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ARTIGO 222
Dúvidas de um jovem brasileiro
Seja como estudante, como jovem ou como cidadão, tenho a obrigação de abraçar a bandeira do OI, desfraldando a luta pela ética, a transparência e a democracia nos órgãos de comunicação. Mas algumas questões me afligem.
No momento em que se discute a abertura das empresas jornalísticas ao capital estrangeiro, além dos muitos prejuízos apontados em termos de qualidade, concorrência e soberania, me preocupo deveras com o problema das pautas. Como garantir quais interesses nortearão as editorias, uma vez que nem mesmo com 100% de acionistas brasileiros nos é apresentado um conteúdo, não digo nem de excelência, mas ao menos digno e verdadeiro?
Projeto próprio para o Brasil, menos submissão aos ditames externos, comprometimento social; como pensar nestes assuntos, em termos de mídia, daqui para a frente?
Será exagero dizer que há censura prévia quanto às informações recebidas sobre o quadro atual da situação argentina, por exemplo? A agonia de um povo é tratada com a frieza dos números e coberturas que parecem apenas ser um jogo de estatísticas. Por que não apresentam as mobilizações, os protestos, os resultados, os efeitos reais do modelo que vige lá como cá? Medo da influência?
Sinto enorme decepção ao ver como a imprensa poderia contribuir para o crescimento deste país, exercendo de maneira efetiva um papel transformador, estimulando o progresso, não apenas de suas cifras e elites, a custo da alienação alheia, mas sim deste potencial e possível Brasil!
Raphael Ramos Monteiro de Souza, Rio de Janeiro, 20 anos
O LIBERAL
O Amazonas não é diferente
Meu caro Lúcio Flávio, o Pará não difere do Amazonas ao tratar de modo hiperbólico e superlativo o sentimento de inferioridade que se abateu sobre nós desde a queda do ciclo da borracha. Aqui na taba baré é comum letrados e iletrados lembrarem a toda hora que temos o maior rio do mundo, o mais belo teatro do país, a maior floresta equatorial do planeta etc., numa tentativa canhestra de tapar o Sol com a peneira, tal como os Maiorana, ridiculamente, desinformam o público com números astronômicos sobre o universo dos seus leitores. Faltou-lhes a coragem de assumir numa manchete a propaganda enganosa, tipo "Liberal, o maior jornal do mundo". Seria para rir e para chorar. Felizmente, sua análise crítica alerta o país de que o Sol não transformou em tacacá todos os cérebros amazônidas, como diria Márcio Souza ao denunciar o festival de besteiras que assolou e ainda assola a região.
Rogelio Casado
Leia também
A voz do dono, a palavra do jornal – Lúcio Flávio Pinto
PETER ARNETT
Qual é a de vocês?
Afinal, o Peter Arnett é um picareta ou uma vítima? Tempos atrás, o Alberto Dines no seu artigo "Peter Arnett, quem diria, acabou na Estácio de Sá", em outras palavras chamou o jornalista de picareta por apresentar uma reportagem falsa, fato que o levou a ser demitido da CNN. Agora, no artigo "Peter Arnett, esquecido velho de guerra", o articulista relata que ele agiu como, numa expressão grosseira, pau mandado na referida reportagem, lendo o que a emissora mandou, sendo demitido injustamente. Qual é a história verdadeira?
Teresa Silva
Nota do OI: A prezada leitora fez uma pequena confusão: o artigo de Alberto Dines lembra apenas que Arnett não era o único correspondente em Bagdá durante a Guerra do Golfo, como apregoou até ser desmascarado por um jornalista espanhol que também estava lá. A opinião de que a demissão posterior do jornalista foi injusta é de Jim Rutenberg, no The New York Times, que reproduzimos na seção Monitor. Ver links abaixo para os dois artigos.
Leia também
Peter Arnett, quem diria, acabou na Estácio de Sá – Alberto Dines
Esquecido velho de guerra – Monitor (rolar a página)
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