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EDITORIAS DE POLÍCIA
Qualquer um faz

Gostei de seu artigo. É bem isso mesmo. Há 15 anos estou nesta área e observo que nos últimos anos a editoria de polícia degringolou. Lembro que há oito anos tínhamos uma editoria de polícia no Diário Catarinense – jornal com a maior tiragem de Santa Catarina. Na editoria tínhamos até rádio-escuta na mesma freqüência da PM. Uma estratégia perfeita para chegar à notícia em cima do lance. Para um jornal tablóide éramos uma equipe razoável:quatro repórteres, um subeditor e um editor. Nosso espaço diário era de quatro páginas. O jornal estava entrando no estado e precisava de projeção e credibilidade.

Depois de ganhar o mercado, surgiram outros editores e a editoria de polícia foi extinta. Os repórteres feras, que tinham afinidade e sabiam escrever matérias policiais, foram demitidos e substituídos por focas, com salário bem inferior. Para muitos editores-chefe, qualquer repórter faz polícia e qualquer um escreve matérias policiais. E o resultado de tudo isto foi um desrespeito ao leitor, com títulos ridículos: "Quadrilha presa com armamento pesado". "Menor que fugiu da Fucabem continua foragido".

 

Tratamento mais ético

Muito interessante e rica a reflexão apresentada. Concordo em que o papel da imprensa policial deva ser melhorado e que haja de fato um jornalismo investigativo, fator essencial para a preservação da democracia e controle da ação dos agentes do Estado. Em São Paulo isto já ocorre de certa forma para os casos em geral e especialmente aos graves. Por outro lado, temos solicitado especial atenção para:

1. Manchetes desproporcionais ao conteúdo da matéria (Exemplo: "PM fuzila assaltante" Quem atirou foi um policial militar, e não a instituição; o assaltante não foi fuzilado, foi morto com um tiro de revólver; "Polícia prende traficantes no morro". Qual polícia? Para qualquer policial é importante que seu trabalho seja reconhecido. Vejam que nas matérias negativas há tendência para especificar a instituição e os agentes. Já nas positivas, além de não haver o mesmo destaque, é comum se buscar a generalização.

2. A expressão "ex-PM" tem gerado "discriminação" em vários casos, como ex-policiais militares expulsos ou demitidos e que permanecem criminosos. Mesmo após vários anos, ao serem presos cometendo delitos são novamente classificados como se pertencessem recentemente à instituição.

3. O ponto principal se refere à necessidade de espaço para notícias positivas (que são infinitamente maiores e não são veiculadas, e a mesma proporção de espaço para as respostas da instituição sobre reportagens em geral.

Parabenizo a todos pelo espaço e reafirmo nosso compromisso em bem atender aos profissionais de imprensa, visando a informação do cidadão e a depuração dos maus policiais, além de disponibilizar os dados policiais de forma transparente e isenta.

Renato Penteado Perrenoud, tenente-coronel, chefe de Comunicação Social da PMESP

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