|
DIPLOMA EM XEQUE
Circo vicioso
É absurda esta situação em que, de um lado, as faculdades ganham rios de dinheiro (cerca de R$ 20 mil ao longo de cinco anos é quanto uma pessoa gasta em média para concluir um curso, englobados aí mensalidades, passagem, livros, cópias, alimentação etc.) mantendo os cursos de graduação em Jornalismo; de outro, os artistas globais e outros nem tanto fazendo as vezes de repórteres. Como essa garotada vai competir com rostos famosos? E o Sindicato dos Artistas mantém uma pressão grande, impedindo que os não-regulamentados atuem em dramaturgia. Por outro lado, invadem sistematicamente a seara alheia. Ou se fiscaliza – e se mantém o diploma – ou de uma vez por todas rui logo este circo, na verdade um ciclo vicioso.
Quem vai ter coragem de acabar com os cursos superiores em Jornalismo? Acredito que o futuro reservará às empresas, em todos os setores, o papel de informadora, de apresentação da cultura, cabendo às universidades o papel – não menos importante – de transmitir o legado cultural que a práxis do dia-a-dia não permite. Esta conjugação será vital, independentemente de certificados, cuja discussão é outra. No caso presente, repito: o fim imediato do canudo ou – a prevalecer o que está escrito – a fiscalização rígida.
Orlando Lemos
O aluno é que não aproveita
Concordo com o ponto de vista de Claudio Julio Tognolli sobre a importância da linguagem para quem vive nos dias de hoje, como se diz, inundado por imagens e ícones tendenciosos. Mas faço uma ressalva: sou estudante de Jornalismo da PUC-RS e geralmente não concordo com a defesa que a maioria dos jornalistas que escrevem para o Observatório faz em prol de um "jornalismo de competentes", pretendendo suprimir ou minimizar o fato de alguém ter cursado uma faculdade. E digo isso porque o principal argumento usado é que os cursos de Jornalismo detêm-se mais na prática do que na reflexão. Penso que isso esteja um tanto equivocado. Só para se ter uma idéia, dos mais de 24 créditos que faço neste quarto semestre, cerca de 14 estão relacionados a matérias que disponibilizam profundas reflexões. Matérias como "História do Pensamento Político", "Realidade Socioeconômica e Política Brasileira", "Cultura Brasileira" e "Sociologia da Comunicação" são alguns exemplos de cadeiras "pensantes".
Deste modo, acredito que o enfoque das discussões está equivocado. A pergunta mais pertinente que deve ser feita é: os estudantes de Jornalismo estão aproveitando de maneira satisfatória o que seus cursos disponibilizam?
Leandro Demori
Leia também
O espírito de uma época – Entrevista de Claudio Julio Tognolli a Luiz Egypto
Absurdo mal-intencionado
Até que enfim começamos a discutir este absurdo que impera no Brasil. A exigência de formação acadêmica para determinadas profissões técnicas faz sentido, mas que exijam formação em jornalismo para poder informar as pessoas é mais que um absurdo, é um absurdo mal-intencionado. Eu vivo na Espanha já faz uns 5 anos e tenho o prazer de ler um dos jornais mais bem feitos do mundo, El País. A proibição que impera no Brasil é antidemocrática, pois impede uma pessoa de expressar sua opinião num meio de comunicação por não haver cursado uma faculdade não-técnica.
O que se aprende em Jornalismo que transforma tanto uma pessoa ao ponto de ser a única "suficientemente" preparada para falar de todos os assuntos, com mais propriedade que um especialista?
Uma salva de palmas para esse juiz que deu o primeiro passo para acabar com esta estrutura fascista que impera na imprensa brasileira.
Fabiana Barile
|
|