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NOTICIÁRIO INTERNACIONAL
Americano vale mais que brasileiro?
Acredito que o jornalismo é uma profissão como qualquer outra. O fato de um correspondente de um jornal ter sido morto deveria ser encarado como acidente de trabalho. Apesar da frieza desta afirmação, acho que é importante ressaltar o número de pessoas mortas diariamente em conflitos na África e as lutas que ainda se seguirão no mundo. Apesar de a jornalista Cristiana Mesquita ter questionado em tom descontraído "Quantos jornais do mundo colocariam na primeira pagina o título ‘Jornalista brasileira é executada por extremistas no Paquistão’?", essa pergunta me levou a pensar: será que a vida de um americano vale mais que a de um brasileiro?
Enzo Kuratomi
Cristiana Mesquita responde
Prezado Enzo, concordo com sua afirmação de que as mortes de jornalistas nas coberturas de guerra não passam de acidentes de trabalho. No entanto, o caso Daniel Pearl não pode ser comparado ao de outros jornalistas – como os nove que morreram no Afeganistão. Estes foram atacados por bandidos ou atingidos por morteiros. Sem dúvida acidentes de trabalho, que não têm muita importância no contexto de uma guerra que mata centenas/milhares de civis. A diferença está no fato de Daniel Pearl ter sido usado como objeto de propaganda.
Pearl foi friamente executado como se fosse o verdadeiro inimigo daquele grupo de extremistas. Isso representa uma reviravolta e um risco que, nós jornalistas, não podemos
deixar de comentar e analisar.
Quanto ao seu estranhamento a minha declaração de que a morte de um jornalista brasileiro
não daria manchete de jornal, explico que isso não significa que a vida de um brasileiro seja menos importante que a de um americano. Significa apenas que a repercussão na imprensa , infelizmente, não é a mesma. Um abraço, Cristiana.
Objetividade, esse velho mito
O artigo da jornalista Cristiana Mesquita, apesar de apontar um verdadeiro problema do jornalismo contemporâneo, reafirma o velho mito da objetividade. Partindo de uma premissa verdadeira, o engajamento de jornalistas, mais especificamente de correspondentes internacionais, na política intervencionista americana, a missivista sugere como solução a "neutralidade", apenas o relato dos fatos tais como se apresentam. Ora, sabe-se que o próprio processo de apreensão dos fatos já é subjetivo, não havendo, portanto, possibilidade de um relato totalmente neutro.
A principal questão a discutir neste assunto é o papel das grandes corporações internacionais de mídia na defesa dos interesses de Washington e de setores conservadores dos EUA, como a indústria bélica.
Diego Barcelos da Cruz,estudante de Jornalismo Unesp-Bauru
Holocausto ignorado
Nos últimos meses temos assistido, de braços cruzados, assim como o restante do mundo, a um segundo holocausto. Um massacre tão vil e cruel como o causado pelo réu Slobodan Milosevic, mas que tem seu andamento quase que endossado pelos EUA. Falo sem dúvida do ditador israelense, Ariel Sharon. Armados de paus, pedras e bombas amarradas ao próprio corpo, um povo fraco, porém corajoso, luta contra os últimos lançamentos da indústria bélica. Tanques, aviões e mísseis contra paus e pedras. Justo? Alguns acham que não, embora esse não seja o caso do também ditador americano, George W. Bush. Não bastasse seu apoio ao genocídio na Palestina, a imprensa americana, com notícias como a divulgação de uma fita "desconhecida", exatamente seis meses após o atentado, e a "maravilhosa" novidade de hoje (publicada também pela Folha), em que os ingleses afirmam supor que Saddam Hussein está "perto" da bomba, tenta arranjar subterfúgios que justifiquem uma ação militar de proporções dantescas no Iraque.
O duo formado por estes países, EUA e Israel, herói e vítima do holocausto, não se submete a nenhum acordo, lei ou diplomacia vigente no mundo atual, como o Protocolo de Kioto ou a abertura de mercado, haja vista o protecionismo do aço.
Se eu fosse palestino, certamente soltaria fogos de artifício ao ver as torres gêmeas no chão.
Carlos Artur Matos,estudante de Jornalismo
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GLOBO & COPA
Limão sem limonada
Li o texto de Ivan Angelo no Entre Aspas, e concordo com a opinião dele. A Globo comprou os direitos de transmissão da Copa 2002 no Japão e na Coréia por algo em torno de US$ 200 milhões. Mas somente agora a emissora percebeu que terá prejuízo: as cotas de patrocínio foram vendidas por valor abaixo do esperado e ela não conseguiu repassar os direitos da transmissão para nenhuma outra emissora brasileira, mesmo após baixar o preço de US$ 50 milhões para US$ 15 milhões. A única interessada, a Record, considera esses US$ 15 milhões um dinheiro mal gasto para transmitir algo de madrugada.
Ou seja, a Globo agora se vê diante de uma obrigação quase impossível: tentar recuperar esse dinheiro gasto com uma grande audiência. É por isso que qualquer amistoso vira clássico mundial, qualquer jogador bom vira craque, a ponto de merecer discussões e elogios dos comentaristas esportivos, e qualquer noticiário torna-se um bom local para discutir coisas como a convocação ou não do jogador Romário. A Globo quer recuperar o atraso e nós, meros telespectadores, estamos sujeitos a assistir um jogo do nível Brasil x Islândia como se fosse final de Copa do Mundo.
Júlio Penariol
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"Rumo à Copa 2002"– Ivan Angelo
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