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GOVERNO LULA
Estado ampliado e quarto poder
O Estado é abrangente, "universal" de governo. É ampliado pela qualidade das eleições e pela sustentação da vitória nas urnas. O quarto poder é como alguns chamam a imprensa e a mídia em geral, quando usurpação malévola do texto constitucional: "Todo poder emana do povo."
Os governantes foram eleitos, os jornalistas não. Pertençam a órgãos do governo ou a empresas privadas, devem colaborar com o Estado, fortalecê-lo.
Por que escrevo isso? Porque o governo eleito tem apenas três meses incompletos e já a imprensa se lança vorazmente em enquetes de popularidade e desgaste do poder.
A mídia é a formadora da opinião do povo. E o povo elegeu representantes porque não pode substituí-los em apreciações técnicas de toda natureza. As democracias diretas e participativas são viáveis depois do pleito representativo – e só então.
O que está fazendo então a mídia? Está agindo como o quarto poder! Está usurpando a sua função de " formar e informar", como diz Alberto Dines. Está contra os rumos da democracia e do patriotismo que, diante de estados enfraquecidos pela globalização perversa, hoje armada, põe-se a criticar antes do tempo.
Observemos por exemplo o governo FHC. Podia ser avaliado antes do deu término? Podia ser avaliado antes da vitória de Lula que ele tornou possível?
Creio que a imprensa merece um puxão de orelhas. Estará a exibir-se através de um poder ao qual não tem direito democrático. Nenhum poder paralelo deve desmoralizar o voto do povo. Talvez seja neste sentido que a nossa experiência inédita de hegemonia de esquerda nos aponte para a ampliação do Estado x quarto poder. A imprensa é nossa! Se não é, se está a enfraquecer o Estado diante da opinião pública, presta desserviço à coletividade, à sociedade civil, cuja missão é educar para votar sempre melhor.
Fernando Dias Campos Neto, médico
Mantendo a coerência
É curioso o comportamento de algumas pessoas e da mediadora, teoricamente, entre a população e o governo – a mídia – em relação ao Partido dos Trabalhadores, agora em fase governista. Interessante notar que o PT é tido como o partido da ética e do compromisso com a sociedade de uma forma geral – seja qual segmento for. Por isso, paga o preço de ser mais cobrado do que qualquer outro partido.
Os exemplos são inúmeros. Antônio Carlos Magalhães, se do PT fosse, já estaria na berlinda e a imprensa acharia espaço para letras garrafais nas primeiras páginas. Já aconteceu antes, com outros nomes. Em vez disso, o trio maravilha PMDB-PSDB-PFL tranca as pautas da Câmara e do Senado, atrasando o andamento do Conselho de Ética. Essa é a pré-anunciada "oposição construtiva".
Os transgênicos são outro exemplo. Nunca tiveram grande destaque. Enquanto ONGs ambientalistas gritavam desesperadamente para que se fizessem mais pesquisas, o reinado de FH ignorava serenamente a questão. Com a complacência de alguns grandes jornais. Agora, o governo Lula se declara abertamente contra o cultivo e a favor da pesquisa minuciosa – coisa que FH nunca fez – e pretende, em medida polêmica, liberar apenas a safra atual para não sair no prejuízo. O que, de fato, colocaria nossa saúde em risco. Sem entrar no mérito da questão, estas medidas são, de longe, bem mais transparentes e bem mais limpas do que na dita "Era FH". Graças ao último governo, nós já consumimos há muito soja, milho e outros alimentos transgênicos. Disso ninguém fala. E, de longe, ninguém esperneou tanto à época.
Por um lado vemos uma evolução. As pessoas estão fiscalizando mais. O meu medo é que esta fiscalização seja concentrada em tendências, e não na classe política como um todo.
A lógica já funciona nos Estados Unidos. Recente pesquisa de um jornal americano explica por que a população local não reclamou da fraude noticiada pelo The New York Times nas eleições presidenciais de 2000. A maior parte das pessoas já via o processo eleitoral como uma mera afirmação dos interesses financeiros na política.
Trata-se de uma consciência parcial. Os políticos dos partidos ditos comprometidos com a sociedade merecem uma atenção especial, pois devem sempre perseguir o que se chama de "coerência" – mesmo que cada segmento desta sociedade tenha uma concepção diferente da palavra. E os políticos dos partidos que nunca tiveram compromisso com o povo devem ser deixados de lado. Se roubarem, paciência, é o que eles sempre fizeram mesmo.
Pelo menos mantiveram a coerência.
Gustavo Barreto, editor do jornal Consciência.Net
Globo no bom caminho
Quero elogiar o canal 40, da Rede Globo! Mostraram a reunião do Lula com os maiores 38 empresários do Brasil, e até o Antonio Ermírio de Morais saiu elogiando o Lula! Além dele, outros também o fizeram. Chamaram o Lula de inteligente, de bem-informado e de muitas outras coisas boas mais. Tenho até um pouco de medo de confessar que o companheiro está se revelando muito melhor e muito maior do que eu pensava, quando ingenuamente depositei meu voto nele, achando que poderia – apenas – dar uma cambalhota na história do Brasil. E já vi que não vai dar uma cambalhota – apenas –, vai dar um salto mortal sem rede e cheio de firulas complementares. Depois eu vi, na TV Senado – que eu já nem sei mais se é mídia ou se não é , se o que aparece nela é assunto do OI ou se não é – o brilhante senador Pedro Simon dizendo que a eleição do Lula foi a maior revolução – pacífica ainda por cima – que já ocorreu num país da América Latina e talvez do mundo.
Senhores globais, continuem a divulgar os aspectos positivos do presidente-operário que se atreveu a ser competente. Vocês estão no bom caminho. Ganham credibilidade exaltando as virtudes dos virtuosos. Ganham a admiração dos puros de espírito. E ganham, também, de forma merecida, o dinheiro para o qual trabalham e só para que vivem.
Humberto Crivellari
Globo no mau caminho
A Globo faz acintosa propaganda pró-governo em seus telejornais e, na Record (e talvez na Band), é barra-pesada também a crônica policialesca do cotidiano. Além de Gugu e Faustão e alguns outros apresentadores menos famosos de outros canais, temos a baixaria político-ideológica nos telejornais (inclusive em TVs públicas).
José Luiz, historiador, Ribeirão Preto, SP
Mídia subserviente
Muito interessante e instigante o artigo sobre as esquerdas e a reticência de uma parte da mídia. Como sou da geração que viveu e acompanhou (de perto) os eventos citados, preocupo-me hoje é com o silêncio da mídia a respeito da leniência oficial – encabeçada por Lula, que afirmou que é ele quem decide na sua presidência – quanto ao indisfarçado apoio ao grupo terrorista das Farc, várias vezes tributário de genocídio e crimes contra a humanidade, ao longo das décadas. Com escritório oficial aberto na gestão municipal do Palocci, em Ribeirão Preto, e membros importantes de sua direção espalhados pelo Brasil afora, acolhidos nas universidades, nos acampamentos do MST, já estão nos morros cariocas dando treinamento de guerrilha para derrubar o sistema que de tão democrático alberga os estrangeiros que visam a destruí-lo. Ou então, para assumir o controle da mina do narcotráfico no Brasil, pois segundo o amiguinho Beira-Mar, eles querem só grana mesmo – ideologia, zero.
Aliás, isto de cometer crimes contra a humanidade e genocídios em nome de religião ou ideologia já devia ter sido enterrado nos escombros do Muro de Berlim. Lula e outros partidos de esquerda são co-signatários com as Farc no Foro de São Paulo e em outros.
A mídia não ousa denunciar esta ligação perigosa para todos nós, brasileiros.
Quanto à Guerra no Iraque, bom, está assim meio longe, né? Então, vamos falar só dela, porque isto nos distrai da guerra que nos ronda aqui, pertinho.
Solange Campos
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