. De qualquer forma, ficam essas contribuições com o intuito de fortalecer a preocupação com a acessibilidade na internet do Brasil e do mundo, tendo como ilustração de exemplo que vai em direção contrária o site do Estadão.
Juliano Machado, cego, estudante de Jornalismo, Caxias do Sul, RS
Deixei de freqüentar
Lamentável a decisão do grupo Estado de tornar a versão html em pdf. Escrevi ao Estadão reclamando e mostrando o retrocesso cometido, mas não recebi nenhuma resposta. Então, por conta dessas questões, deixei de freqüentar o sítio daquele jornal. Convido a todos a fazerem uma visita ao sítio do El Clarín, especificamente à matéria <http://www.clarin.com//diario/especiales/especial_sierra_mexico/index.html>, sobre os argentinos – os chamados espaldas mojadas – que entram ilegalmente nos EUA. É uma matéria apresentada de maneira inédita, bonita e utilizando da melhor forma a tecnologia da internet para informar de modo agradável e moderno. Pena que um dos maiores diários deste país nem sequer sonhe com essas possibilidades. Ao contrário...
Alberto Ribeiro Lima
Tirei dos favoritos
Com relação ao Estado: tirei dos favoritos. Tive de deixar de ler porque, francamente, ficar procurando aquelas letrinhas é dose. Li dois dias e saí fora. Antes lia todo santo dia (e até nos não santos).
Ademir Peruzzolo
Também não gostei
Também não gostei da leitura em pdf dos jornais Estado e JT, demoraram para abrir, e às vezes dá pau no Adobe. Sinceramente, marcaram gol contra.
Francisco José Gonçalves
Leia também
Estadão em PDF – Luiz Weis [rolar a página]
JB contra estrangeiros
O Jornal do Brasil exige cadastramento para ser lido na internet. Até aqui tudo bem. Só que quando você é estrangeiro não-residente no Brasil, o que eles até admitem, pois existe essa alternativa no formulário de inscrição, o processo de cadastramento emperra devido à falta de preenchimento do CPF. Ora, quando se viu estrangeiro não-residente ter número de CPF? Já enviei mais de um e-mail reclamando desta incoerência, usando o link para esse efeito, mas resposta deles, nem uma.
Carlos Ferreira, Suécia