LEITURAS DA FOLHA
Uma bobeirinha
Pérola de hoje (17/8/2003), seção Erramos, da sempre bem-informada Folha de S. Paulo:
"O título da reportagem ‘Unibanco ganha R$ 491 bi com tarifa e seguro’ (Dinheiro, pág. B2, 15/8) estava errado. Conforme descreve acertadamente o texto, o banco lucrou no primeiro semestre R$ 490,81 milhões."
Eles erraram na parte mais visível do texto – a chamada –, uma bobeirinha de R$ 489,5 bilhões. Enfim, uma miséria. A chamada fica na primeira página, letra grande. A seção Erramos dentro, letra pequena, no cantinho.
Gustavo Barreto
MÍDIA & EDUCAÇÃO
Um quando distante
Muito bom o artigo de Deonísio da Silva. Sou professora e sei bem do que ele fala. Mesmo assim, espero sinceramente e tento colaborar no sentido de tentarmos mudar essa situação. Por isso nossa opinião deve ser sempre declarada para que mostremos a todos o que acontece, não deixando cair no esquecimento questões tão sérias. Num país que se diz em desenvolvimento, quando a educação vai desenvolver e quando os professores terão salários dignos e reconhecimento?
Adriana Hoffmann Fernandes
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Bem treinado
Paulo Renato, como todo bom político brasileiro, acertou em se tratando de um país de 500 anos chamado Brasil. E é verdade que para isso são treinados os políticos aqui na nossa terrinha. Para dificultar o acesso à informação e à educação, não é verdade? Já pensou quando os jovens tiverem novamente perspectivas de trabalho e educação? Haverá maiores cobranças e o país pode até avançar. Óbvio que nem pensar nessa possibilidade, pois a meia dúzia desse 1% que controla tudo e todos nesse país perderiam dinheiro. Até esse desemprego inventado, num país com somente 500 anos (em que está tudo por fazer, não pode se conceber a idéia de desemprego), seria desmascarado.
Bem, de acordo com essa "escola", quanto menos pagar e mais dilapidar o ensino no Brasil mais tempo "eles" manter-se-ão no poder. Foi assim organizada a classe dominante aqui na República das Bananas, não foi? Mas agora existe um fato novo que talvez mude alguns aspectos. As cotas para negros nas universidades públicas. O Brasil é tão racista, e conseqüentemente os meios de comunicação também (que aliás estão nas mãos dessa classe dominante), que em várias palestras com reitores aqui no RJ já se fala na melhoria do ensino universitário. Como os "Paulos Renatos" e outros expoentes desse amargo quadro político brasileiro vão querer valorizar as universidades para excluírem o negro, que é a maioria da população desse país, do acesso a esse ensino.
Mas nos resta um consolo: posso constatar isso pela geografia privilegiada do RJ. Aqui estamos em qualquer bairro, com exceção da Baixada Fluminense, cercados por favelas, mesmo nos bairros mais "classe média". E eu tenho a satisfação de constatar que quem sobe as favelas para comprar drogas são os filhos dessa classe dominante. E são muitos, tanto rapazes como garotas. Vejo também que eles dominam o roubo de veículos aqui na cidade. Há também os rapazes brancos de classe média que ilustram por muitas vezes o noticiário policial trabalhando para a "Firma" – empresa que contrata jovens de classe média nas universidades para roubos e outros ramos ilícitos. Somados à baixa estima desses professores universitários, só posso concluir que esse país é mesmo uma festa! Estamos num "ou vai ou racha"!
Miriam Oliver, webdesigner
MÍDIA & SAÚDE
Viagra, perigos e risos
Realmente, divulgação científica, em especial na área da medicina, merece todos os cuidados – e se possível for, mais alguns. Matérias que envolvem aspectos relativos à função ou disfunção sexual, então, têm ampla possibilidade de cair no mais absoluto ridículo. Receitas prontas não existem, mas certos caminhos são fundamentais: confiabilidade e isenção da fonte – ouvir pessoas de instituições de respeito, universitárias ou não, públicas ou privadas, é fundamental: é a aplicação da ética na divulgação da assuntos médicos.
Confiar em quem apresenta o chamado "conflito de interesses", que obrigatoriamente tem que ser declarado nas publicações científicas sob penas severas, como a de nunca mais poder colocar seus papers em revistas indexadas e que prestem, é altamente perigoso. O mesmo vale para seguros geradores de tais conflitos, como a indústria farmacêutica, fabricantes de materiais médico-hospitalares e qualquer pessoa física ou jurídica que aponte o menor sinal de mercantilismo. Em meus 22 anos de vivencia da medicina já pude "sentir", com toda a convicção, matérias sobre os mais variados assuntos médicos em publicações importantes que seguramente tinham por trás um interesse, por exemplo de um fabricante de medicamentos. Não é exatamente o costume da Folha de S.Paulo trilhar por essa perigosa senda, mas na matéria apontada sobre Viagra e medicamentos sucedâneos fica muito difícil deixar de pensar na isenção, no próprio Manual de Redação do jornal e, evidentemente, acabou se tornando um bom motivo de riso para as leitoras. Faz falta um José Reis...
Celio Levyman, mestre em Neurologia pela Escola Paulista de Medicina
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