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TERRORISMO NOS EUA
Cortina de fumaça
Tenho andando assustada com o que tem se veiculado na imprensa sobre a tragédia dos EUA. Um dos pontos que quero colocar é a absurda quantidade de estereótipos envolvidos na trama. Os palestinos estão sendo chamados de "culpados" e estão sendo prejulgados. Como mostra reportagem da revista Época, em sua edição extra, a chamada no site <www.epoca.com.br> é: "Terrorismo: o perfil dos grupos suspeitos de terem cometido a barbárie em Manhattan". O início da matéria diz: "A exemplo das novelas policiais, em que o suspeito é sempre o mordomo, os árabes são os culpados por todo ato de terrorismo internacional até prova em contrário". Mas não foi só a Época que cometeu esse deslize. Incontáveis foram as emissoras de televisão, como também os jornais Folha de S.Paulo e Estado de S.Paulo, que mostraram os palestinos festejando.
Mas os jornalistas não prestaram atenção em que se tratava de apenas um grupo minoritário, de cerca de 15 pessoas. Enfim, o número não vem ao caso, mas o erro é que a imprensa tratou com generalidade, disse que todos os palestinos estavam festejando, e não explicou o contexto no qual a imagem estava inserida.
Outro ponto a ser discutido é que pouco se apurou a respeito da tragédia. Os profissionais das emissoras estavam desarmados de informações e apareciam atônitos diante das câmeras. Foi o caso, por exemplo, do apresentador Carlos Nascimento, da TV Globo, que não tinha informações precisas a passar e ficava "batendo papo" com a outra jornalista, Ana Paula Padrão, que somente estava transmitindo o acontecido por ter sido correspondente internacional em Nova York. (aliás, os correspondentes da Globo, como a repórter Heloísa Vilhena, estavam completamente despreparados para entrar no ar. Ela gaguejava e não dispunha de informações precisas).
Mas a falta de informação também se deve ao fato de que houve uma censura consciente. Os militares americanos não queriam passar determinadas informações (a CNN, por exemplo, à qual ficamos presos, numa transmissão repleta de ruídos e cortes de imagens mais fortes (sobre esse assunto, o Estado publicou no caderno internacional reportagem intitulada "Canais americanos não levaram ao ar as "piores" imagens".
Por fim, gostaria de dizer que essa tragédia foi inédita diante de um aspecto que as publicações impressas não abordaram: a cobertura foi ao vivo. Nós, brasileiros, víamos as imagens no mesmo instante em que o presidente George W. Bush as via. Por ter sido a cobertura ao vivo, isso propiciou que a televisão transmitisse um espetáculo, que muito se pareceu com imagens de um filme de ficção. A linha entre realidade e ficção dos filmes hollywoodianos foi muito tênue. Foi como se os nova-iorquinos estivessem personificados em estrelas de cinema. Nas telas da televisão aparecia apenas fumaça, que não nos permitia visualizar as pessoas gritando, o sofrimento, o desespero e tão pouco o sangue.
Não foi como na Guerra do Golfo, que aconteceu à noite, quase não havia telespectadores acordados. A tragédia teve público, mocinho e bandido, ingredientes para um bom filme de ação. Muito ficou encoberto pela cortina de fumaça, como o porquê de não estarem dando tanto enfoque ao avião que caiu na Pensilvânia ou, ainda, de tratar essa catástrofe como uma guerra entre o Bem (Estados Unidos) e o Mal (aparentemente desconhecido, mas alguns vilões eleitos). O que se sabe apenas é que segundo o presidente americano é uma questão de honra a retaliação. Vamos então caçar as bruxas...
Érica
do N. Souza, estudante
de Jornalismo
Corrente pela paz na rede
Por favor, assine petição pela paz em <http://home.uchicago.edu/~dhpicker/petition>, que apela aos líderes mundiais para que sejam sensatos e, se possível, pacíficos em sua resposta aos recentes ataques aos Estados Unidos. As assinaturas colocadas no site serão redirecionadas aos líderes em todo o planeta. É imperativo que sejamos rápidos, para evitar a guerra.
Waldemar
Reis

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