|
GRAMPOS NA BAHIA
Emocionalismo exacerbado
Não sou baiano, não sou filiado a qualquer partido político e não sou simpatizante de quaisquer correntes políticas disponíveis, considero-me tão somente um brasileiro atento, leitor assíduo de jornais e revistas sem deixar de lado a televisão – canais abertos, fechados e aqueles "nem tanto ao mar, nem tanto à terra". Gosto de estar por dentro e tirar – eu mesmo – as conclusões sobre as coisas.
Desnecessário dizer do respeito que nutro – eu e milhares de brasileiros atentos ao desempenho da imprensa – pelo trabalho extraordinário que o Observatório da Imprensa, sob o comando de Alberto Dines, desenvolve em prol do esclarecimento e da formação da opinião pública.
Entretanto, escrevo para registrar uma discordância em relação à forma como a imprensa, de forma geral e generalizada, trata das questões – todas – que nos últimos tempos envolvem o nome do senador Antonio Carlos Magalhães. O texto "Deus é brasileiro" se posicionou com a mesma síndrome.
O senador Antonio Carlos tem recebido um tratamento tão diferenciado por parte da quase unanimidade da imprensa, ao estilo "cachorro doido, pedra nele", e é tão grande a pressão de todos contra um que os consumidores das notícias estamos começando a achar que algo subjetivo e inconfessável existe por trás de tanta e tamanha "unanimidade".
A mídia está, na verdade, transformando ACM, que pode e provavelmente é tudo o que se diz dele mas é também um inegável líder da atual quadra política brasileira, em vítima. Estão faltando a necessária frieza e a capacidade de análise imune de emoções para as referências às "façanhas" e à história do ACM. É tanta a má vontade, a parcialidade e o tom sarcástico dos jornalistas no que se refere às coisas do velho cacique que ele vai terminar sendo aliviado dessa questão (mais uma) dos grampos.
É um patente exagero de perseguição pessoal; algo que fica visível no que tange ao emocionalismo exacerbado e tende a absolver ACM de um julgamento isento por parte da opinião pública mais livre. O texto de Alberto Dines resvalou pelo mesmo caminho; e me surpreendeu. Terei exagerado?
Herbert Drummond
Sacudiram o berço
Dines costuma ser grande. E suas matérias costumam ser extensas. Nesta Dines foi imenso. O texto curto, sublime, inspirado. Talvez ditado pelo próprio Deus brasileiro. Um Deus que estava cansado, talvez ainda exausto da criação do mundo. Mas alguém sacudiu Seu berço esplêndido. Acho que foi o povo quem sacudiu Seu berço esplêndido. E com o despertar da nossa divindade (nós também somos brasileiros recém-despertos), acordamos para o inicio da nossa verdadeira liberdade! Já disse o grande Chico: água nova brotando e a gente se amando, sem cessar... Apesar deles todos. E para o imenso pesar deles todos!
Humberto Crivellari
Eleitos pelo povo
Antes de tudo precisamos lembrar que cada povo tem o governo que merece, porque nenhum político ocupa seu afortunado posto por concurso. Todos os políticos, desde presidente da República a vereador, são eleitos pelo povo. É bem verdade que se trata de um povo cego, porque a grande maioria é analfabeta politicamente. Isto, infelizmente, não acontece apenas em nosso país. Até mesmo nos EUA a coisa é assim. Dispensa-se qualquer comentário, haja vista a situação em que aquele idiota, que lá ocupa o lugar de presidente, está colocando o mundo. É fácil observar pelas suas expressões que o seu QI não é dos mais recomendados para o cargo que ocupa.
Voltando ao nosso país, que tem Lula na presidência, podemos alimentar um pequeno fio de esperança de que algo possa melhorar. Sarney e ACM são duas aberrações, e nem o povo nem o poder público ainda se dispuseram a tomar uma atitude relevante para colocar à mostra toda a podridão daqueles corpos carcomidos pelo tempo, sempre escondidos pelos seus elegantes ternos. A história dos dois dispensa comentários mais detalhados. Os poderes constituídos da República estão na bancarrota. Para mudar será difícil, porque uma forte estrutura já está montada. Mas, conforme o artigo, Deus é brasileiro. Parece que agora Ele está vendo que o nosso país tem que sofrer uma mudança, porque, pelo lado místico, o Brasil será a grande potência do terceiro milênio.
José Maria
Concessão inaceitável
Finalmente encontro alguém, com voz na mídia, que toca na concessão inaceitável feita pelo presidente Luiz Inácio da Silva e seu assessores do PT ao representante do que é a mais execrável oligarquia deste país. E ainda por cima, como o disse bem Alberto Dines, dar ao ex-presidente José Sarney justamente a incumbência de "viabilizar as reformas pretendidas pelo atual governo".
Não é necessário aqui retomar a trajetória desse senhor e, se o fosse, o caro jornalista faria melhor do que eu. Basta dizer que essa família vem construindo ao longo de pelo menos três décadas sua riqueza e poder às custas da miséria de todo um Estado brasileiro – é só verificar os dados de qualquer estudo socioeconômico-demográfico e analisar os índices de miserabilidade dos maranhenses – piores do que os do Piauí.
Então, como é que o presidente e seus asseclas dão ao Sr. Sarney a tarefa de materializar o discurso e a proposta que durante todos esses anos o Partido dos Trabalhadores vem pregando e que teriam agora a oportunidade de fazê-lo? É pedir à raposa para cuidar do galinheiro.
O artigo deu-me um alento, não me senti tão só e me conforto de ainda haver pares no mundo – são poucos os que encontrei pela vida e os cultivo como o bem mais precioso.
Ana Lúcia Pinheiro de Miguel
Leia também
Sarney enroscou-se nas fitas de ACM – Alberto Dines
Prática antiga
"Na verdade, a situação está longe de ser hipotética, já aconteceu quando a revista Veja publicou – em junho de 2001 – um grampo ilegal que acabou envolvendo o então colunista do Globo, Ricardo Boechat".
Vale lembrar que o Boechat se vingou da Veja quando mostrou que a então editora de Economia Eliana G. Simonetti fazia parte do esquema do APS, aquele tão falado lobista do DF. Na ocasião, a Veja, que sabia do envolvimento da Eliana com APS antes da publicação da matéria sobre o Boechat, demitiu a moça.
Luciana Moherdaui
Leia também
Quando a mídia for grampeada, bye-bye credibilidade – Alberto Dines
|