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TIM LOPES
Repórter ou policial?

Temos discutido muito, em sala de aula, essas questões éticas. Muito importante esse texto [artigo de Antônio Brasil, ver remissão abaixo], questionador e abrangente, na medida em que alerta para o que não devemos fazer. Acho que há um fio muito tênue, separador, entre o limite do comportamento do repórter e o seu papel policialesco, se seguir adiante na investigação. Esses fatos demonstram, sim, a mudança de valores, de posturas comportamentais de nossos profissionais, talvez pressionados pelos aparatos tecnológicos e pelas alterações do próprio contrato de trabalho, ou "o que deve ser hoje a função de repórter numa grande empresa".

Parabéns pelo texto. Temos que questionar e lançar todos os pontos de vista a respeito do tema "a função do repórter", com todo o respeito ao trabalho do Tim e das equipes de repórteres que temos em todo o Brasil.

Neusa Ribeiro, jornalista e professora da UFRGS e Centro Universitário Feevale, RS

 

Sobre os limites éticos

Muito oportuno o artigo do professor Antônio Brasil ("Uma alternativa às câmeras ocultas"). O professor aponta com precisão um debate necessário e que não deve ser ofuscado por todos os demais que o assassinato do jornalista Tim Lopes traz à tona. É inegável que toda a sociedade brasileira precisa estar mobilizada contra as diversas formas de violência que atinge a todos – jornalistas incluídos. Também que os poderes públicos precisam banir o espaço que os crimes organizados estão ocupando, exatamente na lacuna deixada pelos referidos poderes. No entanto, é também o momento para uma séria reflexão por parte da imprensa e de seus profissionais acerca dos limites éticos que o fazer jornalístico impõe. Seria, inclusive, uma das formas de homenagear a memória do jornalista Tim Lopes.

Carlos Alberto de Carvalho, jornalista e professor de Jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte

 

Reação corporativista

Primeiramente, gostaria de elogiar a opinião expressa no texto de Antônio Brasil. Concordo plenamente. Gostaria de acrescentar, no entanto, que, mesmo tendo ficado tão chocado quanto qualquer um com a brutalidade do crime, fico estarrecido ao ver que a imprensa adota a mesma atitude corporativista que critica nas demais classes. Tim era um profissional respeitado e morreu no exercício de sua profissão, assim como policiais, promotores e juízes que tentam combater o crime organizado, ou mesmo o pobre "homem da Light", que vez por outra tem que arriscar a vida para cortar a energia de uma casa no morro por falta de pagamento.

É fato que o poder público de maneira geral é omisso no combate ao crime organizado e que, como já foi dito, só investiga capa de jornal, mesmo assim só se for de grande circulação ou influência. Não é que reprove o movimento criado pela imprensa para cobrar das autoridades uma ação contra os responsáveis crime, pelo contrário, só gostaria que a mesma mobilização existisse para proteger o "homem da Light", o "cidadão comum". Não devemos esquecer que no Brasil a imprensa em geral e a Globo em particular representam um quarto poder, e que poderiam prestar um serviço muito melhor à sociedade se não se manifestassem apenas para defender interesses próprios.

Continuando desta forma, corremos o risco de a população imaginar que, como só há uma atitude séria se a imprensa for atingida, começar ela mesma a fazer execuções de jornalistas para conseguir proteção.

Mauro Gonçalves Diniz

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Uma alternativa às câmeras ocultas – Antônio Brasil


Antônio Brasil responde
Com o risco de parecer piegas gostaria de dizer que estou lisonjeado com os comentários enviados pelos leitores do OI. Há muito tempo tento provocar um debate mais sério sobre os nossos direitos e limites. Infelizmente, tivemos que esperar o sacrifício de um companheiro para mobilizar não só a categoria como toda a sociedade. Reafirmo que ao contrário do que a Globo anuncia e gostaria, o Tim Lopes não está no Céu. Está entre nós, cobrando uma atitude mais coerente e digna, para parar de mostrar o problema e começar a resolvê-lo. O jornalismo investigativo de televisão agora já tem mais uma pauta, com ou sem câmera oculta: como e por que o Tim Lopes morreu? (A.B.)

 

Perguntar não ofende

Não foi a própria Rede Globo que deu destaque aos bailes funk? Não foi ela que deu espaço ao Bonde do Tigrão e encheu de "cultura" a cabeça de nossos jovens com termos do tipo "as preparadas", "as popozudas", "as cachorras"? Será que a Globo não cometeu um erro ao dar notoriedade a festas promovidas por marginais e traficantes? Será que ninguém sabia disso? Ou só estavam preocupados com notícias à la Ratinho?

Acir José de Souza

 

Visão romântica

Antes de qualquer coisa, também lamento a morte de Tim Lopes. Entretanto, discordo de certas afirmações. Primeiramente, acredito que o jornalismo deva ser encarado com alma, afinal é a paixão que leva o jornalista a situações inusitadas para denunciar corruptos e ladrões, como também publicar fatos positivos. Para tanto é necessária imparcialidade. Mas como ter tal imparcialidade, se é que ela existe, se tratarmos o assunto com dor, horror, indignação? Acredito que esta visão do jornalismo distante da prática é romântica.

Lucila Rodrigues

 

A Folha deu, sim

A edição da Folha de S.Paulo de 9 de junho não retratou o drama de Tim Lopes apenas em seu caderno de TV, diferentemente do que está em artigo no OI, mas também em uma grande reportagem em Cotidiano, que mostrou o atual estágio de ocupação do tráfico nas favelas do Rio e em São Paulo. Misturam-se ao sofrimento do jornalista várias vozes de pessoas anônimas, desconhecidas, que também sofrem com o poder paralelo do crime organizado e que precisam ser incluídas em uma avaliação séria sobre o caso.

Alessandro Silva

 

Mobilização igual para todos

Creio que essa violência só vai ter solução quando o tratamento às vítimas não seja discriminado pelo fato de ela ser um repórter importante ou um cidadão como milhares de outros anônimos. Cada homicídio, cada espancamento, cada ato violento precisa do mesmo tratamento, da mesma mobilização política, jornalística, policial e principalmente de muita comoção social.

Fábio Fernandes Padilha

 

Meu vizinho também morreu – II

Bastante oportuna a mensagem do Sr. Sidarta Martins. Tenho um amigo que já perdeu duas pessoas da família em assalto, sendo uma de bala perdida. Não me lembro de ver a imprensa e o presidente indignados como estão agora, ante o profundamente triste e lamentável assassinato do jornalista Tim Lopes. Entretanto, para a imprensa parece que a morte de um jornalista é mais dramática ou grave do que a morte de um de nós, simples mortais cidadãos.

Roberto de Barros Emery Trindade, Rio de Janeiro

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Meu vizinho também morreu – Sidarta Martins, Caderno do Leitor

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