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TIM LOPES
Atentado ao jornalismo profissional

Meu nome é Thiago, tenho 17 anos e sou de Fortaleza. Acabei de ler o depoimento de Cristiana Mesquita, e quero parabenizá-la. Apesar de ser muito jovem, meu sonho é me tornar jornalista, pois desde pequeno tenho afinidade com isso. Leio a maioria dos textos do site todas as semanas e ainda tento sempre assistir ao programa de vocês. É realmente um ótimo trabalho que vocês fazem, tanto no site como na TV. As matérias sobre a morte do Tim Lopes me emocionaram, pois de uma maneira ou de outra isso é um atentado ao jornalismo profissional e deve ser combatido o quanto antes. Parabenizo a jornalista Cristiana Mesquita e todos que compõem o programa e o site do Observatório da Imprensa.

Thiago McBeal

 

A Colômbia é aqui

Há cerca de dois anos realizo o SNDH – Serviço de Notícias Sobre Direitos Humanos. Sou também voluntária de uma ONG (Amnesty International) que defende, entre outros artigos da Declaração Universal, a Liberdade de Expressão. Ou seja, estou (infelizmente) acostumada a acompanhar casos sem um mínimo de bom senso e respeito. Ultimamente, a imprensa tornou-se tema constante no SNDH: cerceamento (para não usar um termo ao qual sou particularmente alérgica: censura), notícias divulgadas pelos Repórteres sem Fronteiras sobre a situação em outros países, ameaças, prisões e assassinato de jornalistas em vários países.

Na AI trabalhamos com ações urgentes em defesa de pessoas em todo o mundo. E sempre me preocupava a quantidade de jornalistas ameaçados na Guatemala, na Venezuela e, principalmente, os vários assassinatos ocorridos na Colômbia (onde guerra civil, política, guerrilha e narcotráfico parecem ser uma coisa só). E isso só para ficar neste continente. No site da Comunique-se, uma avalanche de matérias comenta desde a biografia do excelente repórter até as denúncias de que a empresa não teria dado respaldo à jornalista Cristina Guimarães, ou tomado precauções quanto à segurança do próprio Tim (visado desde que ganhou, com Cristina e outros colegas, o Prêmio Esso pela reportagem sobre a feira de drogas).

Além dos textos, os comentários deixados por muitos coleguinhas me impressionaram. Um citava que se a segurança não é garantida pelo Estado nem mesmo em plena luz do dia em praças públicas, muito menos "no covil" dos bandidos, para onde Tim teria ido desarmado, com câmara oculta e sozinho.

Tenho consciência de que centenas de vidas são afetadas pela violência atual. Mas é duro ver um colega perder a vida no exercício da profissão. Se algo de útil pode decorrer da perda de uma vida (em especial, em seu exercício profissional), que seja uma discussão mais ampla sobre o papel da imprensa e seus próprios limites. E que esta discussão (e a indignação das pessoas) não dure apenas até a próxima participação da Seleção Brasileira na Copa.

Há uns anos achei extremante preciso quando Caetano cantou que o Haiti era aqui. Hoje, temo que a Colômbia seja aqui. Será?

Claudia Duarte

 

Nota de encomenda

Me perdoem, mas este "editorial" [nota do sindicato, ver remissão abaixo], lido inclusive no Jornal Nacional, está com cara de que foi feito sob encomenda para a Rede Globo. O trecho "... mesmo que teria sido levado a isso por seus chefes" chega a ser vergonhoso. É uma péssima maneira de reverenciar a memória de um jornalista assassinado tão barbaramente no cumprimento do dever.

Isaac Jorge, Salvador

Por que Tim estava lá? – Comissão do Sindicato dos Jornalistas do Rio

 

Suavidade imprescindível

Sobre o texto de Cristiana Mesquita: no meio de tantas opiniões que li tentando me convencer, sem conseguir, que bom encontrar seu artigo. Nunca fui jornalista de grande imprensa. Mas, no meu jornalismo militante, já cavei minhas fortes emoções, tentando fotografar polícia entrando no morro, exército ocupando a Central etc. Sempre sentia, misturada à adrenalina, uma forte justificativa humana e social: a tal da denúncia. Mas você explicou isso melhor do que eu seria capaz. Com suavidade. Tão imprescindível e rara nesses momentos de barbárie.

Ana Lucia Vaz, jornalista e professora de Jornalismo

 

Motor é o sensacionalismo

Em relação ao texto de Cristiana Mesquita, queria dizer que não só concordo com o ponto de vista dela, acerca da vaidade jornalística que impele muitos a buscar o "furo" e o sensacional em jornalismo, mas acho também que o motor que move muitos dos jornalistas investigativos é mesmo o do sensacionalismo. Não se busca, regra geral, discutir as reais motivações sociais da violência e sequer quem realmente está por trás do tráfico de armas e de drogas.

Exploram menores nos bailes funk e nós ficamos ávidos por ver essas imagens, ficamos todos fascinados em saber mais deste universo perigoso. Tudo bem, mas eu queria que as reportagens conduzissem a uma compreensão mais aprofundada desta realidade, e não somente à demonização das galeras e dos bailes funk.

Eduardo Luedy

 

Vale a pena arriscar tanto?

Realmente é impressionante o que fazemos pela profissão. Como disse Alberto Dines, jornalismo é um estado de alma. Ao ler o texto de Cristiana Mesquita, visualizei todas as imagens em minha mente. É claro que só quem esteve no morro, na boca da violência, pode falar exatamente sobre a sensação que o próprio Tim Lopes sentira. Apesar do medo, a missão estava acima de tudo. Mas como questionou a jornalista, será mesmo que vale a pena arriscar tanto?

Luciana Ribeiro, colunista e repórter do jornal A Cidade, Espírito Santo do Pinhal, SP

 

Sentimento inexplicável

Cristiana, fiquei sensivelmente emocionado com seu depoimento. Ele nos faz relembrar esta coisa inexplicável que todo repórter tem: um misto de malandragem e ingenuidade. A morte do Tim Lopes me faz lembrar aquela máxima de que quem morre no mar justamente são os melhores nadadores. Precisamos ter muita atenção com as vidas de outras pessoas e com a nossa também. Mas não dá para deixar de sentir uma imensa admiração por ele, pela indiscutível qualidade de repórter que ele tinha, pela enormidade da dignidade de exercer uma profissão tão edulcorada, tão espinafrada por esta avalanche de press releases etc.

Nelson Valêncio

Leia também

Foi nos bailes funk da vida – Cristiana Mesquita

 

Delatem os usuários

Sugiro que as grandes redes jornalísticas se reúnam e, de com alguma forma jurídica de proteção, publiquem, no mesmo dia, o nome de todos os usuários de drogas do primeiro escalão dos Três Poderes, e pessoas públicas do empresariado e colunáveis. Terão coragem?

Fernanda Callado

 

Parecia o Cidade Alerta

Quero criticar o programa Observatório na TV exibido em 12 de junho pelo alto grau de sensacionalismo. Para quem se propõe a um debate sério de desprendimento, este Observatório foi evidentemente rebuscado. Assisto ao programa toda semana e sempre vejo ótimos debates, mas, infelizmente, nesta terça, sobretudo no início do programa, pensei estar assistindo ao Cidade Alerta.

José Maria Pereira, estudante de Jornalismo

 

Vítima da emissora

A Globo, de tanto fazer novelas indecentes e shows de realidade fingidos, acabou imitando os filmes americanos, onde o jornalista é o mocinho que descobre os crimes e vira herói contra a polícia corrupta que recebe propina dos bandidos. O repórter da Globo foi vitima da própria emissora. Quem matou Tim foi a Globo.

Maria Gilka

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