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VEJA & LFV
Revista de futilidades

Tem toda a razão Deonísio da Silva, e devia ir além em suas críticas à Veja. Além da superficialidade no tratamento das matérias, há alguns anos a revista procedeu a um nivelamento por baixo de suas pautas. Dedica páginas e páginas às futilidades e chiliques de popstars e socialites (Xuxa já mereceu matéria de capa e páginas amarelas), enquanto o registro do desaparecimento de gênios da arte, como Akira Kurosawa, limitou-se a uma nota de pé de página.

Orlando Maretti

 

Carteirinha do fã-clube

Deonísio, mais uma vez, embora Veja possa ter errado você acertou. Manda o endereço do fã-clube que eu vou fazer minha carteirinha.

Humberto Crivellari

 

Desejo de bajular

Li o artigo de Deonísio da Silva no OI e só posso dizer que a respeito da minha polêmica com LFV ele não sabe do está falando e por isso diz inverdades. Só posso atribuir seu ímpeto ao desejo de bajular LFV, cujo sucesso admira (inveja). Atenciosamente,

Juremir Machado da Silva

 

Deonísio da Silva responde

O que escrevi pode ser comprovado. Aqui não há espaço para tudo. Mas é suficiente para acrescentar que a tese da doutora Elisabeth Rochadel Torresini, defendida na UFRGS, em Porto Alegre, comprovou que Erico Verissimo negou, em texto publicado no Correio do Povo, que tivesse assinado o manifesto em apoio a Benito Mussolini, divulgado naquele jornal dias antes. Entre os que integraram a banca examinadora estava o crítico literário e professor universitário Flávio Loureiro Chaves, PhD, um dos maiores especialistas na obra de Erico Verissimo.

Afirmei apenas o que pode ser documentado: apoiado em textos apócrifos, o escritor e professor universitário Juremir Machado da Silva equivocou-se na polêmica. Por isso, repilo com veemência e melancolia esse triste costume de alguns intelectuais brasileiros de sujar suas divergências com difamações que visam desqualificar o autor, não o que ele escreveu. Os leitores que julguem se o signatário, com cerca de trinta livros, publicados ao longo de 28 anos de vida literária ininterrupta, muitos deles em sucessivas reedições, tendo obtido reconhecimento de respeitáveis intelectuais e companheiros de ofício, entre os quais o de José Saramago, está bajulando um colega ao reconhecer-lhe o talento. Talvez estejamos todos enganados a respeito de nossos desempenhos como escritores, mas algumas coisas são inquestionáveis: Erico Verissimo, um grande escritor, era um homem decente, ético. O mesmo se pode dizer de Luis Fernando Verissimo.

Antônio Hohlfeldt, escritor, crítico literário e professor universitário, é o atual vice-governador do Rio Grande do Sul. Amigos e companheiros de memoráveis jornadas, sempre apreciamos os textos de LFV. Estamos em lados opostos ultimamente. Continuo apreciando o que LFV escreve. AH disse à revista Veja que não o lê mais e explicitou os motivos. Mas nenhum de nós está ofendendo o outro. Divergimos e seguimos em frente. Emir Sader, num texto brilhante, discordou de artigo de minha autoria, publicado igualmente na revista Época, a respeito de José Bové. Neguei ao francês o direito de destruir uma plantação autorizada pelas leis em vigor no Brasil. O presidente Lula solidarizou-se com Bové no primeiro Fórum, quando ele foi expulso do país. E recusou-se a recebê-lo no terceiro, quando já era presidente do Brasil. Divergimos, concordamos, escrevemos, a História segue e nos julga.

Por que, então, não podemos discordar uns dos outros sem o recurso da ofensa, que tanto rebaixa a quem a profere? (D.S.)

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