|
GREVE NA USP
Mídia distorce os fatos
Caro Charles Lourenço, sou aluna do segundo ano do curso de Letras Português/Grego da FFLCH e participei de praticamente todas as discussões e atos da greve, inclusive na Casa de Portugal. Também fui vítima da intolerância de sindicalistas e seguranças e verifiquei como nosso atual governador age diante de estudantes que manifestam seu desejo por qualidade de ensino. Também apanhei pelo simples fato de estar lá, e comprovei o quanto o poder deseja sufocar covardemente as vozes dos que são contrários às suas formas arbitrárias de dirigir o governo.
Desde o início da greve tenho acompanhado as notícias que foram veiculadas pela mídia e comparado com a verdade, e desde o início estou aguardando uma notícia que consiga ser pelo menos imparcial, que relate os fatos.
Na ultima assembléia da FFLCH que fizemos na quarta-feira, um colega, ao discursar, colocou essa questão em evidência e falou diretamente aos jornalistas da Folha e do Estado (que estavam presentes). Todos aplaudiram, independentemente de serem ou não a favor da greve, e isso se deve ao fato de nos sentirmos lesados pela mídia, que apenas distorce as notícias. E a favor de quem?
Muito obrigada pela importância que deu à nossa causa.
Rosângela Veríssimo
Leia também
Pancadaria passou batida – Charles Lourenço
PROTESTO NA UNESP
Mídia distorce os fatos – II
O projeto de expansão de vagas proposto pela reitoria da Unesp fere os princípios básicos de uma universidade pública, com ensino de qualidade, pesquisa cientifica e extensão para todos, já que transforma a universidade apenas num lugar onde são ministradas aulas. Não existe a previsão para a contratação de professores em regime de dedicação integral: os docentes serão remanejados de faculdades já existentes onde deixariam de realizar as atividades de pesquisa e orientação para os alunos em troca de um abono salarial. Alem disso, os estudantes dos novos campi não poderão contar com o atendimento e o acompanhamento de seus professores.
Esse modelo já foi posto em prática com a inauguração do campus de São Vicente em 2002. Cada campus diferenciado teria apenas um curso, proposto aleatoriamente por uma comissão, e está prevista a contratação de apenas quatro professores para cada um, em regime RTC (ou seja, sem dedicação exclusiva e sem pesquisa). Esses novos campi não têm a mínima infra-estrutura necessária para a assistência estudantil, como moradia e restaurante subsidiado pela reitoria. A verba para manutenção não está prevista no orçamento da Unesp, para isso precisam contar com verbas dos municípios onde seriam instalados.
Não houve nenhum debate com a comunidade universitária, que se colocou contrária à precarização do ensino público. Varias faculdades montaram comissões para analisar esse projeto, e todas concordam com a necessidade de ampliação do ensino público gratuito e de qualidade, o que não corresponde ao atual projeto da Reitoria. Por isso os estudantes foram à Reitoria (apoiados pela Associação dos Docentes da Unesp e pelo Sindicato dos Trabalhadores da Unesp), respaldados pela oposição da maioria em Assembléia estudantil ao projeto da reitoria.
O reitor José Trindade está passando por cima de todas as instancias democráticas da universidade para aprovar esse plano eleitoreiro e demagógico através do uso de distribuição de verbas para os diretores das faculdades e com a criação de vários cargos de confiança, o que lhe garantiu maioria no conselho universitário, que não conta com a participação de estudantes.
Lamentamos que todos esses fatos não tenham sido veiculados na imprensa, que só destacou o ferimento em dois professores, sendo que 10 estudantes foram feridos por conselheiros. Continuaremos protestando enquanto os R$ 30 milhões destinados à expansão de vagas não forem aplicados na melhoria dos campi deficitários já existentes e na criação de novos cursos nas faculdades que já oferecem a infra-estrutura necessária para isso.
Cristiane Alves da Silva e Valério Freire Paiva, do Diretório Acadêmico Di Cavalcanti da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação e representante discente na Comissão de Analise do Projeto de Expansão de Vagas da Unesp; e estudantes de Comunicação Social da Unesp-Bauru
|