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Edição de Beatriz Singer e Marinilda Carvalho

A iminente invasão do Iraque, a grampolândia baiana, as cotas para negros na Uerj, o fim da exigência de diploma para o exercício do jornalismo, a cobertura do governo Lula, as pressões dos poderosos sobre a imprensa, a baixa qualidade da programação televisiva – muitos assuntos suscitaram um número grande de cartas dos leitores do Observatório.

No caso específico da invasão do Iraque, uma curiosidade: não há queixa da cobertura contida, quase indiferente dos jornais brasileiros dos avanços da guerra, reportados friamente, ao contrário do tom aflito do telejornalismo. É estranho. Chama atenção, por isso, a carta de uma leitora (por critérios de edição, a mensagem está no bloco "Governo Lula") que se queixa da atenção excessiva dada ao que ela considera uma longínqua invasão do Iraque, quando teríamos, aqui mesmo, uma "guerra" mais urgente a cobrir: as ligações do PT com as Farc e a omissão do governo em declarar "terrorista" esta organização colombiana.

É uma posição assustadora, defendida geralmente pela extrema-direita. Nossa imprensa pouco nos informa sobre o Plano Colômbia, que mantém um número indeterminado (mas certamente grande) de soldados americanos no país vizinho. Será que a leitora quer atrair os "aliados" para nossas fronteiras? Reproduzo, a propósito, comentário feito em 12/3 pelo jornalista Ivson Alves no blog Picadinho Diário <http://www.coleguinhas.jor.br/picadinho.html>, criticando opinião da colunista Miriam Leitão, do Globo, por acaso semelhante à da nossa leitora:

"(...) Dona Míriam não resistiu dois dias... Hoje se mete onde não sabe e deu no que sempre dá. Ela quer que o governo do Eleito reconheça as Farc como terrorista. Antes da visita do presidente da Colômbia, a Tereza Cruvinel escreveu duas ou três vezes que seria uma besteira diplomática fazer o que Dona Míriam exigiu, porque faria com que o George Filho, assim que se livrasse do Saddam, viesse com tudo pra cima da Colômbia e, com o aval do governo brasileiro, criasse um Vietnã no nosso quintal. Agora me diz o que custa alguém ler ao menos os colegas do jornal em que escreve antes de se meter a gato-mestre sem ter a mínima noção do que se está falando?"

A cobertura crítica maciça do ataque ao Iraque é imprescindível. E, pedindo perdão pelo egoísmo, que nossa mídia jamais precise cobrir invasões ao nosso quintal! Toc toc toc!

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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MÍDIA & GUERRA
Observador do observador

No artigo intitulado "Por que a imprensa quer a guerra", o Sr. Dioclécio Luz apresenta opiniões, várias delas baseadas em equívocos. Exemplos:

1) Fala de carros de som controlados pelos "donos da comunicação". Estes não existem nos EUA porque poluição sonora é proibida por lei.

2) "Tudo que é notícia ou cultura tem que passar por eles". Omitiu o fato de que, nos EUA, a maioria das comunidades tem seu canal comunitário, no qual a própria comunidade apresenta as notícias que bem quer, sem ter que passar por uma AP ou Reuters. Além do quê, um bom número de jornais também é independente.

3) "Não sobrevivem sem a grana oficial..." Nos EUA a mídia é sempre privada, e não recebe subsídio algum do governo. Muito pelo contrário, estão entre os grandes pagadores de impostos.

4) "O Estado neoliberal é uma versão do totalitarismo". Não sei que definição do vocábulo "neoliberal" o autor usa, mas o Houaiss oferece a seguinte definição: "Doutrina, desenvolvida a partir da década de 1970, que defende a absoluta liberdade de mercado e uma restrição à intervenção estatal sobre a economia, só devendo esta ocorrer em setores imprescindíveis e ainda assim num grau mínimo."

Erlo Roth

 

Palavras gostosas

Ufa! Que alívio! Achava que meu sonho de um dia tornar-me jornalista (com direito a graduação, diplominha etc.) já havia ido pelos ares com uma bomba de Bush.... Parabéns, senhor Dioclécio. Adorei seu artigo. Muito gostoso de ler. Cheio de palavrinhas pitorescas e gostosas, apesar de ter sentido falta de informação, já que o senhor me parece ser um defensor ferrenho do jornalismo ético, não-comprado, informativo, não-comparado. 

Luiz Freitas

 

Golpe na verdade

A sutileza editorial das empresas de comunicação, subordinadas às pressões político-econômicas dos senhores da guerra, requer uma atenção especial. Notícias veiculadas na imprensa informam que os "aliados" estão preparados para a guerra. Aproveitam o vocábulo positivo desde a Segunda Guerra Mundial e batizam EUA e Reino Unido – atualmente isolados pela comunidade internacional por suas políticas de guerra – de aliados. Assim, envolvem subliminarmente os que apoiaram a luta contra o Terceiro Reich formado pela Alemanha de Hitler, Itália de Mussolini e o Japão de Hiroyto.

Já é conhecida a frase de que a primeira vítima da guerra é a verdade. Além, é claro, de vitimar a paz, pessoas inocentes, destruir povos, cidades, a natureza e a própria civilização. Bush e seu parceiro, estão fornecendo todos os motivos para que as nações construam hoje uma nova aliança contra o fim da diplomacia, contra a força das armas, enfim, contra os mesmos países que um dia firmaram defender a liberdade dos povos, através das Organização das Nações Unidas – ONU, que apesar dos pesares ainda é o fórum acreditado para dirimir questões internacionais. 

José Renato M. de Almeida

 

Bush, quase Hitler

O que mais me preocupa com a II Guerra Púnica (ops! contra o Iraque!) é que o Bush segue o mesmo padrão de comportamento do Hitler. Fala em espaço vital (entendido aqui como recursos disponíveis para o alvorecer máximo da civilização americana) para a hegemonia duradoura de vários séculos (logicamente inclui o acesso exclusivo aos recursos petrolíferos, base da civilização moderna), já que é o povo "ariano" (apesar de não sê-lo na concepção literal), escolhido pelo Deus dos cristãos e guardião da democracia ocidental (este sistema de governo criado e alimentado pela mídia e pelas grandes empresas).

Convencem a todos que precisam conquistar o Iraque para levar as benesses da sociedade de consumo ocidental ao Oriente Médio e semear a paz com fuzis e mísseis que matarão infiéis. Convenhamos, para dar legitimidade a esta ação e convencer uma pessoa a matar outra que nem conhece, como os soldados de qualquer exército o fazem, é necessária uma brutalizante lavagem cerebral levada a cabo pelo estado. Para acreditar que vão matar iraquianos do "Eixo do Mal", os americanos realmente precisam construir um sistema de condicionamento desumano. Não se pode acreditar que exista democracia enquanto existirem exércitos e uma mídia que justifique o genocídio de iraquianos somente por causa de audiência ou mortes por causa de dinheiro.

Não se diga que o Saddam é um anjo. Mas o povão do Iraque também é submetido a um bombardeio de mídia para acreditar que o cara é santo (à semelhança dos EUA). Em psicologia social (básica) sabe-se que quando se ameaça alguém de um grupo diferente do seu aquele grupo costuma se unir para enfrentar a ameaça exógena. Ao bater de frente com Saddam somente se conseguiu cristalizar uma resistência aos americanos no Iraque e adiar a queda do Saddam pelos próprios iraquianos (antes que os aventureiros o fizessem).

Pode até ser que França, Rússia e China tenham interesses outros que o humanitário, e certamente os têm, mas pelo menos não tentam "prender e arrebentar", à revelia de todos os outros países do mundo, outros estados soberanos. A democracia sem participação, como acontece em quase todas os sistemas ocidentais de governo, não passa de uma peça de retórica a ser usada quando interessa pela mídia.

Márcio Gama

 

Dragões e impotência

Que belo texto! Ah, quando crescer quero escrever assim... Dioclécio Luz, seu artigo, além de muito informativo, não perde um tom poético. Ao ler seu desabafo lembrei-me de Cecília Meirelles, naquela crônica que fala da solidão, ou melhor, das pessoas que sofrem do mal da melancolia (o livro é Escolha o seu sonho). Não o conheço, mas fiquei imaginado você escrevendo, debruçado nas suas desilusões, talvez, até tomando alguma coisa para aliviar sua insatisfação. Além disso, compreendo a angústia de fazer parte de um "podre poder", como a mídia brasileira, mas, fazer o quê? Somos meio que impotentes diante dos dragões mídia e capital. Ah, se eu pudesse escrever tudo o que acho do Sr. Bush Junior... ele mandaria uma bomba sobre a minha querida Belo Horizonte.

Ilda Nogueira

 

Imitação do Pravda

Depois dessa leitura lembrei do Pravda, tão "independente" outrora. Parece que desapareceu, mas por ter sido imitado pelos que tanto o criticaram...

Jaime Hof

Leia também

Por que a imprensa quer a guerra – Dioclécio Luz

 

Não brinca!

Caro jornalista (?), o senhor deve estar de brincadeira. O Iraque que o senhor descreveu é o paraíso perdido e restaurado. Não há execuções! Não há prostituição (deve ser o único país do mundo)! A cidade está reconstruída! Fala sério!

Luis Carlos Vieira

Leia também

O que a mídia não conta sobre o Iraque – Agnaldo Charoy Dias


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