|
CASO TIM LOPES
Atitudes evasivas
O texto do Sr. Luiz Carlos Bordoni sobre o caso Tim Lopes demonstra que ele nada sabe de jornalismo e não tem vaga noção de quem foi Tim Lopes. Tim não morreu porque foi cumprir uma pauta perigosa imposta pela Globo. Ele morreu por seu profissionalismo. Ninguém o obrigou a ir atrás do baile funk. Ele certamente se sentia seguro numa noite em que o morro normalmente baixa a vigilância para atrair consumidores de drogas. Tim foi atrás de uma ótima matéria, para a qual qualquer bom repórter, com os contatos que ele tinha, iria sem pestanejar. O que o Tim não poderia esperar era que lá estivesse o Ratinho, traficante de quem tinha gravado imagens em outra favela distante dali, meses antes. E as duas favelas estavam sob o mesmo comando.
A Rede Globo tem muitos defeitos, mas não havia a menor condição de proteger o repórter na circunstância em que se desencadearia a apuração da matéria. É claro que Tim assumiu riscos. Já havia assumido vários deles ao longo de sua carreira. De certa forma, penso que ele se sentia vacinado contra o perigo, embora não lhe desagradasse a adrenalina de determinadas situações.
Culpá-lo pelo que ocorreu (como sugeriu o inspetor Daniel) ou responsabilizar a TV Globo (coisa de meia dúzia de farisaicos) são atitudes evasivas, que evitam discutir o fato de que a sociedade se fez refém do tráfico e o máximo de insubordinação que ousa é fazer passeatas com lenços brancos pedindo aos bandidos que poupem sua vida.
Romildo Guerrante, assessor de Comunicação
Leia também
Jornalista não é James Bond – Luiz Carlos Bordoni, no Entre Aspas
Ainda o "paredão" do JN
Faço minhas as palavras do Alex Pires de Camargo. Realmente revoltante o "editorial" do JN sobre a conclusão do inquérito sobre a morte do funcionário da Rede Globo. Sem nenhum pudor, execra o delegado responsável pelo inquérito, que, a meu ver, não deixa de falar o que todo cidadão já sabe: o jornalista exercia profissão arriscada, por vontade própria, e arriscou sua integridade ao tentar finalizar uma reportagem. Não foi feliz! Não vi nas palavras do delegado nenhuma menção a suicídio, como o "editorial" quis fazer parecer. Que os colegas, amigos etc. façam pressão para a prisão dos responsáveis é legítimo! O que é intolerável é transformar mais uma morte (rotineira) praticada por traficantes numa cruzada para a aplicação da lei, que deveria ser invocada para todos os casos semelhantes.
Márcio V. Guedes, engenheiro
Leia também
O "paredão" do JN – Alex Pires de Camargo, no Caderno do Leitor (rolar a página)
Pequeno infrator, a vítima
Um problema da câmera oculta nas reportagens "denuncistas" é o seguinte: quem avalia a exposição a milhões de pessoas no noticiário da TV do pequeno infrator? Por exemplo, em matéria sobre a venda de remédios sem receita, mostra-se o rosto do balconista, mas não de quem compra, como quase todos nós. Acho o jornalismo investigativo sensacional, quando é sério e aprofundado, como no caso Watergate mencionado.
Luiz Amaral
|