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PROPAGANDA
Droga de campanha
Não creio que o assunto mereça polêmica, mas gostaria de fazer algumas observações.
1) Se um dia já tivemos propagandas muito piores na televisão brasileira isso não nos impede de almejar uma qualidade cada vez maior nas propagandas;
2) Não sou um analista de sistemas indignado. Minha profissão é analista de sistemas, e sou uma pessoa indignada sim, mas com as injustiças que se vêem todos os dias em todos os lugares: nas nossas cidades, no nosso país e no nosso mundo;
3) Não ser criativo não é pré-requisito para ser analista de sistemas. Muito pelo contrário. A criatividade ajuda muito no trabalho do analista de sistemas que a tem, assim como em qualquer profissão;
4) Quanto à propaganda ser feita para chamar a atenção dos consumidores e vender produtos: esta me chamou a atenção, mas afastou-me de comprar o produto. Quantas pessoas será que pensaram assim? Se houver uma quantidade considerável de pessoas que agiram dessa forma e não se manifestaram, então a propaganda está sendo prejudicial para o produto!
5) Eu me preocupo com todas as intenções de agressão à natureza, mesmo que estas estejam numa simples propaganda de cerveja.
Eduardo Zanete
Mau gosto
Concordo que há mau gosto nas propagandas de cerveja. A Antártica, aliás, fez pior, associando consumo de álcool a sexo ("reprodução dos pingüins").
Não estranho nem um pouco que as duas opiniões contrárias sejam de estudantes de Publicidade. Atualmente no Brasil o lixo é oferecido em "nome do que o público quer". Mas quando este se manifesta, a parte produtora, em vez de pelo menos ouvir as críticas, se encerra numa gaiola dourada e imediatamente refuta o que o público diz, em nome do que o "público quer".
Esta distância nunca foi tão grande como hoje. Prova disso é a grande Rede Globo, que gasta fortunas produzindo minisséries de excelente qualidade, exibe-as em horários tardios, irregulares e depois põe a culpa na suposta "incultura do povo", que não fica acordado até 1h da manhã durante a semana para ver coisas de qualidade. A queixa do público pelo horário é geral, mas em nenhum momento vi alguma sapiência empresarial deles atinar para a questão de que até mesmo os "cultos" trabalham e dormem. Ou eles acham que devemos ficar com sono para que eles ganhem dinheiro?
Quanto à Brahma, o uso sugerido de despejá-la no rio não é de todo mau, exceto por ser poluente.
Enani Porto
Mau exemplo
Meu nome é Cristiano Almeida Pereira e sou licenciado em Química, dou aulas numa escola pública estadual em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte. Leciono a alunos do ensino médio, e a escola fica num bairro de periferia (sem conotações pejorativas). É a primeira vez que escrevo para os senhores e é para discordar da opinião dos publicitários Lauro de Paula e Felipe Muller, que na edição passada acusaram o analista de sistemas Eduardo Zanete de mau-humorado por ter criticado as propagandas da cerveja Brahma.
Como professor já havia pedido aos meus alunos, numa prova no ano passado, que comentassem o que eles achavam da referida propaganda, na qual um sujeito lançava cerveja num lago (?) para pescar. Em aulas anteriores à prova eu havia trabalhado com os alunos sobre o assunto poluição das águas.
Para meu espanto, uma boa parte dos meus alunos achou a propaganda "legal", e que os peixes gostavam da cerveja, ou seja, não observaram que a propaganda era um estímulo à poluição! E olha que meus alunos estão na faixa de 18 a 22 anos, imaginem uma criança de 4 ou 5 anos vendo este anúncio! Provavelmente quereria fazer o mesmo quando tiver oportunidade (no caso, com um refrigerante, lógico!). Ou seja, por mais que seja simbolismo, foi um mau exemplo.
E eu adoro cerveja, principalmente a Skol e a referida acima. R não estou de mau humor!
Por isso senhores publicitários, sem querer ensinar nada a vocês, o senhor Zanete em parte tem razão!
Cristiano Almeida
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