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DIPLOMA EM XEQUE
O buraco é mais geral

O problema, como bem coloca Luís Nassif, está também no entendimento do que é um pensamento (ideologia) de esquerda ou de direita – grandes confusões. O que tenho visto nas universidades brasileiras destes últimos anos foi o desmonte das grades curriculares que continham disciplinas de humanas, que levavam o estudante a ter uma base de pensamento reflexivo, crítico e analítico.

Por exemplo, na PUC-SP, vimos a grade do curso de Jornalismo ser acomodada para o que chamavam de novas perspectivas do mercado para o profissional de jornalismo. Isto significou tirar as disciplinas com conteúdos filosóficos, fato este que teve conseqüência e algum complicador para o curso de graduação desta universidade – hoje porém revistos.

O fato é que esta prática não acontece só com o curso de Jornalismo, acontece especialmente com todos cursos de humanas. O que viraram, por exemplo, os cursos de Direito, senão formação de técnicos do Direito Civil? E por via desta prática de acomodar as grades curriculares, os formados vêm a reproduzir o pensamento único, fato que conhecemos muito bem. O que é uma audiência senão uma discussão técnica de enquadramentos jurídicos entre os advogados? O ilustre professor Miguel Reale há pelo menos uma dezena de anos tem denunciado esta prática das faculdades de Direito, que vinham reduzindo as disciplinas de Filosofia do Direito das suas grades, ou chegando ao cúmulo de colocar um único semestre das matérias filosóficas – quando não optativas. Ou seja, pensar é para dinossauro.

Infelizmente, a banalização e a mediocrização deste país passa por todas as instâncias e especialmente com a mão de intelectuais medíocres que ocupam postos de poder ou estão em instituições de ensino deste país. 

Precisamos salvar esta nação do vírus da superficialidade, pois se não o fizermos os efeitos colaterais serão devastadores.

Parabéns ao Observatório da Imprensa pela boa luta que os senhores tem feito para que esta nação e todos nós, seres pensantes, não caiamos em estado de prostração.

Waldeir Moreno, professor de História, São Paulo

 

Esqueceram do leitor

Acredito que o debate sobre o "fim do diploma" não entrou numa questão importante: a formação de leitores. É responsabilidade também do jornalista, e não só das escolas, formar leitores críticos: me inquieta a idéia do "jornalismo imparcial e objetivo" como um jornalismo burro e que não investe em novas maneiras de se comunicar. Talvez seja este um grande argumento daqueles que defendem o fim da obrigação do diploma. Apóio a formação acadêmica do jornalista. No entanto, é preciso modernizar o ensino da profissão, principalmente no sentido lingüístico. Não podemos mais ser escravos de métodos (lead, hierarquização das informações etc.) e manuais que padronizam a escrita jornalística.

Elter Fabricio Herek Valério, estudante de Jornalismo da PUC-SP

 

Programa parcial

Como jornalista tenho por hábito – sempre que o tempo me permite – assistir ao Observatório da Imprensa. Até a última terça-feira, 13, via no programa um canal isento e fórum privilegiado para refletirmos sobre o papel da imprensa e o exercício profissional. Digo até a última terça-feira porque o programa levado ao ar foi parcial, unilateral, tendencioso. Para o tema em discussão, o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista, os convidados, em sua maioria, tinham uma postura clara sobre o fim da exigência. À exceção do professor da USP e do Muniz Sodré – ainda que não explicitamente – os demais participantes simplesmente fizeram do programa um espaço para reforçar sua posição. Por que a produção do programa não convidou alguém da Fenaj ou do Sindicato de SP que estão se mobilizando para cassar a liminar? Por que não houve uma divisão igualitária entre os contra e a favor?

Por isso, senhor Alberto Dines, a partir de agora, assistindo ao Observatório da Imprensa, passarei a vê-lo de outro jeito.

Ah, e como dá para notar sou a favor da exigência. Não por uma reserva de mercado ou outras asneiras, mas para a garantia da qualificação profissional que só quem estuda jornalismo pode entender.

Wal Oliveira, jornalista do Estado do Maranhão

 

Epidemia universitária

Percebo que o autor do texto defende sua classe, e com muita razão! Mas talvez este problema "proposto" pela juíza e que norteia sua sentença, poderia estar inserido em um contexto maior do que "definições profissionais". O que dizer do "Jornalismo de Estilo", se é este um termo possível e ainda equivocado, pois o estilo deveria ser literário; se é que as pessoas que buscam aprimoramento profissional na Universidade – em que a busca deveria ser pelo aprofundamento do conhecimento e aprimoramento da técnica, para que seu objeto de estudo fosse integralmente apreendido – buscam ser jornalistas.

Discordo do autor do texto "Diploma Em Xeque 5" [edição 146, de 7 de novembro], quando diz que "qualquer um poderia ser jornalista". O "Estilo" longe está de ser uma ferramenta científica – ou melhor, suficiente – de apreensão e configuração de informação. Acredito eu ser este o objeto de pesquisa do jornalista. Mas pergunto se a "formação profissional" deveria estar associada com a formação universitária. Talvez esta associação seja a real necessidade do mercado atual de trabalho que busca uma "Técnica Cristalizada" e imutável, quando sabemos que a técnica é dinâmica! Ou talvez, essa associação seja o produto vendido pela "epidemia universitária" que tem formado desempregados, ou empregados que não conseguem criar! Acredito que a extinção do Jornalismo, tanto como profissão quanto carreira universitária, não ajuda em nada à busca de uma "caracterização" desta profissão que me desperta muitas questões.

Wilson Roberto Barthiman, psicólogo e pesquisador de linguagem

 

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