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Edição de Marinilda Carvalho

A Estácio de Sá virou mesmo o fenômeno deste fim de ano. O escândalo do vestibular de Direito, que aprovou um analfabeto em nono lugar, e as acefálicas declarações de seu fundador e presidente a respeito da educação e da pesquisa continuam repercutindo.

Nesta edição do Caderno do Leitor, um professor protesta contra o tratamento dado à escola pelo Observatório – que cumpriu seu dever de reproduzir as notícias que a própria universidade gerou. Uma futura aluna nos escreve também para dizer que a intenção da mídia tem sido manchar a imagem da instituição. É preciso discordar, com todo o respeito: João Uchôa Cavalcanti Netto é que se encarregou de poluir a imagem da escola que fundou.

Feliz Natal!



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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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ESTÁCIO DE SÁ
Nobel de Física para Uchôa

Por definição, densidade é a relação entre massa e volume de um determinado corpo. Ampliando a definição, poderíamos dizer que esta pessoa inculta chamada João Uchoa possui a maior densidade de ignorância que se pode atingir. Isto o habilita a concorrer ao Nobel de Física. Nunca li tanta bobagem. E o pior, bobagens proferidas por uma pessoa à frente de um império de educação. Sou obrigado a reconhecer, no entanto, que ele é um dos poucos ignorantes que não ignoram a própria ignorância.

Deve ser uma virtude.

Estava aqui pensando. Quem sabe ele não estava se referindo à escola de samba quando falava de educação?

Carlos Gomes



Poupem a escola

Acho um absurdo colocar em toda a mídia o nome da faculdade. Isso poderia ter acontecido em qualquer outra. Acho que estão querendo manchar a imagem da Estácio.

Laura Lagoa, futura (2002) aluna da Estácio



Vestibular e Brizola

Se não me falha a memória, em 1984 prestei o vestibular da Estácio de Sá para cursar Direito, passei em 5º lugar. Não aceitaram minha matrícula pois deveria apresentar certificado de conclusão do 2º grau. Sendo francês e tendo estudado lá, levei meu Baccalauréat; me pediram ás 14h30, com prazo até 17h, um documento do consulado atestando que meu diploma correspondia ao referido certificado, embora eu explicasse que o serviço consular francês não atende ao público na parte da tarde.

De nada adiantou a carta enviada ao reitor, que sequer me respondeu; nesta carta, e é isto que interessa, eu protestava, como também enviei cópia ao JB, contra o tema da redação que considerei e ainda considero absolutamente antiético e inoportuno: Leonel Brizola. Isto é tema de redação? Independentemente da posição política que pudesse ter e naquela época tão conturbada da vida política do Rio que marcou sua virada social... para baixo.

Cyrille Meyer



Professor protesta

É de espantar a qualidade e o descaso jornalístico que o caso Estácio de Sá vem merecendo por parte do Observatório. Não estou aqui para defender o sistema de vestibular ou os critérios de acesso à referida universidade, nem tão pouco as opiniões emitidas pelo Sr. João Uchôa Cavalcanti (o fundador da Estácio).

Venho apenas mostrar o outro lado da moeda àqueles, ao que me parece, nunca entraram em um campus da Estácio. Leciono na referida universidade desde 1995, quando em conjunto com mais 5 professores obtivemos a oportunidade de montar e implementar o seu Curso de Arquitetura. Foi uma tarefa interessante e gratificante.

Interessante porque pudemos naquele momento revisar os problemas observados e vividos por nós (como alunos e posteriormente como professores) no ensino de Arquitetura carioca. Gratificante porque recebemos um surpreendente apoio em relação à qualidade de instalações, e conseqüentemente investimentos na montagem do curso.

Importante lembrar que naquele distante ano de 1995, computadores ainda não eram figura fácil em escolas de Arquitetura e ainda assim obtivemos carta branca para montar o que chamamos de Atelier de Arquitetura Contemporâneo, no qual cada aluno possui para seu uso exclusivo um conjunto de prancheta e um computador à sua disposição.

Nesse mesmo ano estive na Universidade de Columbia (NY) e para meu espanto pude verificar que nós (Estácio) estávamos à frente em termos de instalações.

Estranha-me o fato de que o que vocês chamam de "Fábrica de Diplomas" possa investir tanto em equipamento, softwares, hardwares. oficinas, teodolitos e etc. e por que não dizer: metragem quadrada. Basta lembrar de que um aluno em um Atelier de Arquitetura da Universidade Estácio de Sá ocupa (sem contar com os valores investidos em equipamentos) aproximadamente 4,5 m2, onde caberiam pelo menos 6 alunos de um curso com aulas baseadas em carteiras (sem dúvida – muito menos rentável).

Por que o McDonalds do Ensino se preocupa com estes detalhes?? Por que investe?? Não sei. Posso apenas pensar em um compromisso com a qualidade e, principalmente, respeito ao aluno.

Lembro que o nosso Curso de Arquitetura foi o primeiro a ser avaliado de acordo com as novas regras de avaliação (para Arquitetura) do MEC. De acordo com a comissão, nos transformamos no Curso Padrão para a alavancagem do ensino de Arquitetura do país.

Nossos alunos obtiveram prêmios em sua primeira participação em concursos para estudantes no IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil – Rio de Janeiro). Minha orientanda de Projeto Final de Graduação obteve Grau 10 em sua banca de análise final (formada por professores da UFRJ). Reciprocamente, nós da Estácio também retribuímos a gentileza como avaliadores externos dos alunos da UFRJ (bancas), sempre promovendo este intercâmbio.

Neste momento, um de nossos professores está passando uma temporada em Paris, por conta de seu doutorado na Sorbonne. Em parte com apoio financeiro da Estácio (!!!!).

Dentro do meu campo de conhecimento da universidade, sei que outros cursos também recebem investimentos similares. Basta visitar. Não temos a pretensão de nos autoproclamar como o número um dos cursos de Arquitetura, porém é fato que estamos em um ótimo nível.

Por fim, considero-me satisfeito em fazer parte da equipe e ver os primeiros frutos deste jovem curso serem colhidos. Recomendo aos críticos uma visita a qualquer campus da universidade. Os acompanharei com prazer e assim aferir o que realmente acontece.

PS. Não citei os nomes dos professores porque não os consultei previamente.

PS 1. Este mail é uma iniciativa puramente pessoal, não representando a posição oficial da instituição. Grato pela atenção dispensada.

Carlos Murdoch Fernandes, professor do Curso de Arquitetura da Universidade Estácio de Sá



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