22/07/2003

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Edição de Marinilda Carvalho

O circo montado por Silvio Santos dias atrás continua mobilizando o respeitável público. A maioria dos leitores ficou indignada com a palhaçada. Vânia Silva, contudo, fez a leitura aparentemente mais divertida da sessão: "Magnífico o Sílvio Santos ter tirado esse barato com a mídia."

Porque, convenhamos, só mesmo uma imprensa grotesca faria daquela momice um espetáculo, não é mesmo?

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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A PEGADINHA DO ANO
Protesto da repórter

Alberto Dines pode ser enquadrado na categoria que ele mesmo critica, dos jornalistas que não pesquisam. Silvio Santos chama-se Senor, e não Señor Abravanel. (E, caso a intenção tenha sido um trocadilho "ai, como sou poliglota", o texto deveria ter sido melhor trabalhado. Tal equívoco revela que Señor Dines parece adepto da máxima "não li e não gostei". As 12 páginas de reportagem de Contigo! não tratam as aspas de Silvio como verdadeiras. Depois da entrevista, publicada na íntegra, há uma reportagem sobre as negociações do SBT. Na apuração, que levou um mês, foram ouvidos diretores, familiares e amigos do apresentador, além de apresentar uma biografia.

Bastaria observar a capa e constatar que não há sensacionalismo. A chamada é "Silvio Santos: A vida anônima nos Estados Unidos", e não "Silvio Santos vai morrer em seis anos".

Señor Dinis não se deu ao trabalho de checar o currículo da repórter. E, pior, como "observador da imprensa", não entendeu que declarações surrealistas do proprietário do 2º maior grupo de comunicação do país (que raramente concede entrevistas) são sim notícia.

Ana Carolina Soares

 

Alberto Dines responde

Compreende-se a infelicidade de uma jornalista que durante dez dias apareceu na imprensa brasileira como vítima da colossal embromação do entrevistado. O próprio entrevistado comentou em diversas ocasiões que disse aquele monte de asneiras "de brincadeira". A nota oficial do SBT seria desnecessária se a insigne repórter tivesse registrado o tom de palhaçada  ao invés de agarrar-se ao recurso das aspas. A última crítica à matéria foi publicada no domingo (20/7) na Folha de S.Paulo (p. E 11).

A missivista ignora que este Observador é o autor de O Baú de Abravanel – Uma Crônica de Sete Séculos até Silvio Santos (Cia. das Letras, 1990), a saga da ilustre família na qual Senor Abravanel aparece devidamente grafado e retratado.

Como o escrivão que fez o registro de nascimento do ilustre empresário desconhecia o idioma espanhol (e o dialeto ladino ou judezmo dele decorrente), grafou erroneamente o nome da criança  e omitiu o indispensável til em cima do "n".

Mas num texto jornalístico é perfeitamente legítimo e até mesmo necessário adaptar o nome de personalidades estrangeiras à pronuncia do país. Assim o Le Monde sempre grafou o nome do ex-presidente russo Boris Yeltsin como Boris Ieltsine. O leitor brasileiro (que desconhece o grau de alfabetização do escrivão e do pai do recém-nascido) quer saber como se pronuncia corretamente o nome do apresentador, independente da grafia da certidão. A pronúncia correta é "Señor" e assim continuará a ser designado pelo signatário. (A.D.)

 

E cogitou ser presidente

Caro Dines, que esperar do Senhor Abravanel? A ridícula farsa do alegre animador de auditório apenas dá prosseguimento a seu triste circo familiar. De minha parte, só lamento que ele não desapareça em seis anos, como previu. E, horrorizado, penso que este homem cogitou ser presidente da República. Triste Brasil.

Orlando Tambosi, Florianópolis

 

Era Matrix

Extremamente oportuno o comentário a respeito desse achincalhe (!) circense a que foram submetidos os brasileiros na última semana. E mais estranho ainda é que essa matéria a respeito desse senhor (Abravanel) tivesse tanta repercussão, negativa e positiva, da forma como ocorreu. Ou não, nada foi estranho? Há que se ressaltar a importância de Silvio Santos nos meios de comunicação de massa do país. Isso é inegável. Por causa disso ele construiu um império. Sem nenhum medo de erro em minha análise, o cidadão Kane transforma-se em nada perto dele. No entanto, a quem interessou toda essa "propaganda"? Em função de sua popularidade, ele precisava disso? Um simples trote às avessas, foi o que ocorreu? A jornalista sabia, não sabia, envolveu-se no caso... tudo muito esquisito. Poderemos colocar nossa confiança nos meios de comunicação, sem restrições, daqui para frente?

Aliás, depois da guerra (invasão, ocupação) do Iraque, o que nos resta agora? Uma guerra de mentira, com pretextos de mentira, a imprensa mundial, em grande parte, acobertando os reais motivos. Um jornalista do maior veículo de imprensa do mundo sendo demitido porque inventou matérias. Isso foi sempre assim, ou estamos entrando na Era Matrix, onde tudo não é o que parece ser? Lembram do sujeito que acordou depois de 19 anos de coma? Acho que estou me sentindo na mesma situação.

Alexandre Carlos Aguiar, biólogo

 

Queremos dinheiro!

Silvio Santos vende muita revista! Essa deve ter sido a conclusão tirada pela direção da Contigo! depois do episódio "Ataque do coração em seis anos". Será que, de fato, alguém acreditou que nessa doença? Não podemos negar que a edição da Contigo! foi cuidadosa ao não considerar verdadeiras nem falsas as afirmações de Silvio. Ao mesmo tempo, a revista, conscientemente, alimentou e difundiu informações com 0% de chances de serem verdadeiras; logo, a motivação da publicação não se baseou em critérios de veracidade, importância ou coisa do gênero, mas meramente mercadológicos. Isso é jornalismo? Para a Contigo! é. Mas também é jornalismo para a Band, a Rede TV! e todos os grandes jornais do Brasil. Inacreditável a importância dada a uma declaração, mesmo gravada, explicitamente jocosa.

E o que dizer da repórter, autora da façanha? Se ela queria ser famosa pelo feito, conseguiu. Agora, se conseguirá se manter famosa como jornalista, não sabemos. De todo jeito, ela fez a parte que lhe cabia. A decisão de publicar ou não foi tomada pela revista. Exibir em suas páginas coisas sem muita verossimilhança e importância é característica da revista. Pior mesmo foram os jornais e redes de TV. E o que dizer do programa da Luciana Gimenez? Foi ridículo assistir, ao mesmo tempo, ao seu programa e ao Boa Noite Brasil, da Band. Enquanto Leão mostrava Silvio desmentindo a história, Luciana e Mara Maravilha forjavam uma discussão sobre a veracidade dos fatos. Quanta bobagem!

Engraçado foi o Ratinho falando em espanhol no dia em que foi anunciada a venda do SBT. Seu programa teve até música mexicana! Se alguém ainda tinha dúvidas sobre a verdade, ficou mais tranqüilo e deu boas gargalhadas. Mas a imprensa preferiu continuar tratando o assunto como "a bomba do ano". Sim, bomba para quem deu trela ao assunto.

Talvez sejamos muito exigentes com nosso jornalismo, afinal, precisamos vender jornais, revistas e lutamos por mais audiência. Tudo bem, faz parte do esquema oscilar entre "Ataque do coração em seis anos" e discussões sobre a reforma da Previdência, não é mesmo? É tudo igual, espetáculo para o público. A diferença é que sobre a morte anunciada de Silvio todos se interessam e querem detalhes; já pela Previdência... O público e a mídia estão certos. De que adianta uma aposentadoria se não podemos ficar de chambre e chinelinhos sentados frente à TV ouvindo frases como: "Posso perguntar? Você tem certeza?" ou "Quem quer dinheiro?"

Queremos dinheiro, Silvio Santos, televisão, ilusão... e o resto que se dane!

Alexander Goulart, jornalista, Porto Alegre

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