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CASO GUILHERME DE PÁDUA
A Globo manipula
Estamos assistindo ao maior festival de manipulação explícita da opinião pública brasileira, para fazer "justiça com as próprias mãos", de que se tem notícia na história da mídia nacional, sob o comando da Rede Globo.
No programa Domingão do Faustão de 4/11/2001, a novelista Glória Perez apareceu numa inserção apresentando uma fita cassete com a suposta voz de Guilherme de Pádua dizendo que a atriz Daniela Perez foi morta porque Deus permitiu e que ela estava melhor que todos nós etc. Tal fato, segundo a interpretação da mãe, demonstrava o cinismo e o desrespeito de Guilherme de Pádua à vida humana.
Ontem, 12/11/2001, a RedeTV! reproduziu a mesma cena, além de mostrar vídeo no qual Daniela Perez e Raul Gazzola ensaiavam passos de dança para um futuro show, e no fundo a voz da apresentadora Sônia Abraão, emocionada, lamentando por aqueles planos terem sido brutalmente interrompidos por Guilherme, a quem ela nem ninguém pode perdoar, porque "só Deus perdoa". À noite, nesse mesmo dia, o programa de Hebe Camargo, no SBT, abordou o tema, sempre com a enfática afirmação da apresentadora de que, mesmo conseguindo o indulto, ela sempre chamaria Guilherme de "assassino, assassino!".
O ex-ator Guilherme de Pádua, assassino de Daniela Perez, filha da novelista Glória Perez, está reivindicando o perdão da pena que lhe foi imposta face o crime cometido, baseado no Decreto Presidencial nº 3.226, de 29/10/1999, que concede, no item IV do art. 1º, o indulto da pena ao "condenado à pena privativa de liberdade superior a seis anos, pai ou mãe de filho menor de doze anos de idade incompletos até 25 de dezembro de 1999 e que, na mesma data, tenha cumprido um terço da pena, se não reincidente, ou metade, se reincidente."
Guilherme de Pádua preenche todos os requisitos acima.
Fazendo o necessário expurgo do elemento emotivo, que nos leva obrigatoriamente a concordar com a indignação do meio artístico face à iminência do perdão da Justiça a Guilherme de Pádua, urge que lancemos o seguinte alerta à opinião pública nacional: ainda que consideremos um ato cínico a reivindicação de indulto da pena pelo assassinato de Daniela Perez, Guilherme de Pádua está buscando seus direitos com base na lei. Discuta-se, pois, a base legal que abriu precedente para o indulto, e não a reivindicação.
Os fatores subjetivos que a mídia, especialmente a Globo, quer imprimir na análise do caso, para influenciar um julgamento primordialmente baseado em dados objetivos e na lei, abre grave precedente para que a Justiça fique à mercê da emotividade dos julgadores, os quais, com certeza, são telespectadores atentos dos programas onde o assunto predomina.
Questionemos a lei que permite a ficha limpa de um assassino, não o desejo dele em apagar os registros materiais do seu crime. Afinal, não é esse o desejo dos criminosos?
Clóvis Luz da Silva, Ananindeua, PA
URNA ELETRÔNICA
Democracia só em 2004?!
O comentário "A imprensa e a eleição", de Cruz Rios (no jornal A Tarde de 13/11, mostra a fragilidade do atual processo de votação através de urnas eletrônica e programas totalizadores a que só os "ômis" da agência de inteligência do governo têm acesso. E o mais grave: o sistema é fraudável em larga escala, isto é: algumas linhas invisíveis inseridas no programa poderão eleger presidente da República aquele que for escolhido pelos(as) guardiões(ãs) das senhas dos programas, tipo caixa-preta, e não aquele mais votado pelos eleitores.
O que nos parece muito grave é que, no Seminário de Cobertura Política e Eleições, promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), em São Paulo, o presidente do TSE Nelson Jobim declara singelamente que mesmo aprovado agora o sistema de impressão de voto – que permitirá conferência do voto pelo eleitor, recontagens e auditorias -, que passou pelo Senado e está pendente de votação na Câmara, só será utilizado em 2004! E os cidadãos jornalistas e empresários presentes não questionam, comentam ou repercutem essa informação.
Até a notícia veiculada no jornal A Tarde de hoje (13/11/2001) em Política, sob o título "TSE revela preocupação durante seminário da ANJ", dá destaque apenas à preocupação de Jobim de que serão muitos cargos que o eleitor terá que escolher/digitar, o que poderá provocar lentidão!
Sintomaticamente, essa notícia não consta da edição de A Tarde Online. Por que será que essas coisas ainda acontecem em nosso país?
José Renato M. de Almeida, Salvador
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