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DIPLOMA EM XEQUE
Jornalismo é ciência

Ignorar a necessidade do diploma para jornalistas é ignorar o respeito à sociedade. Não estou querendo dizer que os colegas que atuam no jornalismo há anos e que não têm curso superior em Jornalismo não tenham capacidade de produzir a essência benéfica desse trabalho com a sociedade. O que deveria ser discutido é o ingresso de novos cidadãos nesse processo de responsabilidade social, sem ao menos tê-la! Esse filtro é de suma importância. Sem condições de discutir com seu editor que matéria será de relevância para a sociedade ou se tal matéria vai ou não prejudicar certo grupos sociais, o prejuízo é irreparável. Quantos ditos profissionais são apresentados nas redações e promovem uma chuva de imbecilidades e irresponsabilidades?

O Sr. Ewaldo Oliveira, bem como tantos outros que, obviamente, estão defendendo seu direito de trabalhar, esquece que existem no país vários alunos de cursos de Jornalismo que almejam entrar na redação e promover o respeito ao cidadão, sem mencionar que buscam registro profissional e anseiam melhorar de vida na profissão.

Sem formação, o profissional torna-se serviçal da empresa jornalística, que o faz retornar aos tempos da escravatura. Sem embasamento teórico, posicionamento crítico sobre fatores históricos, econômicos, sociais, bem como desconhecendo fundamentos, esse jornalista será um "profanador de estórias".

Oliveira ainda se esquece que a exigência do curso de Jornalismo foi uma conquista para que houvesse respeito com a classe. Afinal, é uma ciência! Cabe salientar ainda que a liberdade de expressão não está exclusivamente vinculada ao exercício da profissão de jornalista. Associar a idéia de restrição da liberdade de expressão à necessidade do diploma é querer confundir a sociedade. Caso algum profissional ou cidadão deseje manifestar-se basta para isso que escreva cartas aos jornais e estes publicarão ou não seus artigos ou posicionamentos. E, se assim quiser, tornar-se colaborador. Será que o direito à liberdade de expressão está sendo cerceado? A cautela é inerente aos sábios.

É questionável o que a Relatoria para Liberdade de Expressão escreveu:

"O jornalismo é uma manifestação primária e principal da liberdade de expressão do pensamento e, por esta razão, não pode conceber-se meramente como a prestação de serviço ao público através da aplicação de conhecimentos ou capacitação adquiridos numa universidade ou por quem está inscrito numa determinada associação profissional, como poderia suceder em outras profissões, pois está vinculado com a liberdade de expressão que é inerente a todo ser humano."

Toda profissão precisa de regulamentação e de técnica. O jornalismo teve seu início sem necessidade do diploma. Profissionais de diversas áreas iniciaram o trabalho. Mas, como toda ciência, esta, veia da comunicação social, técnica e teoria vieram por conseqüência dos fatos e da necessidade imperiosa de legislação. Até hoje alguns estudiosos discutem, por exemplo, a necessidade da antropologia, ciência com cerca de 100 anos de existência. Questionar a necessidade de regulamentação, registro e ensino superior para a formação do jornalista é bem mais que voltar ao período da ditadura. É estabelecer o retorno da pré-história e esquecer que o mundo está em constante transformação.

Josean Rego, estudante de Jornalismo da UFRR, Roraima/Brasil

 

ZERO HORA
Por que tanto repúdio?

Causaram-me estranheza os comentários contundentes deste senhor, pois, se escrevendo como jornalista, desconheço que faça parte desta profissão desaconselhar determinado veículo de imprensa. Qualquer pessoa de inteligência mediana poderia dar várias interpretações ou imaginar fatores que levem a tão alto grau de repúdio a um jornal por um jornalista.

Jacó Unikovski

 

Agnaldo Charoy Dias responde

Perdoe-me, Sr. Jacó Unikovski, mas a citada empresa de comunicação vem ao longo da sua história demonstrando um grande descompromisso com o objeto de seu trabalho, a informação. Se o senhor acompanha este Observatório da Imprensa; se o senhor tem alguma leitura básica sobre a comunicação desde um ponto de vista da gauchada (Pedrinho Guareschi e Daniel Herz são dois autores que lhe recomendo) e se o senhor acompanha de fato os veículos desta empresa, o senhor sabe muito bem do que estamos falando. Lembramos que alguns dos principais colunistas, hoje ex-colunistas, deste grupo foram processados e condenados por difamarem pessoas e movimentos sociais. Este fato já deixa claro que, mesmo diante de uma justiça feita para defender os interesses dos poderosos, as façanhas deste grupo de comunicação passam mesmo dos limites. Muito mais, veja só: o jornal Zero Hora do dia 12/12 resolveu repercutir o fato de Lula ter usado uma estrelinha do PT na conversa com o Bush. ZH diz: "Pode ter sido a primeira gafe diplomática do futuro governo", e daí junta uma boa meia dúzia de diplomatas, presidentes de partido etc., para dizerem sim ou não à tal estrelinha. No dia 13, volta à carga, dizendo em editorial que "não há mais espaço para sectarismos deslocados". Ora essa, sectária é a Zero Hora ao não aceitar a opinião alheia, deslocada é Zero Hora, que não reconhece que o partido do presidente eleito é o PT. O elevado repúdio ao grupo RBS que o senhor cita pode ser percebido pelo cancelamento de milhares de assinaturas como resposta ao movimento ZeroFora. Como um médico que pode recomendar que seu paciente não use determinado remédio, pois seus benefícios não estão comprovados, também como jornalista recomendo que os cidadãos não utilizem os veículos da RBS como mediadores das informações de seu consumo, dado seu alto grau de imprecisão e dubiedade. Obrigado pelas observações, Sr. Jacó. (A.C.D.)

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Consciência negra, mas sem o PT – Agnaldo Charoy Dias

 

SENSACIONALISMO
Mídia espalha o medo

São várias as tentativas de pôr a população num estado caótico de medo. Uma delas muito clara, é a análise muitas vezes precipitada dos fenômenos da natureza, especialmente para quem é conhecedor do conjunto de fenômenos que alteram a cada instante o planeta e seus efeitos. Aí a mídia, principalmente os telejornais, sensacionalizam aqui e acolá alguns acontecimentos mais agudos, deixando as análises à margem da ignorância de uma população que está encurralada por um sistema de idéias dominantes, onde o medo é a sua principal arma.

Fernando César de Souza

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