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DIPLOMA EM XEQUE
Extinção não resolve

Sou estudante de Jornalismo no Centro Universitário de Belo Horizonte – Uni-BH, 2º período. Estou inconformada com o parecer da juíza e acredito que o mesmo seja infundado. Concordo com Rogério Christofoletti e acho que o debate surge nas universidades de ensino superior de jornalismo. Sem debate, discussões sobre ética, imparcialidade, técnicas e responsabilidade social, não há jornalismo.

O comentário sobre os chamados "doutores" também veio a calhar, visto que não há nenhuma consideração por quem realmente fez o doutorado, e há uma excessiva e errônea utilização da palavra "doutor", "doutora". É preciso fazer uma avaliação dos valores do ensino superior no Brasil. Infelizmente, poucos têm acesso, mas não podemos justificar com a extinção de alguns cursos e sim com a melhoria do ensino fundamental até o superior.

As escolas de Comunicação precisam de melhorias? Sim, claro. E é por justamente precisarem que o curso de Jornalismo deve ser mantido e respeitado, melhorando gradativamente.

Como disse Rogério Christofoletti, jornalismo é profissão sim! Bem lembrado o caso da Escola Base. Quantas injustiças ainda terão que ser cometidas para que pessoas incautas como a juíza tomem conhecimento e consciência de que Jornalismo é responsabilidade social???

Fernanda Vasques Ferreira, estudante de jornalismo, Belo Horizonte


 

Só para chamar atenção

Como estudante de Jornalismo, sinto-me pessoalmente prejudicada pela decisão da juíza Carla Rister. É bem verdade que a leitura e o exercício da prática profissional fazem do jornalista um profissional mais preparado. A faculdade serve (para os verdadeiramente interessados) de aprendizado, e por isso mesmo oferecem jornais-laboratório e professores capacitados. Sou totalmente contra a decisão da juíza, que fez isso para chamar a atenção e para atender a interesses de terceiros bem mais fortes que ela. A curto prazo, se essa decisão não for vetada a notícia, que já se tornou mercadoria de baixíssima qualidade, vai acabar podre.

Danielly Silva Brito

 


Pobres formandos

Nós, jornalistas, fomos estuprados na semana passada com a decisão da juíza de São Paulo sobre a obrigatoriedade do diploma, surpreendidos por quem pouco tem a ver com nosso dia-a-dia e nos tomou o chão que tão seguramente pisávamos, sólidos, empunhando nossas bandeiras do direito à informação, da imparcialidade, da objetividade, da ética etc etc, como se fôssemos nós, os jornalistas, detentores, ou por direito divino ou adquirido durante algo tão banal quanto a aprovação em um vestibular de faculdade qualquer, da primazia sobre a verdade, ou ao menos da versão mais próxima dela, daí sermos os únicos tarimbados a determinar a relevância deste ou daquele tema, e ainda sermos os únicos a saber bem contá-los, com imparcialidade, ética, objetividade etc etc etc. 

Quanta idiotice se pôde ler nos Cadernos do Leitor deste site! De início, a editora nos informa que a decisão causou "choque e espanto", mas vi mais que isso, não só medo, mas verdadeiro cagaço, pânico de borrar as calças dos pobres diabos que vêem seu entendimento privilegiado do mundo cair pelo ralo. Afinal, nada mais avassalador, podem perder seus empregos para alguém que saiba, por força de outros estudos que não do jornalismo ou mesmo da experiência da vida, contar melhor que eles uma boa história, com relevância, começo, meio e fim. Se bem que, para ser jornalista, há de se contar as histórias pelo fim, foi o que aprendi na faculdade.

Dos estudantes de jornalismo: "Quer dizer que agora as pessoas poderão sair do vestibular e ir direto para uma redação, sem ter noções de texto jornalístico, apuração, ética e outras coisinhas ‘dispensáveis’ que aprendemos na faculdade?", teme uma arrogante aprendiz; "Não podemos deixar que isso aconteça, temos que fazer alguma coisa", desespera-se outro; há quem tenha perdido a razão de ser: "se o diploma não é mais necessário, para que estou fazendo faculdade? O que será dos universitários de Comunicação Social? Quem vai nos defender?" Parece que nossos pretensos gatekeepers querem trancar o portão e jogar a chave fora.

Será coisa do Brasil, deste Brasil atrasado e perdido, essa atitude em que não se pode conceber a competência, simplesmente, como requisito para produzir um jornal, algo que vai nas cabeças dos leitores de manhã e poucas horas depois já estará embrulhando peixes nas feiras? Se aqui há liberdade de expressão e de informação (mesmo as ruins), há democracia, há concorrência de mercado, então qual o prejuízo para a sociedade quando pessoas que não cursaram jornalismo estão permitidas, elas também, de reportarem o que viram e apuraram? Se o sindicato, no seu dever primário e legítimo, quer garantir que apenas pessoas capacitadas exerçam a profissão, que aja e faça ele mesmo esse filtro, como a OAB, com uma prova de aptidão ou a exigência de estágios ou então trabalhe junto às faculdades, garantindo que de lá sairão os melhores profissionais, não os únicos. Mas não nos embarace a dignidade choramingando migalhas.

Sou recém-formado, e tenho usufruído das vantagens da reserva de mercado, mas, pelo que li neste site, será até bom que ditos diplomados percam suas posições para outros, talvez menos sabidos sobre os meandros da ciência, porém mais aptos a entender o que significa liberdade de expressão e o que seja uma boa história.

Leonardo Echeverria, Brasília


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