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ELEIÇÕES 2002
Ainda o debate na Band

Li na edição de 14/8 os comentários dos leitores sobre o artigo de Leonor Macedo, estudante de Jornalismo, da edição de 8/7/2002. Por curiosidade, tamanha a repercussão, fui ao artigo citado. As críticas a meu ver foram subdimensionadas. Obra-prima de parcialidade e falta de conteúdo, retrata a opinião pessoal da estudante, assunto dispensável neste Observatório (a não ser que tivesse sido exposto no Caderno do Leitor).

Márcio V. Guedes, engenheiro

 

Leonor Macedo responde

Sobre as críticas publicadas na edição passada: o discurso socialista mudou, sim, Lula não é burro. Pelo contrário, entendeu direitinho as regras do jogo. Vestiu gravata, tomou cuidado com as palavras, virou camaleão. Sabe portar-se diante do FMI e dos metalúrgicos do ABC. Acredito, e espero estar certa, que o discurso mudou apenas por estratégia. Ninguém esquece seus princípios, valores e origens da noite para o dia. Só o presidente. Quanto aos evangélicos, peço desculpas se foram ofensivas as afirmações. Não era a intenção. Respeito, acima de tudo, a fé das pessoas, mas acho que não deveria ter sido citada a religião evangélica durante o debate. Quem citou primeiro foi Ciro Gomes. Me pareceu que Garotinho se aproveitou disso para ganhar voto. A meu ver, é o mesmo caso daquele slogan de campanha: "Corintiano vota em corintiano".

Quanto às críticas à pobreza do texto, tentem lê-lo melhor. Comunista, sobre Ciro Gomes, está entre aspas. Quando me referi ao comunismo de Lula na frente tinha um ponto de exclamação e um de interrogação (?!). O ruim é ter de ficar explicando o tom de ironia do artigo. No mais, não acredito nas boas intenções da Globo. Com Serra caindo nas pesquisas eles não apoiarão Lula, podem ter certeza, restando apenas Ciro Gomes.

Quando escrevi o texto não o estava fazendo como jornalista ou estudante. Eu era uma telespectadora, passiva, sentada diante da TV. Mesmo assim, um artigo é parcial por natureza. Se não, não seria artigo, seria matéria, reportagem. Foi tendencioso, opinativo, desinformador, como quiserem chamar. Orgulho-me dele, publicado no Observatório da Imprensa, por onde já passaram grandes jornalistas, no meu primeiro ano de faculdade. É um incentivo para continuar fazendo aquilo de que gostamos. Para desespero de muitos. No mais, obrigada por lerem e por criticarem. Isso também me serve de incentivo.

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Debate na Band – Vários autores, no Caderno do Leitor

 

Critérios incompreensíveis

A imprensa, como qualquer instituição, merece realmente respeito. No entanto, é difícil para nós, leitores, compreender os critérios para a cobertura dos candidatos. José Serra tem um latifúndio de espaço na imprensa, mesmo em 3° nas pesquisas. Aqui no Rio, para o governo local, é Benedita quem "dita" a regra do espaço, mesmo estando também em 3°. E aos candidatos que estão no páreo pela primeira vez, e não são nem do governo FHC nem do PT, quase nada é oferecido, e quando ocorre é sempre de maneira tendenciosa. Fica difícil, como leitor, compreender os critérios utilizados. A imprensa merece respeito, mas o leitor também o merece. Uma cobertura tendenciosa faz com que fique pairando no ar essa impressão de que não há respeito a nenhuma das partes.

Vicente Portella

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A imprensa merece respeito – Chico Bruno

 

Erro, barriga ou especulação?

Sexta-feira passada estive almoçando num restaurante do Rio de Janeiro e só o que se ouvia era que o candidato Ciro Gomes cairia e Serra subiria nas pesquisas do fim de semana, com base nas indicações da imprensa a partir de quinta-feira. Como o lugar é muito freqüentado por pessoal de mercado, via-se claramente um movimento especulativo respaldado por informações de algumas colunas políticas e econômicas dos principais jornais.

O que se viu foi exatamente o contrario, pois o candidato Serra caiu e Ciro subiu de acordo segundo Instituto Vox Populi. Quem especulou futuro certamente ganhou, visto que o mercado hoje varia em função das oscilações dos candidatos nas pesquisas eleitorais. É ética essa influência da imprensa no mercado financeiro? Até que ponto essas opiniões poderiam ser consideradas isentas, erro de estimativa ou barriga?

Eduardo Uchoa

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