EXCLUSÃO DIGITAL
Despreparados para a rede?
Uma pseudodemocracia, ou seja, uma democracia descompromissada com a abolição. Uma economia baseada na exclusão social, digo, exclusão digital, era do analfabetismo informal e educacional. Se já se sabia que estudantes ainda lêem muito pouco, e agora descobriu-se que entre os que lêem são muitos os que não entendem os textos, é de concluir-se o seguinte: os novos escravos com acesso à internet estarão preparados para o conhecimento? Em outras palavras: alfabetizados para ler articulistas e colunistas, por exemplo?
Benjamin Ribeiro
Apenas ferramentas
Como educador rogo que o autor tenha, no que tange ao assunto de inclusão dos nossos alunos no mundo digital, muito cuidado! A educação, dita de qualidade na grande maioria das escolas privadas do país, não se faz com ferramentas sofisticadas, bibliotecas cujas estantes são de mogno maciço, carteiras em acrílico, banheiros perfumados e todos as benesses que o sistema financeiro pode colocar nesses estabelecimentos. A escola pública, por sua vez, faz parte, lamentavelmente, e resguardando-se as felizes exceções, de arranjos político-eleitoreiros que historicamente relegaram seu papel a um plano de manutenção no poder de duvidosos homens públicos.
Quando se fala em educação, presume-se a socialização de conhecimentos, do professor ao aluno e, por que não, do aluno ao professor. Não vou aqui declamar todas as tendências pedagógicas envolvidas com a maneira de se expressar um conhecimento a alguém. Contudo, é preciso que se entenda que a formação do cidadão passa pela boa escola, com ou sem apetrechos de última geração. Daquela escola que permite formar cabeças pensantes, com poder de crítica e diálogo com a sociedade o mais esclarecido possível, com capacidade transformadora (como diria Paulo Freire) e possuidor de bagagem intelectual suficiente para povoar outras mentes com mais conhecimento.
Bons livros, boas instalações, profissionais bem formados são o indispensável para a formação a que se pretende. Lutemos por isso! O computador e toda sua tecnologia servirão como ferramentas que auxiliariam os profissionais e os alunos na busca de uma melhor formação intelectual. Se foi nesse sentido que sua matéria foi exposta, está de parabéns. Se não, repense seus conceitos.
Alexandre Carlos Aguiar, biólogo, Florianópolis
Deonísio da Silva responde
Grato por sua leitura, meu caro Alexandre Carlos Aguiar. Penso que estamos de acordo. Repito o que escrevi no OI: "Como é que os professores vão ensinar? As escolas, em sua maioria, não têm bibliotecas. Quando têm bibliotecas, essas estão quase sem livros nas estantes. Às vezes, as escolas contam com prédios, estantes e livros, mas estão sem bibliotecárias. E os acervos não recebem livros novos há anos! Uma boa escola começa com bons professores ao redor de uma boa biblioteca. E agora, nos tempos da internet, com acesso à web, pois a pesquisa ganhou um terreno amplo na rede". Cordialmente, (D.S.)
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