22/07/2003 13/13

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JORNAL ESPÍRITA
Freud explica, Kardec também

Os leitores do OI não ignoram que, subjacente à questão do uso (e do abuso) do poder na Federação Espírita do Estado de São Paulo, está algo muito caro a todos nós – jornalistas, juristas, professores, artistas, estudantes –, que é a discussão em torno da liberdade, a qual precisa ser conquistada a cada instante, em todos os espaços, num movimento que acrisola os nossos espíritos. Esta é uma discussão ética que deve permanecer sempre aberta. A par da divergência entre facções – embate que não oculta sua multifacetada coloração doutrinária –, um fato sobreleva a sua mais indubitável dramaticidade: a triste condição do jornalista J. G. Pascale. Há todo um simbolismo implícito na perseguição que lhe foi movida na Feesp, com o fim unívoco de cercear a liberdade de expressão dos demais jornalistas e escritores nas páginas do Jornal Espírita. Pascale era o agente da liberdade, o fator desencadeante da sublimação (aplico no sentido freudiano do termo) daquela equipe de pensadores. Por isso, ele deveria ser eliminado, o seu trabalho interrompido.

Certamente sabedor da dupla função do ego – recalcar o id (puro instinto), atendendo ao superego (ente repressor); e satisfazer o id, restringindo o domínio do super-ego –, Pascale viabilizava a sublimação criativa e positivamente libertária: quem não sabe que essa é a matéria prima de cientistas, escritores, artistas, místicos e outros? Dois fatores podem impedir esse papel: a loucura e a perversão. Foi esta última que se materializou (não por ectoplasmia...) no grupo que assumiu o poder na Federação Espírita.

Historicamente o exemplo clássico de perversão é o nazismo, que foi um agente repressor, castrador e torturador por excelência. Analogamente, essa cúpula diretiva da Feesp reproduz, nas idéias e nas ações, os estereótipos do nazi-fascismo; mas, como este, comete o mesmo equívoco crasso: ignora do que são capazes o pensamento e a razão, que não conhecem restrições e proibições, especialmente quando se tem consciência do valor da liberdade e se tem compromisso com a verdade. Quem tiver acesso ao laudo médico do jornalista J. G. Pascale verificará as graves feridas psicológicas provocadas em sua alma – em sua psique, em sua mente, como queiram – por essa estrutura de poder perversa, cruel e covarde, pois, ao mesmo tempo em que aqueles dirigentes reservam para si a mais absoluta liberdade, sem o que não exercitariam no mais alto grau a sua tirania, impõem ao outro a sujeição mais vil e abjeta, porque ele representa a sua antítese. Pascale é um símbolo de liberdade. Basta a leitura do texto de Marcelo Fiorini [ver remissão abaixo] para fazer essa constatação. Eles têm por símbolo pesados grilhões.

Citei Sigmund Freud para contextualizar esta pequena e despretensiosa análise, mas como espírita devo também citar Allan Kardec, a quem eles não só ignoram como subvertem seus fundamentos mais elementares, como o de respeitar a liberdade de consciência do próximo. Os Espíritos Superiores dizem, na questão 833 de O Livro dos Espíritos, o seguinte: "É pelo pensamento que o homem goza de uma liberdade sem limites, porque o pensamento não conhece entraves. Pode-se impedir a sua manifestação, mas não aniquilá-lo". Na questão 837 os Espíritos enfatizam: "A liberdade de consciência é uma das características da verdadeira civilização e do progresso". Os déspotas de plantão ignoram isso.

Acreditamos que a essência desse debate não deva se restringir ao âmbito jornalístico, mas que seja estendida a toda a sociedade, pois o despotismo sabe escolher suas vítimas, a primeira das quais é a liberdade, e seus mártires, como sempre, costumam ser os jornalistas. Infelizmente, estes não são os únicos, os outros vêm depois.

J. Silvério Santoro, professor e escritor

 

Calúnias espalhadas

Solicito não publicarem qualquer carta contra a Feesp (Federação Espírita do Estado de São Paulo) sem antes atestarem a veracidade dos fatos. Nestes anos de colaborador na doutrina espírita, nunca presenciei uma situação como esta, na qual calúnias são espalhadas contra um indivíduo que merece toda a nossa admiração, como o Sr. Avildo Fioravanti. Nem me refiro aos mais de 40 anos que o Sr. Fioravanti vem dedicando à Feesp, mas à sordidez com que alguns estão agindo contra sua gestão, que se iniciou há apenas seis meses. Como é o mais forte candidato no processo eleitoral que se aproxima, alguns detratores (que na minha visão não podem ser considerados espíritas, pois o espírita sincero não utiliza artifícios deste nível rasteiro) estão usando as únicas armas que conseguiram: a calúnia e a difamação. Pior, estão criando supostos "denunciadores" anônimos ou contando com Iso Jorge Teixeira, que envergonha o movimento espírita pela conduta imoral que demonstra.

Para quem não o conhece, Iso Jorge Teixeira nem é colaborador da Feesp, pois reside no Rio de Janeiro, mas está vexatoriamente envolvido com estes detratores endógenos que a Feesp abriga. Este senhor tem enormes dificuldades para encontrar espaço no movimento espírita para divulgar seus ataques constantes a qualquer entidade representativa nacional e até de outros países. Ele se considera detentor único da verdade, e agora expressa toda a sua ira na imprensa não-espírita para chamar atenção (mais uma vez envergonhando o movimento espírita, pois o verdadeiro espírita não procede assim). Temos que dar um basta neste jogo eleitoreiro sustentado por usurpadores da boa fé dos incautos.

Thiago Grazzio, engenheiro civil

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