CRISE EM RORAIMA
Outra violência
É lamentável realmente a cobertura da mídia no caso dos conflitos envolvendo índios e brancos, tanto em Mato Grosso do Sul como em Roraima. Mais complicado ainda é o surgimento de "sábios" como Ulisses Capozzoli, de que jornalistas não conhecem os índios, não sabem das ações bárbaras de que foram vítimas no passado. Sem considerarmos os 400 anos após a chegada da comitiva liderada por Pedro Álvares Cabral, vale a pena analisar o que aconteceu no século passado, quando populações indígenas foram confinadas em pequenas extensões de terras.
Na época, apoiados pela Igreja, pelo governo e pela elite, grandes produtores rurais comandaram a política de redução das reservas indígenas a pequenos guetos. Assim aconteceu em Japorã, Sidrolândia, Paranhos, Dourados, Ponta-Porã, todas em Mato Grosso do Sul, e em Roraima. Na época, a Funai, a mesma que incentiva as invasões, colocava os índios em caminhões e os transportava até a aldeia.
Ou seja, na época, uma injustiça foi cometida, que merece ser corrigida atualmente. Mas não, a justiça não pode ser feita com outra violência, quando os índios invadem propriedades, destroem plantações, expulsam produtores e suas famílias. Hoje, redimida dos seus pecados, a Igreja Católica, através do Cimi, dá pleno apoio às ações bárbaras dos índios. A mesma posição adota a Funai, que até incentiva as ocupações, já que não dispõe de recursos para pagar as migalhas pelas benfeitorias, como prevê a Constituição Federal, afinal, terras indígenas são da União.
Conheço pequenos produtores, gente miserável, que vive da venda de ovos das galinhas criadas no terreiro e do leite produzido pelo gado no pasto. Homens pobres, que, quando muito, dependem de programas sociais ou de aposentadoria para sobreviver. Eles perderam tudo com as ocupações realizadas pelos índios, com apoio de Igreja, Funai e governo.
Atualmente, vejo que estamos cometendo outra violência ao despejar os brancos para dar terras aos índios. São famílias inteiras que estão acampadas às margens da rodovia, em Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti, sobrevivendo de doações, porque foram expulsas de suas propriedades. Não são empresas nem grandes produtores os alvos dos índios, mas homens que compraram as terras na década de 60, talvez dos exploradores do início do século, que tiveram o apoio de todos. Falta responsabilidade do governo Lula, dos estados, dos jornalistas, da Polícia Federal, da Igreja e dos órgãos públicos na condução da questão.
Será tão difícil se fazer justiça no Brasil, dando vida digna a quem investiu uma vida (foram 20, 30, 50, 60, 80 anos) num pedaço de terra e dar a área reivindicada pelos índios? É necessário achincalhar direitos e destruir sonhos, como quer o senhor ministro Márcio Thomaz Bastos, para se fazer justiça? É preciso sempre matar alguém para dar vida a outro? Não existe lugar para todos, vítimas da irresponsabilidade do poder público? Até hoje, não vi a mídia nacional relatar o drama dos produtores rurais, grandes ou pequenos. Afinal, o assunto é tabu, porque o coitado na história só é o índio. Não podem ser os dois?
Edivaldo Fernandes Bitencourt, jornalista do Correio do Estado, Campo Grande, MS
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AMERICANOS FICHADOS
Omissão solene
No artigo "As digitais que falta tomar" [ver remissão abaixo], Luiz Weis analisa com precisão a omissão solene do governo brasileiro no caso do "fichamento de cidadãos americanos". Não fiquei sabendo, por exemplo, da posição do ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, ou do Itamarati. No sentido inverso, as condições que têm propiciado o recente fenômeno de emigração no Brasil precisam ser aprofundadas pela imprensa. À exceção de audiência realizada na Câmara dos Deputados, li pouquíssimas matérias sobre o assunto.
Nesse aspecto, penso que o governo brasileiro está passando batido. Para evitar o fluxo de brasileiros que diariamente tentam entrar clandestinamente nos EUA pelo México, o governo deveria promover investimentos nas regiões de origem desses conterrâneos, criando de fato alternativas para a geração de emprego e renda, além de assegurar condições dignas de vida para esse pessoal.
Oscar Fernandez Llorente, Ipatinga, MG
Para os invertebrados
Muito esclarecedor este artigo! Deveria ser mais divulgado, principalmente para aqueles invertebrados que falam tanto em perda de divisas, como se somente isto fosse importante. Aqui nos ensinaram a desrespeitar as leis, ou melhor, a acreditar que elas sejam aplicáveis somente ao povão. Os demais estão acima, pois têm um amigo importante no Judiciário, ou algum político influente.
Ines Nascimento
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As digitais que falta tomar – Luiz Weis