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TEXTO JORNALÍSTICO
Língua e bom humor
Deonísio está sempre bem-humorado e trata de temas atuais. A questão da língua é um adendo. Mas é difícil não mudarem a língua. Isso deve-se ao imaginário de língua única que o Deonísio tem para o Brasil. A maioria pensa assim. Foi nesse imaginário que nos tornamos independentes da língua de Portugal, e assim continua sendo a nossa relação com o Estado e com a Escola. O fato é que a língua muda, e Deonísio é um escritor muito exigente com as palavras. Mas fico por aqui, porque o que interessa é o seu sempre bom humor.
Soeli Maria Schreiber da Silva,professora-doutora
Língua e neologismos
Torço para que chegue o dia em que os problemas do jornalismo e das teses acadêmicas sejam as ocorrências de "a nível de", de "colocações" (uns não gostam, outros gostam, tanto que os usam tanto...) e de hífens inadequados, alguns à espera de uma lei que os tornem adequadíssimos. Torço, principalmente, para que os exemplos de problemas sejam multiplicados e adequadamente classificados, já que não se pode esperar que sejam explicados – uma língua pode falir mais facilmente por falta de idéias do que por solecismos...
Sobre a "bagunça dos neologismos": pode-se talvez ficar perdido entre os que acham que eles são uma prova de vitalidade da língua (o inglês é elogiadíssimo por tal característica) e os que imaginam que uma língua deve ser fixa (em que século ou década?) – ou que formas novas só valem se eles as inventarem. Aliás, acho os neologismos uma das maravilhas da língua – por seu lado gramatical e pelos efeitos de sentido que permitem captar (como entender tantas coisas sem "flexibilização" ou "empregabilidade"?).
Sobre botânica e jardinagem: tanto as sementes podem ser valiosas que há quem defenda as transgênicas...
Sírio Possenti
Língua e frescuras
Sou engenheiro civil e estive em Salvador fazendo curso de restauração numa turma de arquitetos. Era muito comum o uso de "quero fazer uma colocação" e "a nível de", ou ainda a palavra "gramática" como sinônimo de assunto ou de nova leitura. Sofri o pão que o diabo amassou, não somente porque fui me meter numa turma com mais de dois arquitetos, ou por achar que certas frescuras poderiam ser evitadas, mas principalmente porque contestava estas expressões. Por isso, essa sua "aula" vem a calhar.
Alvaro Pinheiro de Senna Jr.
Língua e ensino sucateado
O problema do uso incorreto da língua portuguesa nos textos jornalísticos vem da má qualidade da formação escolar desde o nível fundamental, não só dos profissionais, mas de toda a população, que acaba convivendo com esses erros com naturalidade e fica repetindo, como o personagem Fabiano, do romance Vidas secas, de Graciliano Ramos, absurdos publicados na imprensa, na publicidade e falado por outros "formadores de opinião". Acham que fazendo isso parecerão mais "espertos", "educados" ou "inteligentes". Mas, como o governo está sucateando ainda mais as escolas públicas, incentivando a proliferação de cursos particulares de qualidade duvidosa, aliado ao fim da exigência do diploma de jornalista, o uso da língua portuguesa tende a piorar tanto nas redações quanto nas ruas.
Valerio Paiva
Língua e gente entendida
É impressionante como o grupo do Observatório da Imprensa, que se preocupa em tomar posições críticas e sensatas sobre os fatos da mídia, assume essa posição tão reacionária quanto à língua portuguesa, sem se incomodar em verificar o que pensam pessoas que realmente entendem dos assuntos (o Pasquale não vale) língua, sociedade, preconceito, escola. Informem-se, por favor, antes de escrever impropriedades como este rapaz.
Ana Flávia Gerhardt,professora de Língua Portuguesa da UFRJ
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Desaforos contra a língua– Deonísio da Silva
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