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Edição de Marinilda Carvalho
Um pequeno artigo do leitor Eduardo Zanete, sobre a mais recente campanha da Brahma [ver remissão abaixo], vem despertando grande interesse, primeiro de estudantes de Publicidade, que criticaram as opiniões do autor, que nesta edição reitera seus pontos de vista; e de leitores, que saíram em defesa de Zanete.
Uma discussão interessante. No texto abaixo, Zanete diz: "Esta [campanha] me chamou a atenção, mas afastou-me de comprar o produto. Quantas pessoas será que pensaram assim? Se houver uma quantidade considerável de pessoas que agiram dessa forma e não se manifestaram, então a propaganda está sendo prejudicial para o produto!"
Ele tem razão: mudo de canal imediatamente quando vejo aquele siri idiota ou aquele idiota pescando.
E você, leitor?
Um abraço, boa leitura!
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JORNALISMO FITEIRO
Marketing disfarçado
Todo mundo sabe que, na guerra das revistas semanais de informação, Veja e IstoÉ procurarem o tempo todo desmentir o que a outra diz já virou costume repetitivo. Mas a Veja agride a lógica na matéria da semana passada ("...e todo barulho era só fita"). Veja não deixa claro ao leitor que a fita periciada por Ricardo Molina não é a mesma que foi escutada pela reportagem da IstoÉ. Na verdade, dá a entender que é a mesma, principalmente no trecho em que diz que o perito "exibiu aos senadores a transcrição da fita em que está gravada a conversa do senador Antonio Carlos Magalhães com procuradores da República. O suposto conteúdo da fita fora publicado pela revista IstoÉ..."
Ou seja, palavras ouvidas com perfeição na outra fita podem não ter ficado claras ou sequer aparecido na fita apresentada ao Senado. A revista também cita a opinião do líder do PT, de que IstoÉ fez uma "emenda aglutinativa" do conteúdo da fita, dando a entender que a transcrição da revista concorrente não era verdadeira.
Acontece que os trechos citados para corroborar essa tese não alteram nada do conteúdo mesmo da matéria. É preciso lembrar que os repórteres não tiveram a fita em seu poder, apenas a ouviram e fizeram anotações. Nada mais natural que existam algumas divergências de redação, mas o que já foi ouvido mostra que a reportagem da IstoÉ estava essencialmente correta.
Marcus Pessoa de Araújo, Belém
Lição de ética
Foram ouvidos, no dia 14 deste mês, pelo Conselho de Ética do Senado, os três procuradores da República que estavam na reunião com Antônio Carlos Magalhães que tantas fitas mereceu. Como o procurador responsável pelas gravações tem dado entrevistas há meses, tive enorme curiosidade em saber o que os seus colegas tinham a dizer. Foi surpreendente. A revista IstoÉ, sem qualquer autorização, instalou um gravador na sala ao lado daquela em que ocorria a reunião. Os procuradores não sabiam que a conversa era gravada, que a IstoÉ estava no prédio da Procuradoria da República, que tinha interesse na conversa, e foram informados da reunião com cerca de 40 minutos de antecedência.
Diversos senadores perguntaram qual era o conteúdo da conversa, se confirmavam trechos, e a resposta, que deveria ter sido gravada da TV Senado pela redação da IstoÉ e colada em cada parede onde estejam seus jornalistas, foi clara e grande lição. Disseram os procuradores que, se a conversa era sigilosa, não deveria ter sido gravada; uma vez que ela tenha sido gravada, eles, por dever ético, não comentariam qualquer linha. A revista IstoÉ não apenas publicou trechos sem a gravação, como depois reproduziu toda a transcrição sem qualquer menção às restrições impostas pelos procuradores. A conversa, como os três procuradores afirmaram sem divergência, foi gravada por acordo entre um deles com a revista sem que os outros dois nem o senador Antônio Carlos Magalhães soubessem.
Perguntaram os senadores: se a conversa já se tornou pública e seus temas são de interesse nacional, não podem comentá-la? Enquanto a revista IstoÉ manteve seu compromisso antiético, os procuradores repetiram, por diversas vezes, que a natureza indevida da gravação não se alterou pela sua publicação, continuaria sendo antiético comentá-la.
É triste que a audiência da TV Senado não seja tão grande quanto a da infinita discussão nas nossas noites de SBT e Rede TV! sobre o funk carioca. Ficou muito claro o abuso da revista.
Os procuradores disseram que seu colega será levado à corregedoria para prestar esclarecimentos sobre os fatos. A quem será apresentada a revista IstoÉ por divulgar conversa sigilosa, gravada com fita inaudível, escondida no gabinete de um procurador da República?
Sérgio Coutinho
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