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CARLOS LACERDA
O capítulo das mutretas

Que capítulo trata das mutretas de Lacerda com a Imobiliária Nova Iorque?

Humberto Crivellari

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CENSURA EM JUNDIAÍ
Ninguém escapa

Ué, o que esperava o professor Alcadipani? Como exigir que a imprensa da cidade, muito mais exposta a pressões, adote um padrão de conduta defensável, se da grande imprensa e de todas as demais instituições que atuam na cidade ninguém pleiteia o mesmo? Dou exemplos: nem precisando lembrar o noticiário, quando não lacunoso, nitidamente "a favor" do caderno Campinas da Folha de S.Paulo, a verdade é que continua entalado na garganta de muitos jundiaienses o editorial publicado pelo Estado de S.Paulo no dia 6 de fevereiro de 2001, no qual o prefeito de Jundiaí é apontado como exemplo de administrador, editorial vindo a público um dia após a inserção de um artigo (caído do céu, certamente) do alcaide na página 4 do jornal.

Quanto às rádios locais, o que dizer do comportamento de sindicatos da CUT, que também usam seu rico dinheirinho em propaganda mássica e patrocínio de programas que lhes convêm? Nesse contexto, fica muito fácil dirigir as baterias apenas contra a imprensa local. É muito mais cômodo. Só depois disso, isto é, se e quando, após a devida cobrança dirigida a todos, alguma compostura for recobrada, o foco do inconformismo do professor poderá ser a imprensa jundiaiense.

E essa compostura deve o professor Alcadipani exigir também do PT e da CUT (a propósito, o Jornal de Jundiaí de 15 de março traz um caderno com 4 páginas, recheado de propaganda de sindicatos (uma só é de empresa, e de bebidas, cujo sindicato de empregados é, ora vejam só – da CUT), tecendo elogios desmedidos ao deputado eleito Mauro Menucchi.

Por enquanto, não. Todas (repito: todas) as instituições que atuam na cidade, inclusive a grande imprensa e sindicatos, de uma forma ou outra estão colaborando ativamente para que nos acostumemos com a falta de informação dos órgãos locais, os quais, por ora, só podem ser acusados de estar muito bem (ou mal) acompanhados.

Encerro com a observação de que ninguém do PT, até o momento, levantou sua voz contra a censura a seu partidário. Assim fica difícil até mesmo para que alguém se sirva da vida partidária do censurado para tentar fazer desmerecida sua indignação. O PT não merece tanto.

Quanto ao senhor Silas Feitosa, que tanto se queixa do trabalho que alguns têm feito sob pseudônimo ou anonimato, bem poderia informar onde estava quando, aqui no Observatório de Imprensa, a jornalista Sandra Moreira trouxe, em matéria bem assinadinha, sua "Denúncia solitária em Jundiaí". Aliás, não precisa dizer onde estava. É só comentar o artigo da jornalista aqui. O Observatório abriu espaço para isso. É só comentar, senhor Silas. O espaço, tenho certeza, será garantido. Utilize-o, pelo menos em nome do bom marketing político, que, há que se convir, nada tem a ver com informação e liberdade de expressão, conceitos cuja dificuldade de manejo o artigo "O vale-tudo eleitoral" não conseguiu ocultar.

José Alaércio Nano Damasco

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O vale-tudo eleitoral – Silas Feitosa

Denúncia solitária em Jundiaí – Sandra Moreira

 

TRANSGÊNICOS
Três crimes esquecidos

A omissão ou a manipulação que a mídia faz com as notícias revolta. Na época da Guerra Fria havia manchetes como "Corredor americano chega em segundo lugar", enquanto o russo chegava em penúltimo. Só havia dois atletas competindo, um russo e um americano. Isso vem refletir muito o noticiário atual sobre os transgênicos. Os agricultores precisam escoar a sua produção. Coitadinhos! A imprensa não informa que eles contrabandearam a semente (1º crime), plantaram (2º crime) e multiplicaram as sementes (3º crime, de pirataria). A imprensa, sempre tão intensa na campanha contra a pirataria, não tece qualquer relação acerca deste crime praticado pelos agricultores. Parece até tática de traficante de drogas. Primeiro vicia o usuário e só depois passa a cobrar pela droga. Nem a própria Monsanto reclama da pirataria.

José Carlos Reis

 

A torcida do JB

Esperei dois dias pelas reações ao editorial "Transgênicos – Futuro Ameaçado" publicado no JB de 10/3, meditando sobre os motivos que levam um jornal a se bater pela alteração dos alimentos consumidos por seus leitores.

Ao afirmar que Lula "deu um mau passo" ao manter proibida no Brasil a adulteração de nossos alimentos, o JB quer levar-nos a aceitar termos nossa comida "modificada" por motivos comerciais disfarçados de avanço científico inevitável. Ciência é muito boa, mas nossos corpos são naturais e só os alimentos naturais, integrais e cultivados sem agrotóxicos podem mantê-los saudáveis e fecundos. Quando explodem as doenças degenerativas (mesmo ou principalmente nos EUA), como cânceres, diabetes, cardiopatias, obesidade, impotência e depressão, iniciar um processo sem fim de progressiva e acumulativa adulteração dos alimentos é condenar nossos descendentes a um futuro terrível e irreversível.

O editorial

"O governo Lula está dividido com relação à produção de alimentos transgênicos. Enquanto os ministros do Desenvolvimento, Luis Fernando Furlan, e da Agricultura, Roberto Rodrigues, vêem nos transgênicos uma evolução da ciência importante para as exportações, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, teme os efeitos para a saúde e a ecologia.

Diante das divergências, o presidente Lula decidiu confirmar a proibição do cultivo de transgênicos, abrindo exceção para a safra de soja. Deu um mau passo. O país possui centros de excelência na pesquisa genética de alimentos, como a Embrapa, e não pode ficar refém da opinião de movimentos radicais de esquerda. Com o veto, o Brasil renega seu futuro." 

O presidente Lula não decidiu manter a proibição assim, de última hora, indeciso diante das divergências de ministros empresários ligados ao PSDB (o FHC também se esforçou por liberar a modificação de nossos alimentos, mas foi barrado pela Justiça) frente aos ministros das áreas ambiental e social. Não. Lula já se comprometera pela "moratória" para os transgênicos em sua campanha eleitoral. Também o programa Fome Zero, lançado antes da eleição, já nos garantia que a população não vai ter sua comida adulterada, não neste governo. E a ministra Marina da Silva há muito é importante liderança política antitransgenista.

As exportações nacionais de soja têm sido estimuladas pelo fato de nosso produto ser genuíno, enquanto que nossos concorrentes que adotaram plantios "alterados", têm dificuldades crescentes para vender seus produtos aos consumidores europeus e asiáticos. Só vendem nos países – eles mesmos – que não exigem a rotulagem dos alimentos adulterados, vendidos como se fossem os genuínos.

O fato de os pesquisadores da Embrapa já poderem – como já podem – produzir não só soja e milho transgênicos, mas também arroz, feijão, mandioca, batata, banana, laranja, mamão etc., não lhes dá o direito de modificar os alimentos da população.

Não são "grupos radicais de esquerda" que mantêm refém o governo federal. São impedimentos éticos. E vocês consideram o principal ator no enfrentamento dessa ameaça, o IDEC – Instituto de Defesa do Consumidor, um "grupo radical de esquerda"?

Como é que o JB pode saber que, ao vetar a modificação progressiva e acumulativa de nossos alimentos, movida por critérios comerciais, o presidente Lula está levando o Brasil a "renegar seu futuro"? Há muito mais chances de estarmos comprometendo a saúde e a felicidade das futuras gerações ao privá-las de comer o que comiam seus ancestrais e condená-las a se alimentarem de comida científica. Deus me/os livre.

Joaquim Moura, Rio de Janeiro
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