|
LEITURAS DE VEJA
A verdade não combina com a revista
Ao ler os textos de Alberto Dines ("Oposições só chiam quando pisadas nos calos"), Victor Gentilli ("Veja e os patrimônios"), Jonas Medeiros ("Ética, ideologia e língua") e Démerson Dias ("Liberdade para mentir") encontramos entre todos um eixo comum: o tratamento da verdade. Alberto Dines porque parece não se preocupar muito com isso. Dizer que Brizola só agora está reclamando da mídia... Ele provavelmente anda enfrentando alguns problemas de memória. Desde que eu me entendo por gente vejo o Brizola às turras com a imprensa. Deveria ter razão muitas vezes, devia estar errado algumas outras, mas enfim... Victor Gentilli comenta rapidamente a diferença entre a família Sarney e Brizola, o que é uma ótima lembrança. Mas falta a imprensa falar da multiplicação da fortuna do ACM. Ou de FHC, por que não? E do Zé Serra, com esses boatos de genéricos em causa própria. Tantos e tantos nomes pra citar aqui, inúmeros exemplos...
Jonas Medeiros continua no seu árduo e glorioso embate de desmascarar Veja. Espero que a batalha venha recolhendo alguns frutos, porque observo diariamente que o semanariozinho de meia-pataca continua sendo a grande referência brasileira no quesito informação. É duro, muito duro, mas é verdade... Não desista, Jonas, siga em frente; enquanto houver alguém executando esse trabalho de desmascaramento restará uma esperança!
Por fim, o perfeito texto de Démerson, que dispensa comentários. O problema é que a maioria dos leitores de Veja viciam no jeito de ser da revista, abstendo-se da capacidade de pensar. Não discutem outros pontos de vista, não refletem sobre o que lêem na publicação e ainda acham – seguindo a revista – que quem discorda das opiniões quase introjetadas nos leitores são radicais, esquerdistas, insensatos, mal-intencionados... E mentir contando verdade, contar meias-verdades... Ou, como disse Démerson sobre as táticas de propaganda nazista, repetir insanamente uma bobagem qualquer até que ela seja aceita como verdade.
Esse é o fascinante mundo de Veja!
Sérgio Luiz do Prado, São Bernardo do Campo, SP
Brizola tem que ir à luta
O nosso ilustre homem histórico, digno e honrado Leonel Brizola deve levar a fundo e ao fundo a estupidez desta revista medíocre. Brizola deve encarar esta luta, para não deixar que mais uma vez o pensamento único e contraditoriamente defendido como democrático arranhe a sua imagem, que é a de um dos raros e poucos homens dignos desta nação.
Waldeir Moreno
Claras reflexões
Sobre o artigo de Jonas Medeiros, só tenho a dizer: excelente e elucidatório! Compartilhar de reflexões tão claras e bem fundamentadas só aprimora o intelecto de um povo. Parabéns!
Wilma Pessôa
Nossa língua portuguesa
Concordo com os comentários, no tocante à reportagem da Veja número 1715 sobre língua portuguesa, feitos nesse espaço. Eu nunca vi uma exibição tão grande de preconceito contra os lingüistas, tal qual foi mostrado na edição da revista.
Somente ouvidos desinformados (como os do senhor João Gabriel de Lima) podem acreditar que os lingüistas não são a favor do ensino da norma-padrão. Nós somos a favor do ensino da norma-padrão, todavia queremos um ensino mais democrático, plurissignificativo e menos preconceituoso.
Antônio Santos
E as outras revistas?
Acompanho com muita atenção o trabalho do Observatório, o qual aumenta o senso crítico que deve ser usado quanto se quer estar realmente informado.
Com muita propriedade e perspicácia são analisados artigos e linha editorial da revista Veja. Mas é justamente esse ponto que me deixa com uma dúvida: e as outras revistas – IstoÉ, Época, Carta Capital etc – não poderiam também ser analisadas?
Desejo que continuem com esse trabalho de suma importância para todos.
Silvaldo William Gregório
Leia também
Oposições só chiam quando pisadas nos calos – Alberto Dines
Liberdade para mentir – Démerson Dias
Veja e os patrimônios – Victor Gentilli
Ética, ideologia e língua – Jonas Medeiros
|