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NARCODITADURA
O livro vingador

Muito bom o artigo sobre o livro do Percival de Souza [remissão abaixo]. Parabéns! Aliás, o grande achado do livro, do seu texto e do fato que os originou (o caso Tim Lopes) é a oportuna salada de temas que refletem problemas gravíssimos da sociedade brasileira: narcotráfico (que arrasta consigo a questão da exclusão social) e mídia, entre outros. Se a mídia é o quarto poder, o narcotráfico, no Brasil, é o quinto. Um poder ditatorial, ilegalmente constituído, mas tão forte quanto os outros quatro com quem disputa constantes quedas de braço-de-ferro, vencendo boa parte delas.

Os mesmos ingredientes desta salada indigesta estão no documentário Ônibus 174, uma dose maciça de jornalismo investigativo. A equação é mais ou menos a seguinte: exclusão social (um menino muito pobre...), violência (...que presencia o assassinato da mãe...), abandono do menor (...vai viver na rua e escapa da chacina da Candelária...), drogas (vicia-se em cola e depois em coca...), violência (...decide assaltar um ônibus). Adicione-se uma polícia despreparada (que não sabe como agir diante de um assalto com reféns, baratinada pela presença da mídia...), políticos oportunistas (...que não querem matar o assaltante diante das câmeras, nem que pessoas inocentes sejam expostas...), uma mídia voraz e
irresponsável (...que faz da violência um espetáculo circense sem se preocupar com as conseqüências).

A mídia consumiu o episódio "ônibus 174" e a morte de Tim Lopes, mas jamais se dispôs a correr atrás dos fatos que originaram essas tragédias, como faria um jornalismo profundo, comprometido com a investigação e com a verdade além do óbvio. Como faria Tim Lopes, como fez Percival de Souza em seu livro e José Padilha em seu filme-documentário.

Alex Gennari

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Vivos e sem alma

Caro Sr. Percival, sou estudante do ensino médio de uma escola pública e tomei conhecimento do seu livro pelo programa do Jô Soares. Estou escrevendo para parabenizá-lo pelo seu trabalho e sua coragem de tentar acabar com essa impunidade e bandidagem que nos ronda a todo o momento. Eu, como quase todos os jovens estudantes de hoje, não gosto de ler, mas, fiquei muito interessado em seu livro. Li um trecho do primeiro capítulo, e fiquei muito impressionado com a crueldade desses bandidos. Confesso que no primeiro momento que soube da morte de Tim pela mídia eu pensei: "Esse cara tava procurando e achou", mas, à medida que os fatos verdadeiros sobre sua morte foram sendo desvendados senti muita vergonha de ter pensado isso, pois é devido a esses pré-julgamentos que a impunidade continua.

Como você mesmo disse: "Tim não estava no lugar errado, mas sim os bandidos, que deveriam estar presos". Foi aí que eu me toquei e percebi que eu estava errado, muito errado mesmo em ter pensado daquela maneira. E se eu pudesse queria até pedir desculpas e dizer também que Tim foi mais um grande herói de nossas causas sociais, morrendo na luta por uma sociedade que clama por justiça e dignidade, como essa da Vila Cruzeiro, e por tantas outras que sofrem dominadas pelo poder do narcotráfico.

Mais uma vez, em nome de uma juventude que ainda tem esperança num amanhã melhor e sem violência, deixo aqui meus cumprimentos pela sua coragem de escrever esse livro marcante, Narcoditadura, que certamente causará um grande impacto em nossa sociedade, assim como a morte de Tim: "eles" mataram seu corpo, mas não sua alma; ele ficará sempre vivo no coração de todos nós, que temos sede de justiça. Ao contrário desses cruéis assassinos que andam por aí, cometendo toda sorte de atrocidades: o corpo vive mas, com certeza, a alma está morta. Assim que eu adquirir o livro e acabar de ler enviarei outro e-mail.

Tenisson M. Pacheco

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O "livro vingador" de Percival – Luiz Egypto

 

Utopia da sociedade sem drogas

Fiquei impressionado com a inocência da proposta do Sr. Affonso Romano de Sant’Anna neste artigo intitulado "Nós, os que matamos Tim Lopes". Pelo que entendi, ele propõe a utopia de uma sociedade sem drogas. Será que algum dia isso já existiu ou vai existir? Creio serem improváveis ambas as opções. Concordo que o crime organizado deva ser combatido com técnicas militares, agora nem em sonho dá pra imaginar uma sociedade sem vícios. Não quero usar este espaço para fazer defesa de qualquer tipo de droga, estou sendo simplesmente realista e defendendo a democracia. Por que será que no Brasil não se pode nem cogitar a liberação do uso de drogas? Afinal, com a liberação acaba-se com este poder paralelo, uma vez que os consumidores vão preferir a droga do governo, que vai ser fiscalizada e de qualidade, além de ficar muito mais fácil de combater o vício.

Senhor Affonso Romano de Sant’Anna, esqueça este sonho, a sociedade precisa de drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas.

Weder de Paula Rocha Vilela, empresário, 29 anos, não usuário de drogas

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Nós, os que matamos Tim Lopes – Affonso Romano de Sant’Anna

 

VIDEOCASSETADAS
Faustão choca, governo cala

No dia 24 de novembro, o programa do Faustão exibiu um atropelamento coletivo, numa corrida urbana de carros, como videocassetada! Será que é preciso falar mais? Fiz uma denúncia à Globo. Depois de três e-mails, recebi uma lacônica resposta, ao estilo: "Estamos encaminhando sua ‘crítica’ (as aspas são minhas!)". Tentei fazer uma denúncia no Ministério das Comunicações. Pasmem: o e-mail volta porque o endereço não existe! Fui atrás da Procuradoria Federal e demorei para convencer a pessoa que me recebeu de que a cena mostrada na TV deveria ser analisada pela Procuradoria! Não sei com o que fico mais chocada.

Maria Beatriz Marcondes Helene

 

PAULO COELHO
Para ensinar aos pupilos

Sinceramente, ficar discutindo o tamanho da foto do Paulo Coelho e o que escreveu o jornalista, bem-remunerado para isso, é claro, é um "pé no saco" de se ler. O cara ficou rico e ganhou notoriedade com livros ditos esotéricos. Enquanto vendia só aqui e ali pertinho os analistas diziam "é coisa dessa massa de mal-informados brasileiros e latinos subdesenvolvidos; foi o homem vender e ter notoriedade fora para que os "analistas" ficassem a medir o tamanho das suas fotos na Veja. A que ponto chegaram esses "analistas". Por favor, senhor escritor, comentarista, professor da Ufscar que eu não conheço e de quem nunca li nada (a não ser essa singela "queixa"), não legitime mais o Sr. Paulo Coelho – ou sua dor de cotovelo literária –, seja pelo reconhecimento que ele teve no gosto popular (em vários países), seja pela fortuna que vem acumulando. Fama e fortuna, eita combinação desgranhenta. Mas as fotos nem ficaram tão boas assim. E, sinceramente, quem compra Veja & Cia. compra também aquele mundo de propaganda oficial, feita por publicitários, e a velada, feita por jornalistas bem pagos, e esse publico "vejeano" merece a desinformação que recebe.

Mas que bom que compraram também os livros desse maldito e leram até o fim!! E olha que os livros dele têm palavras pra caramba e poucas figuras – além de capas caprichadas e chamativas, né??? E uma assessoria decente da editora. É, aprenda com ele, senhor professor escritor! Ensine os pupilos na Ufscar.

Kamus Hubner

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Inversão de valores – Deonísio da Silva

 

VENEZUELA
Chávez, eleição ou golpe?

Afinal, Hugo Chávez foi eleito ou assumiu o poder com um golpe? Para a grande mídia parece que o Chávez é um ditador ou tomou o poder à força. Podemos ter diversas críticas à política e às ações do presidente mas, pelo que sei, ele não foi acusado de corrupção (ou ataques a paises vizinhos). Creio que a resposta mais correta para a pergunta pode ser encontrada no fato de que o EUA importam da Venezuela 15% do petróleo que consomem. Portanto, para o EUA, o controle desta fonte não pode estar nas mãos de um presidente de esquerda. Ou estou errado? Estranho (?) o fato de a mídia não chamar atenção sobre esse fato.

Itabajara da Silva Vaz Junior, Hokkaido University, Sapporo, Japão

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