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SÃO JANUÁRIO
Digestão difícil
É verdade. Em São Januário havia torcedores demais. Uma grande falha que, por diversas razões, sempre foi difícil de ser evitada em jogos decisivos. Entretanto, se a grade não desabasse aí é que as conseqüências poderiam, realmente, ter sido sérias. Contei doze ambulâncias, vários helicópteros e um contigente policial como nunca vi nem no Maracanã. Na queima de fogos, em Copacabana, houve mortos, feridos e reclamações sobre o atendimento médico. No também recente incêndio do Xuxa Park – com crianças criminosamente aglomeradas em estúdio repleto de material inflamável –, muitos feridos encontram-se ainda em estado grave.
Já vimos inúmeras imagens e relatos de sérios acidentes em estádios de futebol, pelo mundo afora, inclusive no Maracanã, e com muitas vítimas fatais, sem a dimensão exagerada que a imprensa insiste em imputar ao episódio ocorrido no excelente estádio do Vasco. Em relação aos fatos de São Januário, a TV, em geral, repetiu, à exaustão, cenas – dolosamente editadas – da movimentação da massa de torcedores por ocasião da (providencial) queda da grade, criando uma imagem dantesca que, na realidade, nunca existiu!
Por tudo isso, creio que, insistir em chamar os acontecimentos de São Januário de "tragédia", num exercício de represália contra seu atual presidente (que pode ser polêmico, antipático e mal-educado, porém muitíssimo eficiente, competente e trabalhador) visa, nitidamente, diminuir o valor das inúmeras conquistas do C.R. Vasco da Gama no ano de 2000, conquistas estas que considerável parte da imprensa, vergonhosamente comprometida e parcial, não consegue digerir.
José Morais, Leblon, Rio
Tragédias e coberturas
Venho aproveitar este espaço para fazer alguns comentários a respeito de coberturas feitas pela imprensa de diversos fatos ocorridos no RJ nos últimos dias.
1. São Januário e Eurico Miranda;
2. Fogos de final de ano, em Copacabana;
3. Incêndio no estúdio do Xuxa Park.
Foram 3 casos graves com diversas pessoas feridas e um morto, e estes números poderiam ter sido muito maiores. Porém, percebemos que a maior divulgação e até mesmo a maior cobrança se limitou ao ocorrido no estádio do Vasco, em São Januário.
Será que isto se deve ao comportamento do Sr Eurico Miranda, que por diversas vezes se atrita com a imprensa, seja proibindo entrevistas dos atletas do Vasco ou a presença de rádios no estádio ou ainda a entrada de determinados jornalistas em São Januário? Ou será, como querem dar a entender, que a imprensa quer apenas a "moralização" do futebol brasileiro (poderiam sugerir às CPIs que investigassem as relações promíscuas entre "jornalistas" e suas empresas com clubes e dirigentes)? Seria o Sr Eurico o único mau elemento do futebol? O único responsável pelas confusões que ocorrem no nosso futebol? O único parlamentar que não respeita o decoro parlamentar ao chamar o governador do estado de "frouxo" (se tivesse chamado de ladrão, como o presidente do Congresso chamou um colega de tribuna seria condenado por jornalistas e deputados e senadores?).
No acidente de São Januário foram centenas de feridos (uma menina com gravidade). Na praia, não foram centenas, mas, ocorreu uma morte. No estúdio da Globo também não foram centenas, mas temos pelo menos duas pessoas com ferimentos gravíssimos. Mas, analisando-se os noticiários fico imaginando o que não estariam falando e escrevendo seus colegas se tivéssemos tido uma morte ou internação em CTI por diversos dias, no acidente de São Januário; acredito até que deve ter jornalista se lamentando por não terem ocorrido mortes em São Januário.
Em São Januário, diversas matérias induziam, com declarações do chefe da Polícia Civil, as vítimas a recorrerem a indenizações pelos ferimentos. Em São Januário, o Crea-RJ quis verificar as instalações do estádio. Porém, não tenho visto nada semelhante na cobertura da imprensa no incêndio na Globo. Será que as vítimas não merecem indenização só porque foram atendidas em hospital particular? Será que não é necessário vistoria do Crea só porque no dia a Globo já dizia que o incêndio teria sido causado por um curto circuito? Aliás, curto-circuito é "fatalidade", como tem sido tratado o assunto por outras redes de televisão? Fatalidade é cair um raio e incendiar o estúdio, e não curto-circuito, que está ligado a problemas nas instalações ou seu uso indevido (atenção, Crea). Será que até agora ninguém se interessou em saber se não existe imagem de outra câmera, além daquela liberada pela Globo? O programa é gravado com apenas uma câmera?
Resumindo, deve a imprensa tratar seus inimigos como inimigos ou como notícia? Deve a imprensa tratar seus ídolos como ídolos ou como notícia (nas primeiras matérias sobre o incêndio apareciam entrevistas dizendo que a Xuxa tirou as crianças, mas o que pôde ser visto mostrava Xuxa correndo, e só)? Por pior que seja o comportamento do Sr. Eurico Miranda, e, convenhamos, não é muito bom, não deveria a imprensa se aproveitar de um acidente para culpá-lo de qualquer forma. Afinal, qual foi a causa da queda do alambrado? Corrosão, briga na arquibancada, briga com pessoas armadas (como pode, Sr. governador?), excesso de lotação ou a presença do Sr. Eurico no gramado querendo a retirada das ambulâncias e dos feridos (?) do campo quando os responsáveis pela segurança já haviam declarado que seria reiniciado o jogo (Sr. governador, já demitiu estas pessoas?)?
Não vamos nem considerar a pressão do Sr Galvão Bueno durante a transmissão, principalmente quando foi inicialmente confirmada a retomada do jogo: já eram quase 18h. Pois tenho dúvidas se a Globo estava preocupada com sua programação ou se o Galvão tinha viagem marcada.
Portanto, façamos uma reflexão junto sobre o ocorrido e comparemos (principalmente isto) a cobertura do fato jornalístico São Januário com os demais.
Mario Vaz Morais
Envenenamento de mentes
Quem escreveu essa matéria é, no mínimo, mal-informado, se não for débil mental. Falar em tragédia de São Januário demonstra claramente o quanto de imbecilidade a mídia (Rede Globo) pode plantar nas melhores cabeças. Vivemos o mais completo envenenamento de mentes jamais visto desde Hitler, Goebbels e sua Alemanha nazista. Uma tragédia supõe sempre mortos e feridos com gravidade, além de prejuízos materiais: o que não aconteceu em absoluto em São Januário. O Sr. Eurico Miranda, apesar de não ser nenhum modelo de virtudes e de educação, até onde estou informado nada consta contra ele que o desabone. Compará-lo a PC Farias, Collor, Luiz Estevão, juiz Lalau e a outros grandes (e reconhecidamente) ladrões do dinheiro público demonstra a mais completa falta de miolo e bom senso. Eurico não ocupa (e nunca ocupou) cargo de direção no futebol carioca e brasileiro. Não pairam sobre ele quaisquer acusações, sejam bem ou mal fundamentadas. Então, por que esse linchamento?! Só porque ele é antipático, mal-educado e briga pelo clube que representa? Ora bolas, isso lá é motivo para compará-lo a facínoras e canalhas da pior espécie?
Luiz Simões
TV CULTURA
Faltou uma palavra
A palavra "cultura" não foi usada uma única vez sequer pelo presidente da Fundação Padre Anchieta, Jorge Cunha Lima, na entrevista de meia página em que falou à Folha sobre as atividades e o futuro da TV Cultura (ah, minto, ele falou várias vezes a palavra, quando tinha de se referir à "empresa" TV Cultura). Em compensação, a conversa foi recheada de palavras típicas de quem trata cultura em sua forma-mercadoria. O que se lê é uma enxurrada de palavras e expressões como "verba, dívidas, serviços privatizados, pagamentos, anunciantes, audiência, pesquisas qualitativas, mensagem publicitária, publicidade institucional, finalidade de lucro, patrocínios, departamento comercial, conquista de mercado, captação de publicidade, concorrência, 20% de comissão, despesa estrutural, situação financeira, possibilidade de arrecadar 5 milhões, nicho" e por aí vai.
Esta é a tucanakultura, é o discurso da submissão total ao mercado, é a cultural sendo destruída e adaptada ao sistema econômico internacional, que só tem o lucro como objetivo. A TV Cultura, que deve ter compromisso com criação, inovação e experimentalismo, hoje, segundo Cunha Lima, fica é realizando "pesquisas qualitativas para ver se o segmento (não se diz pessoa, gente ou povo, se diz segmento) gosta ou não da programação". Sendo pelo gosto do "segmento", a TV Cultura bem que podia fazer telenovela: a primeira-dama, dona Ruth, confessou à atriz Vera Fischer que não perde um capítulo das sagas globais. E este ministro da Cultura, Francisco Weffort, é uma prova de que o PT de oposição não tem nada. Integra o governo FHC e comunga integralmente o desprezo que os tucanos, a começar pelo presidente, nutrem pelo povo brasileiro e sua cultura. Lembro Glauber Rocha, que profeticamente anteviu, 20 anos atrás, que "o reinado do neoliberalismo iria transformar o povo brasileiro em escravo num país com 27 networks multinacionais".
Mirian Macedo, Morumbi, São Paulo, capital
DESRESPEITO
Leitor perdido
Emociona-me ver que o Brasil poderá ser um grande, de fato, um grande país. Se todos nós, cidadãos, ao nos sentirmos agredidos, violentados, enganados, fizéssemos o que o Sr. César está fazendo o país seria melhor. Nos Estados Unidos, cidadãos mudam a programação de uma emissora de TV, não permitem cenas de sexo, em programas de TV aberta.
Recentemente, a revista Playboy fez matéria longa com o famoso roqueiro marcelo d2 (letras minúsculas de propósito). A faixa etária do leitor desta revista é de 16 a 25 anos, segundo fiquei sabendo por amigos do mercado publicitário. Este público ainda é sensível ao apelo das drogas. Mandei e-mail à diretora de Redação e ao Sr. Richard Civita, e informei que era um absurdo, num país com tantos assuntos importantes, fazer propaganda de um drogado, era ridículo. Como ninguém teve a dignidade de me responder, estou tomando a atitude que me cabe.
Não renovo nenhuma assinatura que tenho das revistas da Abril: Veja, Marvel Comics, DC Comics e Playboy). Não é muito, mas é uma atitude.
Em solidariedade ao Sr. César, a partir de hoje o JB acaba de perder um leitor. Nunca mais lerei um jornal que não respeita leitores, e que tem profissionais que se acovardam, e respondem sem se identificar, e "diretores de redação" que se omitem. Acredito que a postura deste jornalista nos remete às atitudes que os antigos membros do CCC adoravam: se escondiam atrás do anonimato, pois não tinham coragem física de assumir nada.
Que saudade do antigo JB...
Mas resta uma certeza: esses veículos, jb, playboy (novamente minúsculas, de propósito), vivem de leitores, nós compramos as publicações e somos os meios para se vender a publicidade, e dos anúncios, ou seja, se faltar uma das partes eles poderão falir. No que me diz respeito, não mais farei parte dos leitores do jb e não renovarei as assinaturas da editora abril.
Editora Três, me aguarde, nasce um novo assinante da IstoÉ.
Sr. César, sua luta é justa, a Lei de Imprensa, no Brasil, só serve se atingir artistas (Glória Pires, Claudia Raia) ou políticos, nós não somos nada, AINDA. Mas, com sua luta e a de outros, nos faremos respeitar.
João Pereira
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