Indice Jornal de Debates A imprensa em questao Caderno da Cidadania O circo da noticia Entre aspas

Edição de Marinilda Carvalho

EDITORA TRÊS
Método constrangedor

A Editora Três agora adotou um método constrangedor para antecipar faturamento. Como sou assinante de IstoÉ, cuja assinatura ainda expirará em novembro/2000, recebi, no início de julho/2000, um folder dizendo que tinha em poder dela o número do meu cartão de crédito Visa e que, para me "facilitar" (vejam a desfaçatez !), estaria fazendo, antecipadamente, com um desconto que não solicitei, a renovação automática de minha assinatura por mais um ano (com quase 6 meses de precedência), mediante débito no meu citado cartão de crédito.

Vejam os senhores, o Código de Defesa do Consumidor proíbe expedientes desse tipo, pois se trata de uma maneira desonesta de me impor uma despesa.

A Constituição da República diz que ninguém poderá fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de lei. Ora, sequer o meu contrato de assinatura por um ano previra essa renovação automática, que jamais poderia ter sido imposta. E mais: transferiu ela para mim o ônus de ter que lhe avisar que não queria uma "oferta" (presente de grego...), que não pedi.

É evidente que o assinante deve ter o direito de fazer a opção pela renovação na época própria, que melhor lhe convier e pagá-la da maneira que ache mais cômoda. Ou até não mais renovar a assinatura por motivo que não precisa declarar. Seria admissível até que fizesse a oferta do desconto. Mas apenas isso, jamais impô-la como regra, sendo a exceção a recusa. Vale dizer, inverteu a Editora 3 a lei natural do comércio e as regras da compra de bens e serviços.

A Editora Três, certamente, querendo antecipar capital de giro, está impondo aos assinantes, com aquele procedimento incivil e absurdo um encargo e uma despesa: ou avisa que não quer (e para isso gasta dinheiro e tempo) ou será feito o débito em seu cartão de crédito. Notem que aquela casa editora não tinha sequer o direito de ter em seu banco de dados o meu número de cartão de crédito, pois não a autorizei a tanto, muito menos a usá-lo para me coagir a renovar a assinatura.

O telefone que o folder indicava para que eu recusasse o "presente de grego", até uma data que a Editora determinou, sob pena de realização do débito, não era 0800 e não recebia interurbano a cobrar. Tive de gastar várias ligações interestaduais, deixou-me pendurado esperando, enfim, tive de fazer despesas e gastar meu valioso tempo para dizer a ela que não queria o que não pedi.

Chega a ser surrealista, ou kafkiano, ainda mais partindo de uma empresa jornalística que edita uma revista como a IstoÉ, que tem sido acerbamente crítica com as condutas desonestas e imorais da sociedade brasileira, tanto na área empresarial, quanto na área política. Encaminhei vários e-mails para a Editora, que não se dignou a respondê-los. Finalmente, após inúmeras telefonemas com despesas por mim custeadas, procurei falar com a Diretoria do setor de assinaturas, o que não me foi possível, tendo o "privilégio" de conseguir ser ouvido por um gerente de nome Flávio, que, embora me tenha ouvido com urbanidade e reconhecido o absurdo da conduta da empresa, limitou-se a me mandar um fax lacônico, quando eu pedi que me mandasse um pedido formal de escusas.

Gostaria que esse órgão divulgasse essa conduta incivil e anti-ética da Editora Três. Pensei inclusive em processá-la e ceder meus direitos indenizatórios ao sindicato nacional dos jornalistas, para com os recursos obtidos patrocinasse um curso de Ética e de Legislação sobre direitos do consumidor a essa gente que não sabe o que é cidadania. Estivéssemos num país sério e esse tipo de comportamento jamais seria adotado

Antecipando agradecimentos pela atenção que V.Sas. dispensarem ao conteúdo desta denúncia e certo de que ela contribuirá para a melhoria dos nossos órgãos de imprensa, consentânea com o ideal buscado pelo Observatório da Imprensa, mando-lhes um abraço cordial.

Paulo Borba, advogado




MANIQUEÍSMO

Jabor rima com dor?

Envio, com esta mensagem, cópia da coluna do Jabor no O Globo, em 1/8/2000. Desculpem a ignorância, mas de quem este ex-diretor de cinema está falando? O cara comenta as mazelas do país como se fossem produto da mente psicótica de jornalistas inconformados com o Tucanato – tenho a leve impressão de que fala de si próprio, numa espécie de colunismo psicossomático. O estado do país, com a educação em frangalhos, a saúde no cemitério, a miséria, a violência e a corrupção (incluída a que ronda FHC) fizeram o coitado do Jabor ficar sem utilidade para os cinco dedos da campanha eleitoral do seu ídolo, e o cara deve estar achando que esta m... toda é uma conspiração contra ele.

Um fato interessante no texto jaboriano é a sistemática citação de outros autores para subsidiar seu ponto de vista – à revelia dos autores, é questionável, mas à revelia de contexto, é imperdoável. Será que os fatos noticiados e não desmentidos, a realidade da Zona Norte do Rio (acho que o Jabor nunca sai de Ipanema para o interior do Brasil) não dizem nada pro cara e não servem de material para o seu trabalho "jornalístico"? E o cara é maniqueísta, gente – só vê Tucanato e Marxismo.

José Afonso R. Queiroz

"Síndrome de São Paulo não vê luz no fim do túnel", Arnaldo Jabor, copyright O Globo, 1/8/00)

Um dos cortes epistemológicos de nossa consciência política foi a música ‘Alegria alegria’, de Caetano Veloso, explodindo colorida no sol dos cinco sentidos sobre a cabeça bodeada do país, em 1967. Essa não era uma canção de protesto – servia mais para questionar e aprofundar as idéias dos que lutavam contra a ditadura. ‘Alegria alegria’ ampliou nosso horizonte de possibilidades políticas e culturais, para mais além do lamento pela derrota de 1964. Mostrava que não podíamos cair no masoquismo de vítimas nobres de uma injustiça histórica. Esta música nos lembrou que havia ‘vida lá fora’, para além do fracasso do nacional-janguismo, e que isso podia ser muito enriquecedor.

Esta música faz, com esperança, a crítica das babaquices pré-64, a saber: esquematismo ideológico, subestimação da complexidade brasileira, voluntarismo de um socialismo mágico sem condições objetivas, ignorância da dinâmica político-econômica do mundo exterior.

Seguíamos na época (e muitos ainda seguem) o pensamento único do ‘Consenso de Moscou’. Deu no que deu. Caetano cantava a aceitação de um inexplicável processo acima de nosso controle, da moda, do superficial-profundo, do livre desejo individual.

Caetano foi o primeiro a falar de globalização, em pleno beco-sem-saída de 67. Foi patrulhado, claro, até que os milicos o encanaram em 68, pois compreenderam-no muito melhor do que a turma ‘nacional-popular’. Hoje, os que acham que lutam ‘pela linha justa’ estão em pânico, não por causa de uma ditadura, mas pela democracia; estão em pânico, não diante do fechamento do país, mas de sua abertura.

Se antes fomos imaturos, hoje estamos fóbicos porque naufragaram os conceitos prontos do ‘pensamento único’ da velha esquerda, mas os velhos combatentes (e os jovens sem cultura) preferem morrer a abrir mão de suas análises dogmáticas, na marcha-a-ré de seus sonhos regressistas. E como o sagrado ‘povo’ não os ouve mais, a classe média ignorante está pronta para receber novas mensagens que eles passaram a fabricar.

Em São Paulo, em especial, aparecem esses sintomas fóbicos virados em ideário político. A ignorância generalizada, a falta de memória, o medo da violência das periferias ajudam na propagação de uma bandeira de brutal revide, de condenação da complexidade pelo simplismo, do democrático pelo autoritário. De dentro da catástrofe urbana de um capitalismo mal-ajambrado, germina um sarapatel de ideologias que podemos chamar de ‘Síndrome de S. Paulo’, uma espécie de sutil separatismo contra o democratismo espontâneo, gozoso, mestiço do resto do país. Paulo Prado contra Gilberto Freyre.

É difícil descrever esta nova ideologia que está se gestando no ventre da cidade, mas alguns traços já são visíveis nesse ‘bebê dark’ que vai ser parido sob os viadutos: o mau humor confundido com ‘seriedade’, o desencanto como prova de um iluminado saber pessimista, a desconfiança da democracia como ‘tática burguesa’, o apego teimoso à luta de classes, ao Estado totalizante, a fobia antiglobalização e a idéia de que a vida hoje é apenas um conto-do-vigário em que caímos.

No filme ‘Cronicamente inviável’ e na peça ‘Apocalipse 1’ vemos esta absurda crítica à alegria, à música baiana, ao carnaval, como se tudo fosse uma espécie de ‘desvio de direita’ da cultura, para legitimar a dominação do ‘povo’. Seus autores são pessoas de bem, com desejo de provocar mudanças mas que, no afã de atender a esta bandeira de luta sem horizonte, caem sob um certo Brecht violento e grosso, um CPC sangrento.

É uma tendência política que quer combater o bode com mais bode, pelo esfregamento das tragédias sociais em nossa cara, para nos ‘conscientizar’ (com que direito?) dos horrores da miséria, para combatê-la, numa homeopatia da merda – mais merda contra merda. É a bandeira do: ‘Ahh... não vem com frescuras... A crítica tem de ser grossa!’ E a Academia dos burros-cultos exalta esse irracionalismo primário como novidade. É uma revolução sem luz no fim-do-túnel superfaturado, é a ideologia do trânsito engarrafado, do ar poluído, sem horizontes, que quer culpar o resto do país pelo fracasso urbano de S. Paulo. Tudo isso gera um neo-udenismo rancoroso e vingativo, molhado por vagas tinturas ‘de esquerda’.

Este pensamento se encontra em jovens sem preparo político, em jornalistas encastelados na ‘retidão cívica’ de suas colunas, dentro das universidades, em gente com medo de assalto e ignorantes em geral, todos gozando uma espécie de purificação pelo desespero, uma catarse sem saída, no consolo de uma superior depressão diante do país insolúvel.

É o que Carlos Diegues chamou de ‘narcisistas do fracasso’, para quem tudo está perdido, menos eles, para quem todos estamos errados, menos quem denuncia. Esta mentalidade odeia a democracia, que é incontrolável com sua força fraca, sua tolerância e compaixão, sua pele cheia de buracos, seus vazios que podem corroer a velha tradição autoritária do desejo de tudo controlar, que aqui sempre acaba resultando num totalitarismo vagabundo, que não dará ‘mussolinis’, claro, mas que beneficiará oportunismos fascistóides.

Este elogio da grossura radical paralisa o progresso reflexivo, nos faz esquecer que o país precisa de uma reforma endógena, autocrítica, uma reforma em nossas instituições e mentalidades, a reforma de um papo político ‘que já não deu’ – coisa que só a democracia e a influência tecnológica e administrativa moderna provocarão. O ‘narcisismo do fracasso’ só dará margem a contrafacções políticas, a ‘ideologias fora do lugar’ tipo galinhas verdes de 37. Estamos na beirinha de Plínio Salgado.

O Brasil está muito melhor do que há trinta anos, até porque estamos mais conscientes de nossa própria tragédia. Precisamos urgentemente de uma nova ‘Alegria, alegria’! Por que não? Por que não?"




TV CIDADÃ

Melhor só passar comercial

Na TV vale tudo, principalmente vender ilusões – somos nós que abrimos nossa porta (eu não!). Numa breve análise da programação de emissoras (exceto TVE) há um jogo de interesses perverso. Uma exploração do analfabetismo do povo (também sou). Por que no Brasil não se faz uma TV cidadã? Nos empurram este lixo que ai está e quem não tem senso de realidade compra as ilusões tipo Laços de Família [ver remissão abaixo], onde se diz: "Esta história poderia ser a sua"... me poupem. Quando eu vou poder viajar pelo Japão? Ou mandar minha filha estudar em Oxford ou ter um carrão top de linha?

Na área de jornalismo, o que vejo são apresentadores-robô. E um comentarista que deixa sua "indignação" a desejar... Num programa de entretenimento como o da Xuxaaaaa (hec), que apresenta aqueles garotos bombados dançando e exalando sexualidade oh! sensualidade. Desculpe. Parecem aqueles do clube das mulheres, isto em plena tarde de sábado. Minha filha não assiste, eu proíbo, ela tem apenas 8 anos e eu quero preservá-la de certas coisas. Numa outra emissora o que mais vemos é a forte campanha política de seus pastores, ainda que não explícita.

Qual seria o papel da TV? Acho que informar e denunciar (sem tomar partido), educar e entreter, porém entretenimento de qualidade, e com sua forte penetração tentar mudar o quadro social de hoje no Brasil. Não pensar que o povo não é sensível às coisas; basta só respeitá-lo, pois TV é concessão pública. E por ser público deve ser porcaria? Ou representar o interesse de A ou B? Por que não se abre espaço para o pleno conhecimento da cidadania deste pobre rico povo brasileiro? A televisão deveria ser um pouco mais cidadã, ou então ficar só passando comercial. Tem até alguns mais interessantes que muitos ratos, leões, gordos etc. Pelo menos existe a internet.

Edson Queiroz




COBERTURA POLÍTICA

Candidatos e preconceitos

Não é à toa que milhares (ou milhões?) de paulistanos querem o fim da Câmara, pregam o voto nulo e chegam a defender a volta da ditadura, entre outros absurdos que afrontam o nosso bom senso, os princípios constitucionais e a nossa saudável democracia.

O único destaque dado aos políticos pela mídia é o negativo, é o gosto pelo escândalo. Claro, aí entra aquela máxima da nossa profissão: se o cachorro morder uma velhinha, merece no máximo uma nota de rodapé; mas se a velhinha morder o cachorro vira manchete de capa. Não dá para mudar a cabeça de todos os repórteres, colunistas e editores, mas dá para aproveitar espaços como o que você dispõe para tentar melhorar um pouco isso.

Falo com conhecimento de causa, porque luto nos dois lados da trincheira. Como jornalista e como candidato (ou uma espécie de anticandidato a vereador, como queira). Basta ensaiar um posicionamento político, por mais ético e transparente que seja, para que as pessoas passem a vê-lo com certa desconfiança. É aquela imagem: "Se o cara tá na política é pra roubar; se entrou agora é pra participar da boquinha; se quer continuar é porque a mamata deve mesmo ser muito boa." Mas onde está a exceção que confirma a regra?

Cito o meu caso não porque me considere superior a ninguém, mas sou um bom exemplo. Entrei na política com boas intenções, tenho parte do meu trabalho e da minha vida expostos na internet, nos sites <www.vergonha.cjb.net> e <www.voto2000.cjb.net>, e me considero (sem falsa modéstia) um candidato que representa não aquela renovação pela renovação, a troca de seis por meia dúzia. Tenho propostas coerentes e uma postura bastante diferenciada desse bando de vereadores corruptos, incompetentes e mafiosos que tomou conta da política paulistana. Tenho princípios, tenho vergonha na cara!

E a imprensa, como se comporta diante desses candidatos diferenciados, minimamente capacitados para mudar o quadro atual? Praticamente nos ignorando. Como é praxe falar mal de políticos, denunciar, investigar, apontar seus inúmeros defeitos, a mídia julga cumprir bem o seu papel simplesmente por não misturar os bons nessa massa podre. Mas dificilmente aponta qualquer qualidade nessas pessoas, talvez com medo de se comprometer, de endossar um cheque em branco.

Com isso, qual a "mensagem" captada pelo eleitor? Todos são iguais! "Renovação" na política, para a maioria, é o filho do Hanna Garib, Ricardo, de 21 anos, que vem para tentar manter o feudo familiar. É o pai do evangélico Faria Jr., que tenta repetir no município o recorde de votos do filho deputado. É a mãe de Maeli Vergniano. É o filho de Walter Abrahão, do TCM. É o irmão do Turco Loco. É a "princesa" Carola. É Marlene Matheus...

Ora, faça-me um favor!!!! Vamos ajudar a resolver esse imbroglio na cabeça do eleitor...

Maurício Huertas, 28 anos, jornalista, coordenador do movimento suprapartidário "Vergonha Nunca Mais!", pela ética na política, e da campanha "O voto certo contra a corrupção" <www.voto2000.cjb.net>




BANALIZAÇÃO

Leitor quer mais espaço

Abaixo, mensagem enviada ao jornalista Gilberto Dimenstein, da FSP, que em sua coluna de 6/8/2000 aborda o banal e o ridículo enaltecidos pela mídia.

Cesar Boschetti, São José dos Campos, SP

"Pouco antes de ler sua matéria na FSP de hoje (06/08/2000) enviei-lhe um texto (Condenados pela emoção), por coincidência, em perfeita sintonia com o seu. Gostaria apenas de ressaltar um aspecto que talvez tenha lhe escapado. Quando você fala do desinteresse da população pelas questões políticas do país, em detrimento do banal e do ridículo, não cabe ai um reposicionamento da mídia impressa? Permita-me narrar-lhe um fato ocorrido comigo. Estava no dentista aguardando minha vez. Para matar o tempo comecei a folhear uma edição da revista Caras (não havia outra opção). Ao meu lado havia um senhor fazendo a mesma coisa. Para quebrar a monotonia das ilustrações de VIPs sempre alegres com os holofotes midiáticos, comentei com este senhor como devia ser bom ser rico e com a vida sempre cor-de-rosa. Falei isto só para puxar conversa. A resposta do meu interlocutor foi curta e objetiva: "Prefiro ver esta felicidade do que as notícias ruins do jornal".

Acho que não preciso ofender sua inteligência e explicar mais nada. É este o nosso problema. De um lado a TV banaliza o ser humano e enaltece o ridículo, de outro os jornais banalizam as mazelas do país, explorando-as em detalhes que também beiram o ridículo. Eu, particularmente, também não estou interessado em saber exatamente quanto, como e quando o Eduardo Jorge e companhia ilimitada roubaram. Meu interesse único e exclusivo é vê-los julgados e condenados se for o caso. Não questiono o jornalismo investigativo em si, é sua abordagem novelesca que irrita. De duas uma, ou imprensa e TV estão de conluio na estupidificação do ser humano, ou os jornais estão com a estratégia completamente errada. É por isto mesmo que venho reivindicando uma maior abertura para o leitor. Um espaço onde o cidadão comum possa externar sua opinião ou crítica. Não um painel do leitor recheado de políticos e VIPs replicantes que falam muito mas dizem pouco, restando ao cidadão menos de 50% do espaço e cujas mensagens são quase sempre truncadas, ficando às vezes até sem sentido. Atenciosamente, Cesar Boschetti"



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