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DIPLOMA EM XEQUE
Diploma também é regulação
Parabéns pela edição de hoje [13/11] do programa. Sou contra a campanha do patronato pelo fim da obrigatoriedade do diploma porque acho o argumento da liberdade de expressão um sofisma quando é levantado para ampliar o já escandaloso poder dos que manipulam o negócio da opinião "pública" – ou seria melhor considerá-la fabricada – e não para garantir o acesso à informação pelo simples cidadão. A obrigatoriedade do diploma não significa apenas um instrumento de defesa do trabalho contra o patronato da área, mas também representa uma espécie – embora incipiente – de regulação da sociedade, através da universidade, sobre a comunicação de massa, que não deixa de ser pública, mesmo que privada, porque participa de forma privilegiada na construção da representação que referencia a ação social para a manutenção ou transformação da realidade.
Heitor Costa Lima da Rocha, jornalista e professor da Universidade Católica de Pernambuco
Por uma universidade conseqüente
Busco entender a questão diploma X canudo. Acontece que temos uma péssima vontade política, daqueles que se dizem responsáveis pelo norteamento das questões do ensino no país. Vivo a questão, na medida em que atuo como professor universitário de escolas em SP, como ESPM, FAAP, UNIP e conheço também PUC e USP por conviver com pessoas da área. Nosso ensino, além de grades retrógradas (a do ensino público data de 1930), está voltado para o mercado (os acadêmicos).
Não sendo as ações individuais de alguns professores, em sala de aula, não sei o que seria do mercado. Formamos uma mão de obra sem massa crítica. Não se debate nada. A área técnica se fecha em gráficos e a de reflexão fica distante de um envolvimento conseqüente no cenário da práxis... ainda vivemos o tempo da história dos vencedores e dos modelos eurocentristas de cultura. Quando não... mercantilizados por interesses que não tenho mais paciência de ficar pontuando. Só uma pergunta: cadê a Universidade Popular? Mas, voltando ao tema do jornalismo, se diploma ou não... sou pelo diploma desde que tenhamos uma universidade conseqüentemente voltada para questões da ética e que busque seus elos com a sociedade, na busca da construção da estética. Não basta saber escrever, há que investigar e buscar o problema, levantar evidências de causalidades... e para isso a interdisciplinaridade e a transdiciplinaridade desenvolvidas na academias com leituras de textos, produção de seminários e demais atividades têm muito a contribuir. Liberdade de expressão sim... Trabalhar a reportagem já é outra coisa.
P. J. Cury
Contra a miopia acadêmica
Exigir diploma para o exercício da livre opinião parece-me ser uma aberração corporativa que não tem defesa (só deveriam ser exigidos diplomas de profissões em que há riscos aos seres humanos). Concordo com sua argumentação de que cursos de jornalismo, desde que de qualidade, poderiam aumentar a qualidade geral, mas a exigência vai contra todo movimento atual em prol de uma visão mais abrangente das coisas e da vida (contra a superespecialização míope que se espalhou pelas nossas universidades e empresas).
Hoje a norma deve ser multidisciplinar e multicultural e não deveria haver mais espaço para feudos acadêmicos e corporativos. A má intenção dos empresários do setor, embora exista, não tem nada a ver com a questão, é algo secundário. Um grande abraço.
Arnaldo Giraldo, engenheiro naval, São Paulo
Prática não é tudo
"Eureka", professora Rosa Nívea Pedroso... Faço das suas as minhas palavras. Sou jornalista e há 20 anos atuo nas mais diferentes áreas de produção em jornais, rádios e até televisão. Tenho 34 anos e somente agora estou fazendo o curso de Comunicação Social – Jornalismo. Sempre fui e sou contra o diploma, pela forma como ele é colocado pelo sindicato e pelas escolas para os profissionais.
Antes de iniciar o curso pensava de forma arrogante. "O que o banco da faculdade vai me ensinar? Sei muita coisa na prática", dizia para algumas pessoas próximas a mim. Hoje, passado o primeiro ano do curso, admito que pensei errado e, mesmo que a decisão da juíza ganhe corpo e seja aceito em outros níveis do Judiciário, tenho na cabeça que não vou abandonar o curso.
A senhora foi extremamente feliz ao fazer uma reflexão sobre o que os professores da área de comunicação pensam e como eles interagem no meio profissional. Seria bom que a sua voz ganhasse corpo e fosse efetivamente feita uma reflexão sobre a questão do diploma para jornalistas.
Apenas mais uma perguntinha [em relação ao artigo dos assessores de comunicação do Ministério Público Federal – veja link abaixo]: Todos se referem à fatídica história envolvendo a escola Base para justificar os erros da imprensa e fazer uma relação entre diplomados e não diplomados. Alguém poderia me responder se foi uma massa de profissionais sem diploma que acabou com a vida de professores e donos da escola Base?
Se todos eles forem sem diploma, vou calar minha boca e nunca mais (nunca mais mesmo!!) vou fazer qualquer questionamento sobre a necessidade do diploma.
Carlos Teixeira
Desânimo com o curso
Sou estudante de Jornalismo do 1º ano e estou desanimada com o curso. Tinha certeza de que queria ser jornalista, mas agora penso até mesmo em mudar de curso. O descaso com que é tratado a profissão me impressionou, o ensino na universidade em que estou é muito fraco. Concordo plenamente com a obrigatoriedade do diploma, pois com ele temos acesso a importantes informações na história da comunicação. Não só a experiência é válida.
Yágara Schneider, Universidade de Marília, SP
Se com diploma é assim...
Se com exigência de diploma o nível da imprensa está abaixo da expectativa do brasileiro... Qual será a exigência para exercer uma profissão cujo caráter informativo e opinativo é tão importante no nosso dia-a-dia? A necessidade de qualificação profissional, seja ela qual for, é o mínimo. O jornalista tem que entender de um determinado assunto para poder informar com precisão e opinar.
Vicente Salek
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