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QUALIDADE NA TV
A esquizofrenia da Globo

É madrugada de sábado. Acabo de chegar de uma festa. Sair aos sábados não é um programa que faço normalmente. Ligo a TV para dar uma última passada no controle remoto. Filme no Canal Brasil? Beija-Flor no desfile das campeãs na Band? Vou até o Serginho Groissman e vejo a glória! Lá estão juntos, falando para uma platéia de adolescentes, dois gênios de nossa cultura: Fernanda Montenegro e Milton Nascimento. Fernanda e Milton juntos? Todos merecem. Infelizmente, não agüentei o sono e dormi no meio de um dos blocos. Agora me responda: Por que preferir colocar um excelente programa como o Altas Horas começando às 3 da manhã? Por que baboseiras e idiotices como Big Brothers e Zorra Total merecem o horário nobre? Isso não é ir na contramão do incentivo à cultura? Quem disse que para ter Ibope alto é preciso apelar às baixarias? 

Veja o caso de A Casa das Sete Mulheres, exemplo de alta qualidade, tanto na dramaturgia, quanto na música. Como são Fernanda e Milton. A trilha sonora que já está sendo vendida em CD, tem músicas excelentes. O time de atores e atrizes é todo de primeira linha. Uma produção impecável e de primeiro mundo. Quantos novos Miltons e Fernandas não estarão nascendo em espetáculos desse tipo? Pena que a minissérie comece quase sempre às 23:30h.

Viva o Serginho Groissman! Abaixo Caldeirões e Paredões! A TV Globo já mostrou que é possível ter qualidade, prestar serviço e oferecer educação e cultura a um povo tão precisado, sem perder a liderança de audiência. O Clone e Anos Rebeldes são exemplos.

E o Pedro Bial, quem diria, vai de zero a mil em segundos. Tem programas de entrevistas de alto nível na Globo News e no Canal Brasil, incentivando escritores e cineastas, e nos intervalos fica trocando figurinha com "artistas" como Dhomini e Sabrina. 

Luiz Antônio de Sousa da Silveira, Barra da Tijuca, Rio

 

O produto são os olhos

A televisão como qualquer outra empresa tem como objetivo a geração de lucro, e lucro se traduz em audiência. Esta audiência é medida pela quantidade de olhos que estão assistindo a um determinado canal. Quanto mais olhos estão grudados na telinha, mais vale o espaço comercial que será vendido. Logo, o produto da TV (segundo Eugênio Bucci, e eu concordo) são os olhos de quem está assistindo, é isto que ela vende, os olhos.

O que temos que analisar é como que as emissoras atraem estes olhos, se é com informação e entretenimento, ou se com forte apelação e sensacionalismo, a partir destes pontos é que constataremos a qualidade da emissora.

Hoje o que vemos no cenário televisivo é uma forte apelação ao sensacionalismo, ou seja, o apelo às emoções mais primárias do ser humano, para mantê-lo no canal. Quase todos os programas a que nós assistimos usam esse apelo. Os diretores de programação sabem muito bem o que atrai os telespectadores. Aliás, o homem desde os primórdios, tem atração por aquilo que ele não consegue dominar, pelo bizarro, pelo diferente, e é justamente isto que ainda hoje é explorado.

Se olharmos os primatas, aqueles que pintavam em suas cavernas pinturas rupestres, eles na verdade pintavam algo que para eles era diferente, que eles não conseguiam dominar, como os grandes animais, os raios, enfim, coisas que os atraíam pelo inesperado, e pelas quais cultivavam com respeito em suas pinturas.

Hoje o que vemos na TV é o culto ao diferente, bizarro e inesperado. O que atrai os telespectadores são as doenças que não podemos curar e a total exposição dos doentes (como vimos no programa da Márcia Goldschmith), a crise social sobre a qual não temos domínio, que gera assaltos e assassinatos (programa do Datena e outros), e principalmente a miséria que nossa sociedade não consegue acabar e de que não tem domínio.

Como podemos observar, não somos muito diferentes em questão de gosto dos nossos ancestrais primatas. Evoluímos muito em tecnologia, mas como seres humanos deixamos muito a desejar. Cultuamos na TV o que há de pior em nossa sociedade e, pior ainda, quando doamos nossos olhos a estas emissoras, estamos contribuindo com esta miséria que enriquece poucos, os que vivem dela; e empobrece e emburrece muitos, infelizmente.

Adriano Miguel Gonçalves

 

Viva o Brasil!

Viva o país do futebol, do carnaval. Viva o país onde há uma das melhores praias do mundo, um dos melhores cenários, o povo mais acolhedor. Um povo trabalhador, que não perde uma festa. Um povo comparecedor.

Amo este país que, apesar de tanta incompetência governamental, da exacerbada violência e da total desvalorização de cultura, continua levando a vida do jeito que ela é, conformando-se com o "pior não pode ser".

Amo este país "televisivo", que se contenta em passar a vida na frente de algumas polegadas. Por nada luta, por nada reclama. A passagem de ônibus aumentando e esse povo maravilhoso se calando.

Mas até que é melhor assim: somos civilizados demais para brigar por alguma coisa. Não queimamos menos de três ônibus, não morrem menos de dez. É melhor ficar em casa mesmo. É mais cômodo criticar o trabalho dos outros. Não dói.

Como amo esse meu país!

Luiza Nascimento Souto

 

Coisas impróprias

Paulo Stenzel, tem gente eu gostaria de conhecer. Você é um destes caras, honestos e inteligentes, que fazem falta como amigos. Bem, mesmo de longe, muito obrigado por se manifestar de modo tão apropriado a respeito de coisas tão impróprias. O tal de Luciano Huck começou como cafetão da tal de Feiticeira, não? Da mesma forma, ou parecida, o tal de Faustão começou fingindo que era inteligente, não foi?

Humberto Crivellari

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