Indice Jornal de Debates A imprensa em questao Caderno da Cidadania O circo da noticia Entre aspas

Edição de Marinilda Carvalho

 

Amigos, 1999 termina ainda mais hard do que se poderia imaginar.

Êoa! Eu escrevi isto no ano passado! Falei sobre os mísseis em Bagdá, da sentença da justiça britânica que excluiu 3 mil crimes da acusação de Pinochet, de uma chacina brutal em Alagoas.

Embora tudo tenha se repetido, melhorou sim!

Seattle veio abaixo contra o neoliberalismo (não é nada, não é nada, já foi um começo!), a CPI do Narcotráfico revela o Brasil do esgoto e põe alguns ratos na cadeia, e até Sérgio Naya foi preso! Melhorou muito!

Portanto, Boas Festas!

O Observatório da Imprensa estará de volta no dia 20 de janeiro.

E que 2000 seja melhor!

Notícias do Planalto

A propósito do livro de Mario Sergio Conti, o documentário Brasil – Além do Cidadão Kane, produzido em 1990 por um jornalista inglês já falecido, mostra o que é o Império Global. É um Globo Repórter que trata da influência da Rede Globo e de seu imperador, Roberto Marinho. Mas não pôde ser distribuído no Brasil. Tive oportunidade de assistir em 1993, clandestinamente.

José Onirio Martins

***

Cópia da carta enviada à Companhia das Letras em 8/12/99.

"Sou livreiro de uma boa livraria em Belo Horizonte, a Livraria da Travessa, e senti muito quando fui informado que um cliente brigou com uma gerente de uma de nossas lojas pelo fato de ter visto na Internet a oferta do livro Notícias do Planalto no site <www.submarino.com.br> com o preço exorbitantemente baixo de R$ 17,24. A pergunta que faço é: como um livro que custa para uma livraria comum, reles mortal, o preço de venda de R$ 35, com desconto máximo de 40%, arduamente conseguido, pode competir com uma loja virtual, que não precisa manter estoques pagos? Isso sem contar nos gastos com funcionários, contas e mais contas.

Achei desanimador o fato de que após um ano de árduo trabalho, comprando, vendendo, trabalhando junto à opinião pública os livros de sua editora, recebermos como presente de Natal a oferta comercialmente desleal de um site da Internet que já de cara se comporta como megamegalivraria, dando aos livreiros, que fazem o nome das editoras, dos livros e dos autores, a oportunidade de pagar um mico em seu próprio estabelecimento, sendo chamado de ladrão por cobrar um preço que nada mais é do que o sugerido pela própria editora. Desculpem o tom, mas é transparente meu inconformismo. Não sei que medida pode ser tomada, mas pelo menos um pouco de respeito, sei lá. Ou então me contratem para ganhar dinheiro olhando uma tela de computador e conferindo extratos de cartão de crédito.

Pelo menos não se esqueçam de quem fala no ouvido de pessoas ávidas em informação, convencendo-a a ler (internalizar) algum conteúdo é (ainda) o livreiro. Até o esquema de distribuição fica lesado. Se comprasse no dito site, teria maior lucro do que se comprasse na distribuidora, que tão bem me atende promovendo suas vendas. Alguma coisa está muito errada no mercado de livros. E o Brasil é um país que ainda está na fase da formação de um público-leitor, tarefa na qual o livreiro sempre teve destaque em qualquer país civilizado. Ou o grande público deve permanecer escravo do best-seller? Soluções eu não dou, mas precisava desabafar."

Renato Kai

Quem é o melhor?

A Rede Globo, em 10/12/99, ao fazer chamada para o programa Globo Repórter disse, pela voz do apresentador Sérgio Chapelin, referindo-se ao professor Pasquale, que "o maior professor de português do Brasil aprendeu a falar em italiano". Isso deve ser entendido como uma referência ao professor de português de maior estatura no país, pois a Globo não tem competência suficiente para dizer quem é o melhor professor de português do Brasil, simplesmente pelo fato de o Sr. Pasquale ser conhecido como apresentador de programas de TV.

Ronaldo Cardoso

Caso Sérgio Mallandro

Estava assistindo TV hoje à tarde e fiquei revoltada por ver mais um programa falando sobre o famoso caso Sérgio Mallandro. Gostaria muito de saber em que isto vai enriquecer meus conhecimentos, e o que leva um senhor dito produtor na flor da idade, no auge de sua capacidade de contribuir para o crescimento de um país, que tanto necessita, gastando horas de TV, que me parece são muito caras, falando se Sérgio Mallandro usa droga ou não. Se ele é usuário, caberia aos meios de comunicação e a este senhor ajudá-lo, e não massacrá-lo. se não for usuário ótimo. Ao que me parece nós não temos assuntos sérios para apresentar na TV. Nosso país está uma maravilha, então vamos gastar tempo e dinheiro com estas futilidades.

Afinal, somos um país rico onde que sobra dinheiro, capacidade e tudo mais.

Marlene Mendes

Mídia e Escola Base

Muito já foi dito a respeito dos abusos cometidos pela imprensa no caso da Escola Base. Passados cinco anos do ocorrido, os acusados continuam sofrendo as conseqüências da atitude irresponsável da mídia. Olhar para trás hoje e identificar estes abusos não é tarefa difícil. Gostaria de saber se na época do ocorrido, quando o assunto estava em todos os jornais, houve algum veículo que ousou denunciar a falta de critério na apuração dos fatos ou mesmo se o Observatório teve a Escola Base como pauta em alguma discussão.

Mariana Paixão

***

Mandei esta mensagem originalmente à Rede Record, e depois ao Estado de S. Paulo.

"Vários anos atrás, eu costumava assistir ao Jornal da Record, quando este era apresentado pela Adriana de Castro, que considero uma das mais belas âncoras do jornalismo brasileiro, e por outra pessoa de que não me recordo o nome, mas era o único apresentador negro do telejornalismo. Eu considerava este telejornal o melhor.

Além da clareza das notícias, era a única rede de TV que trazia em seus telejornais notícias sobre as coisas boas que aconteciam na cidade, no estado, no país e no mundo. Isso fazia a diferença.

As coisas começaram a mudar quando entraram o Nassif e o Chico Pinheiro. O Chico tinha a mania de ficar interrompendo os entrevistados, o que me irritava muito. O problema é que um bom jornalismo relata fatos, não fica especulando, e foi o que começou a acontecer neste telejornal. Ontem (8/12) eu estava assistindo ao Cidade Alerta, e o apresentador noticiva a operação que a polícia estava fazendo na Favela de Vila Prudente. Como havia dito anteriormente, um bom jornalismo apresenta fato, não especulações.

O problema é que o apresentador falou que a operação da polícia foi atrapalhada porque um grande jornal de São Paulo veiculara no dia anterior reportagem sobre esta operação. O apresentador citou o nome do jornal (O Estado de S. Paulo), repetiu várias vezes que o tal jornal atrapalhou a operação e disse até que, em vez de ajudar a polícia, ajudou os ladrões.

Tal citação é muito leviana, e é por causa de tais comentário, baseados em provas circunstanciais e superficiais, interpretações baseadas em provas precárias, é que acontecem casos como o da Escola Base. Por mais que o delegado mereça ser condenado a pagar, a imprensa foi a maior culpada."

Eduardo Yuiti Mampo

Ensino privado protesta

A confusão sobre as mensalidades escolares, ocorrida desde 24 de novembro, na minha avaliação teve cobertura parcial por parte da imprensa, que esqueceu de abordar o verdadeiro problema: a falta de qualidade da educação pública. Ficou mais uma vez provado o poder de mobilização da classe média e a sensibilidade extrema dos meios de comunicação para com esta parte da sociedade.

Afinal, o ensino privado representa pouco mais de 10% do total de matrículas da Educação Básica. Sendo obrigação do Estado oferecer o ensino público e gratuito, nada mais natural que quem preferir a alternativa da iniciativa privada pague pelo serviço, regido por um contrato comercial. Pois se a escola não tem subvenção nem isenções, como ela pode manter a qualidade de seu ensino sem a devida arrecadação?

Marcos Marques de Oliveira

Jornalismo e terceiro setor

"No jornalismo, por exemplo, não sabemos de nenhuma escola, no país, que tenha disciplina voltada para o exercício no terceiro setor. Para trabalhar neste segmento o profissional deve conhecer a sua natureza, como sobrevive, qual a linguagem que utiliza, o que gera, enfim... Não basta o que oferecem hoje as faculdades de Comunicação. O jornalista interessado em atuar nesta área deveria, no mínimo, saber o que a diferencia das outras e quais os seus potenciais. Do contrário, onde as instituições buscarão profissionais de comunicação para atender às suas necessidades?" (Observatório nº 80).

Informo à ilustre articulista que existe, sim, uma escola no Brasil que trata da relação dos jornalistas com o terceiro setor: é a PUC-SP, em seu programa de pós-graduação lato sensu de Jornalismo. Confira os cursos:

Jornalismo Social

Sextas, 19h30 às 22h30 e sábados, 9h às 12h

Jornalismo Institucional

Quintas e sextas, 19h30 às 22h30

Informações: 387-33155 ou 262-8906 ramal 205 ou site <www.cogeae.pucsp.br>

Margarethe Born Steinberger, professora e coordenadora

Recado ao Nassif

Há tempos quero falar sobre a coluna do Luís Nassif no caderno Dinheiro. Eu fico impressionado como divaga este rapaz. Ele é um saudosista nato. Acho que é importante nos servirmos de experiência e fatos passados para compararmos e analisarmos melhor os fatos presentes, mas ele faz um certo exagero. Sem contar que quando ele se propõe a falar sobre um determinado assunto se utilizando do passado para explicar o presente consome 2 terços de seus parágrafos em torno de relatar experiência passada, até que volte a falar do que se propôs. Pesquise na Folha e faça a estatística. Ele sempre começa com coisas do tipo: "Em 1957... quando naquela época o governador era... a minha tia, que conhecia o embaixador... na metade dos anos 70..." E assim vai.

No final das contas fico em dúvida: de que mesmo ele está falando? Também ocorre com freqüência ele falar sobre assuntos que nada tem nada a ver com a proposta do caderno. Leia a matéria do dia 21/11/99, intitulada A voz do morro. Agora me diz, o que essa matéria tem a ver com o caderno?

Que ele é do meio artístico musical, tudo bem (e nem todos sabem), então, que ele dirija esse tipo de redação para o caderno adequado. Eu até gostei da matéria, mas, ela está no caderno errado. Agora, se ele é um escritor inteligente (e é) que já deu muitas alegrias à Folha a ponto de ela dar um desconto a ele e não falar nada quando se depara com coisas desse tipo, aí é outra história... já não está mais aqui quem falou. Só lamento ter que pagar por isso quando compro a Folha.

Enviei esse comentário à Ombudsman da Folha, reiterei e não obtive resposta.

Gilvan Ferreira Ximenes, Brasília

Lixo em horário nobre

Meu nome é Célia Cristina, de Osasco, São Paulo. Como Roberto Medeiros, achei um horror total a matéria exibida pelo senhor Fantástico, destacando os rapazes do Mengão e aquelas, digamos, mocinhas. Às vezes me parece que os senhores da mídia deste país acham que o povo brasileiro é totalmente idiota e desinformado, que apenas queremos ver na TV um montão de porcarias. Mas não é bem assim, ainda existem pessoas que "pensam" e portanto querem ver e ouvir "informação", a melhor possível.

Chega de incentivo à violência e a porcarias na TV.

Célia Cristina

 

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