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PRÊMIO VLADIMIR HERZOG
Vencem as vozes do Timor

Apesar de toda a mídia "nem dar bola", a jornalista Rosely Forganes, da Rádio Eldorado AM, uma das melhores profissionais do momento, venceu o Prêmio Vladimir Herzog com a série Vozes do Timor, e é uma das finalistas do Prêmio Libero Badaró.

Parabéns, Rosely, a sua competência é maior que essa mídia brasileira.

Alcides Martins Fontes Júnior, jornalista


EUA vs. AFEGANISTÃO
Guerra? Que guerra?

É incrível notar como toda vitória passa pela informação. Os Estados Unidos investiram nesta frente: a al-Jazira mudou o tom das suas reportagens, o embaixador do Talibã foi censurado, imagens e informações de civis mortos praticamente deixaram de existir. De repente, após esses fatos, o inexplicável: em apenas três dias metade do território do Afeganistão foi ocupado pela Aliança do Norte. As resistentes tropas do Talibã? Imagine, saíram todas correndo, fugindo da invencível Aliança... Esta por sua vez, de repente, aparece com pose heróica, vitoriosa, libertaram as cidades, as pessoas comemoram nas ruas, as mulheres tiram a burka, enquanto os homens fazem filas em barbearias para cortar a barba.

A ONU noticiou que foi saqueada em Mazar-i-Sharif, cidade onde a Aliança do Norte está praticando saques e seqüestros de moradores e onde franco-atiradores estão disparando pelas ruas, disseminando violência e cometendo execuções sumárias.

A imprensa nacional e internacional noticiou ou deu alguma importância ao fato? É claro que não, afinal, isso afetaria nosso julgamento, é preciso conquistar o TERROR, nem que seja o de nossas mentes... Ninguém comenta que o Talibã entrou no poder apoiado pelo povo e isso justamente por este se opor às atrocidades da própria Aliança do Norte. Dizer que o Talibã se beneficia do tráfico é um embuste, sendo que ele próprio proibiu a produção de papoula – de acordo com os cálculos da ONU, graças a esta atitude a produção mundial é hoje um décimo do que era ano passado, e não é menor graças a continuação da plantação pela própria Aliança do Norte;

Também não se deu muita importância ao apelo da Cruz Vermelha e de diversas ONGs internacionais, que clamaram pelo fim dos ataques para que fosse possível fazer um trabalho humanitário antes do inverno. Assim, cerca de sete milhões de pessoas podem morrer nos próximos meses, vítimas do frio e da fome. Estas são vidas de muito menos valor.

E a imprensa aceitar as definições para o conflito prova o quanto somos todos subestimados, desrespeitados, manipulados por esta mídia servil, que distorce a verdade e escreve a história a seu bel prazer. Se a guerra fosse contra o terrorismo seria preciso bombardear a Irlanda (IRA), a Espanha (ETA) e, se pensarmos bem, até o estado americano de Oklahoma, isto sem contar todos os outros 60 países citados pelos Estados Unidos como focos de atividades terroristas.

Alex Pires de Camargo, São Paulo


"Americanos" somos todos

Por que raios os brasileiros ainda chamam os estadunidenses de "americanos"?

Todos os habitantes da América são americanos, e não apenas os que moram nos Estados Unidos, assim como asiáticos são todos os que moram na Ásia, africanos aqueles que moram em qualquer país da África. 

Assim como não apóio o nacionalismo extremado, muito menos posso aceitar o entreguismo subliminar da expressão "americanos" e "América" quando nos referimos aos Estados Unidos e seus cidadãos.

Indignado e inconformado com situações de submissão espontânea e com a falta de autocrítica das pessoas que não pensam nestes "detalhes". 

Ah, e parabéns pelo belo trabalho de jornalismo crítico e "pensante".

Nelson Smythe Jr., designer gráfico


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