20/01/2004 5/6

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PLANETA
Jornalista centenária

Na sexta-feira, dia 16, o Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo trouxe, como sempre ocorre nas sextas, a crônica de Ignácio de Loyola Brandão. "Breves assuntos do cotidiano". É uma das especialidades do escritor, falar de coisas do dia-a-dia dando a elas uma abordagem incomum e, portanto, interessante. Lembro-me do livro O verde violentou o muro, que li e reli e de quando em quando dou uma olhada. Nessa crônica é citada a revista Planeta e a editora desta, Elsie Dubugras, que conheço há muito de nome, sem jamais tê-la encontrado.

Dona Elsie, como os colegas de trabalho a chamam, é uma jornalista especializada em temas esotéricos e coisas afins, como discos voadores, dimensões paralelas, fadas, elfos, duendes e quem sabe, economistas. Nada de novo, há muitos estudiosos do oculto que têm na revista uma fonte de consulta. O que é de ser notado é que em março próximo Elsie Dubugras completará 100 anos. Apesar da idade ela continua trabalhando diariamente, na redação! Deve ser um caso único no mundo, uma jornalista centenária em atividade. Quantas mudanças ela viu nesses 100 anos! Como deve ser rico o depoimento de uma pessoa que chega a um século de vida lúcida e produtiva. O fato deveria merecer a atenção de toda a imprensa.

Sidney Borges

 

DIRECTV-HBO
Demissão em massa de brasileiros

Desde a posse de Lula na Presidência da República temos visto, ao que transparece, serem gastos tempo e dinheiro público com objetivo de ajudar a Venezuela e o povo venezuelano. Até aí, nada demais, é muito louvável a solidariedade. Mas surge o questionamento acerca da gratidão dos venezuelanos ao povo brasileiro. O que se constata é o autêntico regime de terror que o grupo venezuelano que controla a HBO-Latin America tem implantado contra os brasileiros que trabalham na HBO-LA, sediada em Sunrise, Florida (EUA). Lembra um pouco a perseguição e o tratamento ignóbil dispensado a profissionais brasileiros em Portugal há alguns anos (especialmente aos dentistas), enquanto no Brasil os portugueses sempre foram e continuam sendo recebidos de braços abertos.

Somente neste início de janeiro já foram demitidos sem justa causa pela HBO-LA cerca de 45% dos empregados brasileiros e substituídos por venezuelanos; e, ao que corre à boca pequena, a idéia da HBO-LA seria demitir a totalidade dos brasileiros e substituí-los por venezuelanos, até o fim do primeiro semestre de 2004.

Quanta gratidão e reciprocidade dos venezuelanos, não é mesmo?

As promoções dos filmes exibidos pela HBO-LA em português serão feitas por venezuelanos que sequer sabem completar uma frase em português. Não restou na HBO-LA, por exemplo, sequer um editor de áudio que domine minimamente o idioma português. A Warner Bros, que é detentora de grande parte das ações da HBO-Latin America, por sua vez, permanece omissa diante dessa manifesta discriminação contra os brasileiros.

Pois bem, diante desses fatos, há de se perguntar ao presidente Lula e ao seu Partido dos Trabalhadores quais as medidas que o governo brasileiro e sua representação consular na Flórida tomarão, no sentido de buscar a devida reparação indenizatória para esses brasileiros vítimas de tão odiosa discriminação. O mínimo que se espera é que contratem um escritório de advocacia americano para assistir a esses brasileiros numa ação judicial contra a Warner Bros e a HBO; inclusive porque, para piorar a situação, os brasileiros que estão sendo demitidos em massa e sem justa causa estariam sendo, ao que se sabe, coagidos pelos "agradecidos" venezuelanos a assinar um documento de aviso de demissão num prazo máximo de 21 dias, no qual renunciam a quaisquer direitos trabalhistas pela rescisão imotivada de seus contratos de trabalho, sob pena de não receberem sequer os salários retidos, não obstante as empresas americanas, via de regra, pagarem aos empregados demitidos, a título de aviso prévio indenizado, um mês de salário por ano de serviço.

Por isso, também seria conveniente que o Ministério Público do Trabalho do Brasil enviasse à Florida, em missão especial, um procurador do Trabalho para acompanhar essas discriminações e atrocidades trabalhistas. Seria conveniente, ainda, que os sindicalistas brasileiros do ramo de cinema e vídeo também enviassem à Florida um representante. Também há de se questionar: que medidas políticas o governo Lula adotará junto ao governo venezuelano?

Eu, que sou assinante da DirectV e HBO, em protesto estarei cancelando minha assinatura. Creio que todo brasileiro deva fazer o mesmo e boicotar esses que discriminam os trabalhadores brasileiros.

Alvaro Rangel de Carvalho, advogado

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