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DIPLOMA EM XEQUE
Responsabilidade à venda
Onde fica a responsabilidade dos donos de jornais? Onde fica a responsabilidade do jornalista que aluga ou vende sua ideologia, suas convicções, suas certezas e/ou suas idéias, em troca de um salário relativamente compensador?
Os melhores jornalistas, que infelizmente estão indo para outras esferas, nunca esquentaram com a bunda um banco universitário. Um diploma universitário nunca encurtou as orelhas de ninguém. O caráter, a independência de opinião e outras qualidades, hoje são facilmente cooptáveis através de um salário razoável tudo dependendo do caixa do dono de jornal. A verdade sobre um fato não existe pois pode ser manipulada de acordo com interesses nem sempre muito honestos.
José Rodrigues
Não o menosprezem
É um absurdo um jornalista ser visto somente como alguém que escreve algo. E que por isso qualquer um pode escrever, que seu diploma não tem valor algum, seu interesse pelo melhor da informação é somente o fato de noticiar algo novo.
Só quem fez ou faz uma faculdade de jornalismo sabe que isso não é verdade. O jornalista busca sim a informação, para dar o conhecimento para a população de educação,direito, e várias outras coisas, de uma maneira culta e principalmente "ética"!
faturamento.csb@tdkom.com.br
Opinião reciclada
Confesso que quando li este texto de Luiz Weis inicialmente não entendi porque defender uma classe de pessoas que não tinham diploma, enquanto eu estudo para formar-me jornalista. Mas consegui tirar algumas conclusões óbvias que talvez me recusasse a ver, como, por exemplo, o ensino dado – não só na minha faculdade – que é superficial e que busca engordar a conta bancária do dono da faculdade. Então percebi que podem haver profissionais de outras áreas bem melhores e com conhecimento sobre o que escreve do que aqueles que usam a faculdade como um passatempo.
Allys Franco
"Enformarção"
Quando o patrão explora o trabalhador, é capitalismo. Quando o governo explora o patrão e o trabalhador, é socialismo. Quando o trabalhador explora o patrão, o governo e o trabalhador, é sindicalismo. Quando o vagabundo explora o patrão, o governo, o trabalhador e o vagabundo, é sindicalismo de jornalismo.
Não sei se vocês sabem, mas até pouco tempo atrás era necessário ser formado em jornalismo pra ser jornalista. Quer dizer, na teoria. Na prática, com raras exceções, funcionava (e ainda funciona) assim: quem tem bons contatos, não precisa de diploma; quem não tem, precisa.
Um sujeito como eu, para ter a possibilidade de – talvez, um dia, quem sabe – trabalhar num jornal, tinha que pagar pra faculdade 500 reais por mês durante quatro anos. Ou seja, 24 mil reais. Sem falar no tempo perdido ouvindo professores de barba e bermuda e estudando para provas sobre "pesquisas semiológicas de interações emissor-receptor".
Até que, em janeiro deste ano, uma juíza ajuizada deu um basta. Disse o óbvio: "A profissão de jornalista não requer qualificações profissionais específicas, indispensáveis à proteção da coletividade, diferentemente das profissões técnicas. O jornalista deve ter formação cultural sólida e diversificada, o que não se adquire apenas com a freqüência a uma faculdade, mas sim, pelo hábito da leitura e pelo próprio exercício prático da profissão"; concluiu que a exigência do diploma era inconstitucional e um atentado à liberdade de expressão, e suspendeu-a.
Os sindicatos, claro, ficaram revoltados. Estão esperneando até agora. Hoje o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo distribuiu esta pérola por e-mail:
"Sindicato inicia 2a fase da Campanha em Defesado Jornalismo e prepara protesto
Dando continuidade à segunda fase da Campanha em Defesa da Regulamentação Profissional, definida pela FENAJ, junto com outros 12 Sindicatos, no último dia 8, o Sindicato de São Paulo está organizando um protesto (...). A proposta é que em cada local de trabalho os jornalistas se reúnam por 15 minutos para ler um texto ou debater formas de luta para recuperar nossa regulamentação. No mesmo dia, será feita uma manifestação em frente ao prédio do Tribunal Regional Federal (na Paulista) quando tentaremos ser recebidos por seu presidente, para demonstrar nossa preocupação quanto à demora no julgamento da questão e a importância da nossa regulamentação profissional. Aguarde mais enformações sobre a manifestação."
Não é incrível? O sujeito que escreve isso aí, o sujeito que escreve enformações, é um jornalista apto. Ele e o colunista do jornal do sindicato, um tal de Marcos Brogna. O Brogna é jornalista, o Millôr Fernandes, não. O Millôr pode até fazer piadas razoáveis, mas falta-lhe o saber acadêmico; falta-lhe no rosto os perdigotos de professores fracassados e sobra-lhe na carteira o dinheiro economizado das mensalidades da faculdade que nunca cursou.
Fabio Danesi
Sindicatos prepotentes
"Sindicato dos Jornalistas de SP e MG listam jornalistas sem diploma em seus sites." De acordo com o presidente do SJPMG, Aloízio Lopes, a decisão não é discriminatória. "Não temos preconceito contra estas pessoas. Apenas nos opomos à decisão da juíza Carla Rister". Que legal, hein?! "Apenas nos opomos", francamente: sindicatos são todos iguais, acham que mandam mais que um juiz.
Aloízio Lopes e outros sindicalistas: vocês dizem que a decisão da Justiça Federal em SP é "inconstitucional". Será que dava para vocês dizerem onde exatamente (artigo, parágrafo, inciso, se for o caso), na Constituição de 88, está escrito que só podem exercer a profissão de jornalista os graduados no curso de jornalismo?
Luiz Antônio da Cruz, repórter fotográfico free-lance
Malandros e espertos
Começou, novamente, o ataque ao diploma de jornalista. Sabemos bem quem são os mandantes.
Não adianta, vão estudar! Vão sentar o "bumbum" em uma cadeira durante quatro anos e meio. Estranho que os advogados não são questionados e se metem em nossa profissão. Engenheiros ficam se infiltrando. Querem ser jornalistas? Vão estudar!
Se querem acabar com o nosso diploma, terão de acabar com todos. Vivam os rábulas!
Estes que nos atacam não querem estudar. Está fraca a universidade? Claro que sim. Vamos aprimorá-la. Caso contrário, vamos discutir o fim do diploma para Direito. Ah, esse ninguém quer meter o dedo!
Não adianta, querem ser jornalistas? Vão estudar. De "malandros e espertinhos" estamos cheios.
Dário Di Martino
Liberação ridícula
Sou a favor do diploma de Jornalismo, e é ridícula a liberação da profissão. Sou jovem e pretendo prestar o vestibular este ano para Comunicação Social, habilitação em Jornalismo. Não quero começar a carreira sem fazer o curso, como também a juíza Carla Abrantkoski Rister, que cursou Direito para exercer a profissão. Apoio Marcos Brogna, editor-chefe de O Liberal, de Americana, SP, que no artigo "Quero ser juiz...'' diz: "O jornalista deve possuir formação cultural sólida e diversificada, o que não se adquire apenas com a freqüência a uma faculdade (muito embora seja forçoso reconhecer que aquele que o faz poderá vir a enriquecer tal formação cultural), mas sim, pelo hábito da leitura e pelo próprio exercício da prática profissional. Ora, o juiz, que deve ter um vasto conhecimento sobre as leis, sobre o estado de direito, sobre processos de jurisprudência, o adquire apenas na faculdade? Por isso, quero ser juiz''.
Josemar Gonçalves
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