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ELEIÇÕES 2002
Paraná apreende Hora H

O candidato ao governo do Paraná, senador Alvaro Dias, usando de toda a arbitrariedade que lhe é cabível e evocando os mais tristes dias de censura e ditadura militar que esse país já viveu, conseguiu, com um juiz auxiliar do TRE, mandado de busca e apreensão do jornal Hora H, de propriedade do jornalista Cícero Cattani. Além do jornal impresso, Alvaro ainda conseguiu que o TRE determinasse a retirada do ar do site do jornal, <www.horahnews.com>.

Não podemos mais viver dias assim, em que a liberdade de imprensa e o expediente da denúncia jornalística não prevalecem como regra numa sociedade organizada. Para mais informações sobre o assunto visite o site <www.horahnews.com>, que por coragem e determinação dos advogados do jornal hora H continua no ar e liderando a audiência entre formadores de opinião. Abaixo, matéria do Jornal do Estado, de Curitiba

André Lopes

"Guerra Jurídica

TRE recolhe jornal a pedido de Alvaro

O juiz Paulo César Bellio acatou ontem medida cautelar encaminhada pelo candidato do PDT ao governo, senador Alvaro Dias, que pedia a busca e apreensão da edição número 344 do jornal Hora H, sob a alegação de publicação de reportagem com informações ‘inverídicas e difamatórias’ contra o pedetista. Além dos exemplares impressos, em número não conhecido, a medida também determina a retirada do ar do site do jornal com a referida reportagem, que acusa Alvaro de ter utilizado recursos desviados da prefeitura de Maringá para pagar despesas de sua campanha para o Senado em 98.

No pedido, os advogados do candidato alegam que as notícias divulgadas pelo jornal estão ‘absolutamente distorcidas e equivocadas’ revelando a intenção de ‘denegrir e ofender a honra e a dignidade’ do senador. No despacho, o juiz disse ter constatado ‘a divulgação de notícias ofensivas à honra’ do candidato, ‘caracterizando em tese, crime eleitoral’.

A reportagem do Hora H que motivou a ação é baseada em depoimento à Justiça Federal do ex- secretário da Fazenda de Maringá Luiz Antonio Paolichi, preso há quase dois anos sob a acusação de comandar, durante as gestões dos ex-prefeitos Said Ferreira, Ricardo Barros e Jairo Gianotto, um esquema que teria desviado mais de R$ 100 milhões dos cofres da prefeitura maringaense. Parte dos recursos teriam custeado campanhas eleitorais de vários políticos, entre eles Alvaro, cujas despesas de R$ 200 mil com o aluguel de uma aeronave teriam sido pagas pelo esquema, segundo o depoimento do ex-secretário.

Censura – As denúncias, na verdade, foram amplamente divulgadas na época do depoimento, em fevereiro do ano passado, chegando a motivar a criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Assembléia Legislativa para apurar o caso. A CEI, criada com a missão de investigar o envolvimento de vários políticos implicados por Paolichi, entre eles deputados estaduais e membros do Tribunal de Contas, nunca andou nem chegou a qualquer conclusão. Ainda na época, Alvaro rechaçou as denúncias, garantindo ter prestado contas das despesas de campanha à Justiça Eleitoral e negando ter sido beneficiado por recursos desviados da prefeitura maringaense.

A decisão da Justiça de apreender a edição com as denúncias pode acabar não surtindo efeito. É que todos os exemplares já haviam sido distribuídos e até o final da tarde de ontem a direção do jornal não tinha sido notificada oficialmente. A editora de Conteúdos do Hora H, Carolina Cattani Lopes, acusou o candidato do PDT de tentar promover censura à imprensa e garantiu que assim que o jornal for notificado, vai recorrer da decisão. ‘A partir do momento em que não foi pedido direito de resposta, só podemos concluir que é uma tentativa de censura’, avaliou ela."

 

Voto na beleza-padrão

Muito oportuno o comentário [ver remissão abaixo]. Ajuda aos leitores (poucos) que têm acesso a tais artigos a conhecer a verdadeira face dos candidatos ao posto político máximo do país. Infelizmente, grande parte da população (por não ter acesso à informação) vota nesse tipo de candidato, tendo como parâmetro apenas sua aparência física e a da mulher global, de acordo com os "padrões" de beleza impostos em nosso país e fixados no inconsciente coletivo, através da mídia televisiva.

Paulo B. Santos, São Paulo

 

Mentiras e inconsistências

Fiquei impressionado com os comentários sobre as "mentiras" do candidato Ciro Gomes. Parece que o autor trilhou o caminho mais fácil, sem se preocupar com as explicações do candidato em algumas entrevistas já publicadas, e em seu site. Se percorreu estes caminhos e não se convenceu, me parece que seria mais apropriado o comentário das explicações, e não a explosão contida no artigo.

Desde já, caso seja de interesse, a explicação do candidato para o salário mínimo de US$ 100 em seu governo no Ceará é absolutamente inconsistente, em termos matemáticos: ele compara o salário em US$, no início de seu governo (base Brasil), vai para os EUA (base EUA), pega a inflação do dólar lá (nos EUA), volta para o Brasil e aplica a inflação dos EUA aqui. Só rindo...

Muito melhor para o candidato seria ter dito "errei", "me enganei" etc.. Para quem prega a seriedade e a honestidade, cairia muito melhor. Enfim, em um debate em que se (todos os candidatos) jogam números, sem qualquer possibilidade de contestação séria, esta é mais uma "enganação", a que todos estamos sujeito. Já passamos por coisa muito pior.

Márcio V. Guedes, engenheiro

 

Sem qualquer laço

Julguei de extremo mau gosto o conteúdo do texto. Além de vexatório, contribui para ligar ainda mais duas pessoas que não têm nem nunca tiveram qualquer laço nem traço em comum: Ciro e Collor. Num tempo em que a mídia se esforça em salvar a candidatura de Serra, vide por exemplo a revista Carta Capital desta semana, em sua página 22. Precisamos de opiniões isentas que respeitem o leitor.

Durante a semana, os jornais O Globo e Estadão se rivalizaram para ver qual se superava mais no apoio explícito a Serra – aqui o Estadão se superou – e qual enterrava mais o principal adversário do candidato do governo – aqui O Globo conseguiu inclusive devassar a vida particular do candidato, publicando seu histórico escolar.

Fora a revista Veja, que publicou capa que simplesmente não condiz com a reportagem em seu interior. Porém é sabido que o número de pessoas que vêem seu outdoor é maior do que o número de pessoas que a lêem. E ainda a Época, que numa semana publica uma vergonhosa reportagem leviana, que diz: "Não temos provas mas achamos que merece atenção..." Uma semana depois, as acusações caem por terra. Mas isso não se publica. Por qual motivo? Como ficam se sentindo os leitores? Traídos e inseguros! A leviandade não pode superar a decência.

Não posso deixar de citar a TV líder de audiência. Todas as vezes em que o candidato Ciro Gomes dá uma entrevista sofre uma inquisição. O presidenciável Lula sofreu metade das interpelações a Ciro, e este ainda teve que falar ao mesmo tempo com seus algozes, digo, "repórteres". Esta emissora traiu todos os seus espectadores, anunciando que haveria discussão de idéias e planos de governo. Promoveu, em vez de um debate, um interrogatório a respeito de tudo o que menos interessava ser discutido.

A continuar assim, em tempos de Big Brother e perda total dos valores morais, teremos publicados exames de sangue, urina e cartas particulares, para quem sabe mostrar erro de ortografia, ou uma caligrafia malfeita. Estamos vendo uma ação ora infantil, ora fascista, porém sempre de baixo nível e claramente interesseira e perigosa para a constituição de uma República de alma democrática.

Não posso me esquecer da falta de respeito com a paciência e a inteligência dos clientes, sejam telespectadores ou leitores. Uma afronta ao espírito público e à lisura do compromisso que a profissão exige. Exijo mais responsabilidade e ética, na execução de levar informação à população. Editoriais tendenciosos, reportagens que levam a difamação e calúnia, e espaços reservados a pseudo-analistas político-econômicos, que elogiam a quem bem entendem e batem em quem bem entendem, só geram desinformação e desrespeito.

O consciente coletivo da população começa a ver como determinado candidato vem sendo atacado por todos os lados insistentemente. O próximo passo será este consciente coletivo amadurecer este conceito, e chegar ao ponto de verificar que está sendo manipulado, e então chegará o dia em que determinados e importantes veículos de imprensa serão desmoralizados. E de novo, o Brasil sairá perdendo, pela mediocridade de alguns. Basta. Responsabilidade e ética já.

Kleber Fonseca, Rio de Janeiro

 

O sonho da imparcialidade

Lamentável. Na mesma edição em que uma matéria importantíssima relata o trabalho de Monica Bergamo, levantando que novamente os amigos de Serra estavam "plantando notinhas" nos diários para colar a imagem de mentiroso em Ciro Gomes, vocês colocam como matéria de destaque uma que tenta colar de forma supostamente imparcial Ciro em Pinóquio. Se até vocês são parciais, quem mais não será?

Angelo Martins

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