19/08/2003 3/8

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VEJA E MST
No silêncio dos oprimidos

Primoroso o artigo de Dioclécio Luz. Conseguiu dar "voz" a sentimentos que estavam dolorosamente entalados em minha garganta. Conseguiu expressar sentimentos e pensamentos que muitas pessoas como eu nutrem com relação a veículos como a Veja. Sentimentos que na grande maioria das vezes ficam presos no silêncio dos oprimidos.

Anna Jansen

 

Além do bom senso

Parabéns, muito sensata e correta a sua posição. Essa revista realmente tem ultrapassado os limites do bom senso e da ética jornalística. Seus artigos (dela) têm ofendido aqueles com um mínimo de inteligência nesse país. Ler essa revista chega a dar náuseas, tal a posição subserviente aos interesses dos grupos internacionais e do capital especulativo. Em tempo, também não sou militante do MST, apenas defendo os direitos por que lutam por achá-los legítimos.

Ademir de Lucas, médico-veterinário, Esalq-USP

 

Minha contra-propaganda

Assino onde Dioclécio Luz quiser, concordando com a declaração. Penso que é dessa forma que poderemos inverter esse quadro de desinformação que ainda persiste em nosso país, quando uma minoria insiste em dominar a voz e o veto nos destinos do Brasil. Esse caso dos donos dos grandes jornais e das grandes revistas é similar ao do bandido que faz concurso para polícia e daí em diante passa a defender os interesses dos criminosos. Faz parte dos regimes democráticos associar-se a uma opinião e debatê-la nos fóruns próprios, objetivando buscar uma melhor forma de administrar o destino da sociedade. E a informação é o melhor combustível para manter esse debate dentro de um mínimo razoável de intelectualidade. No entanto, quando a informação é manipulada por esses pequenos grupos, representantes dos grandes conglomerados econômicos, esse combustível torna-se uma arma, com conseqüentes danos quase irreparáveis para a sociedade.

É o quadro do Brasil de hoje, cujo governo dito popular encontra dificuldades em implantar seu programa, minado pela desinformação dos ditos grupos. O que tenho feito, meus caros, é usar o mesmo remédio. Onde tenho acesso, seja na família, no trabalho, na internet, na universidade, ou aos meus alunos, procuro "lavar a cara" dessa gente, mostrando sua real face. Veja, Folha, Globo e outros do gênero são alvo de minha contra-propaganda ininterrupta. E tenho obtido bons resultados. Sabe aquela história da ave querendo apagar o incêndio? Estou fazendo a minha parte.

Alexandre Carlos Aguiar, biólogo

 

Talvez ela tenha razão

Eu já fui um consumidor diário de jornais. Depois de passar a comprar apenas aos domingos, deixei de comprar definitivamente. Não existe "jornalão" brasileiro confiável, revista semanal tampouco. Agora minha fonte de informação é exclusivamente a internet. A frustração de ler uma matéria mal feita é menor, eu só perco alguns segundos e não alguns reais. Toda segunda-feira dou uma olhadinha nas revistas semanais, principalmente na Veja, para ver o lixo jornalístico que a classe média do Brasil anda consumindo. Escolho algumas matérias e paro quando minha irritação chega ao limite: ultimamente estou me irritando muito rápido.

Semana passada, logo na primeira página da edição online me deparo com a seguinte manchete: "País das oportunidades – Em comparação com 19 países, o Brasil foi apontado como o de maior mobilidade social do mundo." Será que é isso? Basta comparar o Brasil com a enorme quantidade de 19 países numa coisa razoavelmente complexa que é a mobilidade social e pode-se afirmar que o país é o melhor do mundo nesse item? Comecei a ler a matéria para saber mais detalhes sobre a pesquisa, e depois de alguns "cases" de sucesso me senti ligeiramente irritado. Onde estão os dados dessa pesquisa internacional? Bom, talvez só estejam disponíveis na edição escrita, como não vou comprar a revista vou ficar sem saber.

Vou para a segunda matéria: "O tamanho do antiamericanismo". Nessa, sim, consegui obter alguns míseros detalhes; não muito, mas obter informações na Veja é uma coisa muito rara. A análise da revista: "‘Nós criticamos aquilo que desejamos ser e não conseguimos. Temos de colocar a culpa em alguém’, interpreta Reginaldo Nasser, coordenador do curso de Relações Internacionais da PUC-SP".

Segundo esse "especialista", a razão para 66% dos brasileiros terem uma visão negativa dos EUA é uma mistura de inveja com o nosso complexo de vira-latas. Para uma revista que acha que os milhões de pacifistas que foram para as ruas protestar contra uma guerra (invasão) criminosa são "ingênuos", essa tese deve ser a mais absoluta verdade.

Finalmente o porquê de tamanho sacrilégio que é não adorar o Tio Sam (para a Veja, quem não gosta dos EUA é um idiota): "Música, cinema, jeans, fast food e seriados de televisão americanos têm público cativo no Brasil – mas quando se vê diante do entrevistador a maioria dos brasileiros opta por dizer que não gosta das roupas, das bebidas e da comida americana. Uma coisa é aquilo que os brasileiros fazem. Outra é o que falam".

Que ótima desculpa para os nossos políticos! Nas próximas eleições, o que estiver em último lugar nas pesquisas eleitorais vai usar o seguinte argumento: "Na verdade estou em primeiro, essas pesquisas não refletem a realidade. Acontece que brasileiro mente muito pra entrevistador".

Minha irritação chegou ao limite. Não vou ler mais essa edição. Definitivamente, a Veja deve achar que os seus leitores pagantes são um bando de imbecis. Talvez ela tenha razão.

Paulo de Tarso Neves Junior, engenheiro

 

Abuso de direitos

Não defendo e nunca defendi qualquer agressão à ordem jurídica. Boa ou má, é ela que, efetivamente, garante que até mesmo o Demônio pode merecer defesa e ter reconhecidos seus direitos, sob pena de os próprios homens de bem não estarem seguros de que seus direitos serão protegidos mais tarde. Por tal razão, quando se aponta para as invasões feitas pelo MST como infringência à lei, mas se considera como legítimo direito de resistência o plantio ilegal de transgênicos e ainda se aponta para a justeza da revolta quando se bombardeou o governador do Rio Grande do Sul com ovos e outros objetos em virtude da saída da Ford em 1999, vê-se que o parâmetro de "lei e ordem" não é exatamente a ordem jurídica, mas sim a posição ocupada por aquele que pratica a conduta.

Explicando melhor: conforme o posicionamento ideológico e social do protagonista do fato, temos "baderna" ou "protesto", temos "ilegalidade" ou "resistência legítima". Trata-se não apenas de formar opinião, mas principalmente de induzir comportamentos, o que, por si só, é extraordinariamente grave, manipulação da própria capacidade de autodeterminação das pessoas justamente por quem se considera o veículo principal da liberdade de expressão do pensamento. O que disse George Orwell a respeito do comportamento da mídia durante a Guerra Civil Espanhola vale ainda hoje: "Foi na Espanha que, pela primeira vez, pude observar relatos jornalísticos que não possuíam qualquer relação com os fatos, nem mesmo aquela relação que fica implicada numa mentira comum. (...) Na verdade, vi a história sendo escrita não em virtude do que acontecera, mas do que deveria ter acontecido, de acordo com as diversas ‘linhas partidárias'" (Lutando na Espanha e recordando a Guerra Civil, trad. Afonso Blacheyre, Porto Alegre/Rio de Janeiro, Globo, 1986, p. 255).

Tudo isso estou dizendo para recordar o seguinte: não há, em princípio, nenhum direito que não seja suscetível de abuso. E o abuso de direito é uma das modalidades de ilícito (isto já faz parte do patrimônio da doutrina civilística desde o fim do século 19 e início do século 20, como se pode ver em Clóvis Bevilaqua, Carvalho Santos, Serpa Lopes, com o que não se está a inventar "tese nova e esdrúxula", para se utilizar uma desqualificação comum no meio jurídico).

Se, eventualmente, pode existir abuso no exercício do protesto, também é possível que exista abuso no exercício do direito de propriedade. E nada justifica que se enfatize tanto o abuso no caso daquele, quando os abusos em relação a este são considerados como naturais, quando não se faz simplesmente silêncio a seu respeito. Faço questão de deixar registrado que não estou me prendendo a circunstâncias do caso concreto, que está sendo objeto de apuração pela autoridade competente para tanto, mas falando em tese.

Ricardo Antônio Lucas Camargo, advogado em Porto Alegre

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Linguagem truculenta – Dioclécio Luz

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