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MÍDIA & CPMF
Cidadão em segundo plano

O Último Segundo noticiou em seu segmento de economia que "Sem CPMF, governo pode perder R$ 1,6 bi de arrecadação". Esclarece que, se a votação para a prorrogação de tal imposto não acontecer até o dia 18 de março (claro que por motivos políticos e interesses partidários) o governo perderá R$ 400 milhões por semana até a sua aprovação.

Refletindo um pouco sobre a maneira como esta breve notícia é apresentada aos leitores, percebe-se que a mídia eletrônica, bem como os jornais tradicionais, põe em foco a "perda" de arrecadação do governo (R$), mas pouco comenta que esse imposto (CPMF) torna-se aos poucos mais um imposto permanente, sendo prorrogado a cada ano, a cada vencimento de prazo e toda vez em que o governo necessita de verba.

A perda maior é, em verdade, do contribuinte, este sim sofre com a prorrogação da CPMF, quando o que lhe é subtraído (ou dir-se-ia confiscado?) não lhe é revertido ou empregado adequadamente e com transparência. O governo deixa de arrecadar, isto é certo, e depende dos interesses partidários (nem sempre lícitos) para fazer vigorar uma vez mais esse imposto, por isso abre negociação com os partidos, a fim de fazer prevalecer a sua vontade. Uns atacam a CPMF, outros defendem, tudo de acordo com as conveniências. Nesse panorama, às vezes, aparecem explicações esdrúxulas para a permanência e a votação urgente do imposto, como a alegação do presidente da Câmara, Aécio Neves, em entrevista à TV dias atrás, dizendo que poderia haver uma operação muito grande de lavagem de dinheiro no país se a votação não ocorresse.

Esquece-se o ilustre presidente que o Banco Central deve ou deveria ter meios de fiscalizar tais transações (ou será que ele não se lembra da votação da lei do sigilo bancário?). Os megainvestidores já estão isentos da CPMF em suas aplicações, o cidadão comum ainda é vítima das "vontades do poder". A mídia peca quando enfoca a perda de arrecadação como uma "responsabilidade do povo"; dá a impressão de que o cidadão está deixando de contribuir para o seu país, ajudando-o a prosperar. Peca, também, quando não esclarece devidamente como e onde estão sendo empregados os bilhões de reais arrecadados pela CPMF.

Afonso Caramano,São Paulo

 

ELEIÇÕES 2002
Jornalismo de ficção

Esse artigo é um primor, de uma lucidez e uma honestidade raras no jornalismo brasileiro. Parabéns pelo site, que nega o traço tantas vezes leviano da informação via internet.

Vera Artaxo,jornalista

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Quando o jornalismo político vira ficção– Antônio Lemos Augusto

 

MÍDIA CHAPA-BRANCA
Garotinho na mira

Gostei muito de seu artigo. É a mais pura e cruel verdade. Será que podemos fazer alguma coisa? Será possível vencer essa força tão poderosa da mídia comprada? Uma das coisas que mais me deixam angustiada é exatamente essa imprensa a serviço do todo-poderoso governo federal. Basta observar como foi o programa Roda Viva, quando José Serra era entrevistado. E, na semana seguinte, o governador Garotinho. O programa até mudou de formato, passou a ser um debate. Ou melhor, um massacre. Se o governador Garotinho não fosse esperto e paciente seria engolido vivo pelas feras, chamadas, hoje, de jornalistas "marrons" com todas as letras.

Essa emissora, por servir ao governo federal, persegue terrivelmente o Garotinho. E, de modo paradoxal, dá oportunidade aos petistas para estarem em seus programas a fim de soltar a língua ferina e atacar o governador. E o PT agradece, pois isso ele sabe fazer – discurso imbecil. Há uma orquestração bem-organizada para desmoralizar Garotinho.

Assim, estamos assistindo a essa imprensa hipócrita que esquece dos valores éticos, vendendo a alma ao diabo. Como mudar um país onde aqueles que deveriam nos ajudar somente atrapalham com seus comentários tendenciosos e com seus jogos de imagens perversas para desmoralizar quem, realmente, deseja mudar essa nação? A Sarney está sendo vítima porque também decidiu ser candidata. Embora ela mereça, estamos vendo um assalto imoral a sua família.

Ana Luback

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Jornalismo de Estado e a servidão induzida– Ivo Lucchesi

 

MÍDIA E DENGUE
Memória fraca e imediatismo

Em relação à matéria "Mídia trata dengue com dengos de sempre", acredito que algumas observações podem ser feitas. É importante salientar que os surtos de dengue não são um fato novo, contudo as campanhas feitas pela imprensa não se alteram. Não basta alertar a população apenas quando o primeiro caso é notificado, tem que se preparar a população para que novos casos não se repitam no futuro.

Isso evidência um característica da imprensa brasileira: ela se preocupa muito com o que ocorre no momento, porém esquece de alertar e se preocupar com problemas previsíveis, mas não imediatos. A mídia é efetiva quando se esforça numa campanha, mas ela esconde alguns fatos que poderiam evitar questões como a do racionamento de energia e a epidemia de dengue. Foi muito fácil incentivar a população a economizar energia e acabar com criadouro de larvas do mosquito transmissor da dengue, mas será que não é hora de os meios de comunicação cobrarem das autoridades atitudes para que surtos de dengue não se repitam no ano que vem, ou pelo menos que nenhuma vida seja perdida?

Enzo Kuratomi

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Mídia trata a dengue com os dengos de sempre– A.D.

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