18/11/2003 11/11

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MÍDIA ESPORTIVA
Em favor de Kfouri

A propósito do artigo "Guerra no jornalismo esportivo", de Luiz Antonio Magalhães, sobre reportagem de capa da revista CartaCapital, gostaria de fazer um comentário e um alerta. Magalhães começa seu artigo elogiando a reportagem, de Maurício Stycer, de "impecável". "Sem tomar partido de nenhum lado da refrega", diz Magalhães, "o jornalista dá voz aos contendores e produz um texto abordando todos os aspectos relevantes da questão".

A reportagem de Stycer é, sem dúvida, excelente. Mas é parcial. Dizer o contrário só porque ambos os lados foram ouvidos é querer marcar ponto na discussão da maneira mais fácil. O jornalista e a revista têm posição clara de apoio a Juca Kfouri e Cia., e isso em si não é antiético. Transparece no modo como as entrevistas foram feitas e encadeadas na edição. Todas as entrevistas com aqueles que apóiam o merchandising seguiram a fórmula: "Você apóia? Mas não acha que isso prejudica a credibilidade?" Já as demais entrevistas seguem a fórmula: "Você não apóia. Por quê?"

No primeiro caso, é dada ao entrevistado a responsabilidade de se defender de uma acusação. E são questionadas as suas respostas. No segundo caso, o entrevistado tem liberdade de dar sua opinião sem ser questionado. Por que não questionar Juca Kfouri pela seguinte declaração: "A única coisa que eu tenho é minha credibilidade. Se eu passo a dar testemunhos de produtos, por melhores que eles sejam, eu estou vendendo a minha credibilidade. E a minha credibilidade não está à venda."? Não é razoável pensar que um jornalista contratado por uma emissora "vende" sua credibilidade a ela? Cadê a contra-argumentação do entrevistador?

Repito: a reportagem é excelente. Mas parcial. Minha crítica não é tanto a ela, mas a Luiz Antonio Magalhães que, tomando o mesmo partido de Juca Kfouri, da revista e do Observatório, faz vista grossa para este fato. O Observatório deve tomar mais cuidado com o próprio telhado de vidro.

Alexandre Bandeira

 

Luiz Antonio Magalhães responde

O leitor parece encontrar dificuldade para provar a "parcialidade" da reportagem da CartaCapital. O ponto central de sua argumentação é a edição das entrevistas, que, segundo ele, teria beneficiado o time contrário ao merchandising. Este argumento não se sustenta. Nas entrevistas com os defensores do merchandising, o repórter perguntou sobre as razões que os levaram a aceitar tal prática, ao passo que nas que foram realizadas com os jornalistas que condenam o expediente perguntou sobre os motivos da condenação.

O leitor não percebeu que a pergunta sobre os efeitos do merchandising na credibilidade do jornalista só faz sentido para os que defendem esta prática. Direcionada aos que são contrários seria uma questão óbvia, pois eles argumentam justamente que fazer propaganda tira credibilidade dos jornalistas. Sobre o exemplo de pergunta que o leitor direciona a Kfouri, o fato é que ela caberia simplesmente a todos os jornalistas profissionais, e está fora do foco da discussão da reportagem.

Em meu comentário, de fato posicionei-me ao lado deste Observatório e dos jornalistas que condenam o merchandising no jornalismo, o que não me impediu de fazer uma leitura apropriada do material produzido em CartaCapital. Reafirmo minha análise de que a matéria é excelente e isenta – Stycer em nenhum momento tomou partido na polêmica e tampouco a edição das entrevistas beneficia qualquer dos lados. O que pode ter gerado esta sensação no leitor, isto sim, é a argumentação capenga dos defensores do merchandising. Mas aí já não se pode dizer que é culpa do repórter nem da revista. (L.A.M.)

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