FESTINHAS E LANTEJOULAS
Campinas não é São Paulo
Lá pelos idos de 84 (acho) era eu professor de Jornalismo na PUC-Campinas e como tal participava do 1º Curso de Aperfeiçoamento para Professores de Jornalismo, promovido pela Editora Abril-Eca-USP. Lá naquele 20 anos atrás o colega, como parte do corpo de docentes do curso, já fazia pertinentes observações sobre os jornalões e a falta de uma cobertura mais localizada, do bairro, da rua, do vizinho...
Neste moderno 2004, em que um jipe americano fotografa o terreno de Marte, estou aqui novamente diante do mestre a vê-lo condenar o condenado. Como já concordava naquela época e continuo concordando resolvi colaborar. O colega mencionou o "tremeleque" do caderno Cotidiano da FSP. Aproveito para dizer que faz alguns anos venho implicando com esta empresa "jornalística" em função do caderno Folha Campinas. Assim denominado, parece que se destina a cobrir a cidade de mesmo nome e as cidades próximas. A leitura, entretanto, chega ao patético.
O mais engraçado do caderno é abri-lo, como fiz hoje (15/1/2004) e encontrar as seguintes noticias sobre o trânsito": Avenida Chedid Jafet tem novo trecho interditado" (ah, e com mapa e tudo); "Manutenção fecha o túnel Anhangabaú" (também com mapa). Como as duas situações apontadas estão na cidade de São Paulo, e não de Campinas, presumo que o editor acredita que muitos, mas muitos campineiros mesmo saiam diariamente de Campinas para São Paulo e, portanto, decidiu avisá-los das interdições. Já na página C4, a manchete é "Israel pagou transplante ilegal, diz ex-oficial". A matéria é assinada por Fábio Guibu, da Agência Folha de Recife. Ainda na mesma páginas matéria do Rio de Janeiro. Nas páginas seguintes, sob o mesmo cabeçalho de Campinas, estão matérias sobre Ribeirão Preto, Franca, São José dos Campos, Brasília e até Nova York. Ah, claro, a matéria sobre a prisão do piloto da American Airlines também está no caderno Campinas, assinada por Alessandro Silva e Caio Junqueira – da Reportagem Local.
É ou não para rir e gargalhar da edição? Os jornalistas assinam "da reportagem local" no caderno Folha Campinas, mas são, na verdade, de São Paulo, onde fizeram a matéria. Até o necrológico da Folha Campinas é curioso. Ao pé da página C8 ele indica a morte de cinco pessoas em Campinas e 15 em São Paulo. Os 10 avisos de missas são todos de São Paulo. Vai ver que os mortos e as missas são de conhecidos de campineiros e, por isso, o editor resolveu incluir no caderno Folha Campinas. Ah, felizmente, hoje este serviço omite as informações sobre como proceder em caso de morte. Já vi, inúmeras vezes, o caderno Folha Campinas orientar seus leitores a procurarem, em caso de morte, o serviço funerário de São Paulo, informando com detalhes endereços, telefones e pessoas responsáveis. Tudo em São Paulo.
Caro Alberto Dines, espero que a sua (e minha ) luta por um jornalismo mais "local" não seja em vão!
Gilberto Gonçalves, jornalista, Campinas, SP
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MUDANÇAS NA ANATEL
Existe jornal independente?
Poucos são os jornalistas que, ao "informar", não tomam partido na análise da informação. Percebe-se muito isso em quase todos os jornais. Isso é típico principalmente Nos jornalistas da Globo. Se o jornalista dá a informação ouvindo somente um lado da notícia ou um especialista em análise, pergunta-se: ele tem ética? Esse repórter deveria pular para uma coluna, e aí sim, colocar sua opinião. Muitos colocam opiniões todos os dias nas páginas, e o leitor mais astuto percebe que não são deles, mas da linha editorial do jornal.
Uma pergunta, que eu não saberia responder: existem jornais independentes no Brasil? Ou que pelo menos não dependam dos órgãos públicos para sobreviver? O que se observa é que a maioria é da linha do governo FHC, isto é, defendem o modelo econômico vigente.
Karla Andreia
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